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Enquanto no Brasil planos de saúde perderam clientes, no DF houve aumento

HUGO BARRETO/METRÓPOLES

Durante a pandemia, pelo menos 280 mil beneficiários deixaram convênios no país. No DF, 3 mil aderiram ao serviço e fugiram do SUS

CAIO BARBIERI

Achegada da pandemia do novo coronavírus fez com que mais brasilienses buscassem os serviços dos planos de saúde para ter acesso a unidades hospitalares privadas. A tendência no cenário local é oposta ao que tem ocorrido com o Brasil.

Nacionalmente, os convênios deixaram de contar com pelo menos 280 mil clientes, apenas no meses de abril e maio. As informações são da Agência Nacional de Saúde Suplentar (ANS), responsável pela regulação dessas prestadoras.

Uma das explicações para resultado negativo no país vem da perda de renda e emprego, registrada no bojo da pandemia. Já na capital federal houve crescimento de adesões, empurrado pela segurança do funcionalismo público.

Para se ter ideia, de março até junho, o Distrito Federal registrou um aumento de beneficiários: passou de 908 mil para 911 mil usuários que preferem a modalidade de saúde privada. Embora o número seja pouco expressivo, ele representa que pelo menos 3 mil pessoas decidiram abrir mão da gratuidade do Sistema Único de Saúde (SUS) nesse período para terem acesso à rede particular, mesmo que, para isso, comprometam as despesas domésticas.

O cenário também pode ser reflexo da grande procura por unidades de terapia intensiva (UTI) para o tratamento de Covid-19 no DF. De acordo com a Secretaria de Saúde, até o início da tarde desta quinta-feira (6/8), pelo menos 74,06% dos leitos exclusivos de Sars-Cov-2 da rede pública já estavam ocupados por pacientes em estado considerado grave. São unidades com suportes respiratórios e, a depender do caso, de hemodiálise.

No caso dos registros comparados anualmente, o número de usuários brasilienses de convênios também subiu: em abril de 2019 eram 890.527 e pulou para 907.165 no mesmo período deste ano.

Alagoas (AL), Amapá (AP) e Mato Grosso (MT) registraram quedas na adesão de cidadãos à iniciativa privada nessa mesma comparação anual (veja tabela abaixo), quando o Brasil ainda registrava um pequeno aumento de beneficiários.

Dados dos beneficiários de planos de saúde referentes a abril/2019 a abril de 2020 (reprodução ANS)

Melhora sensível

O diretor-geral do grupo Salutá de Brasília, Samuel Borges, percebeu uma sensível melhora no movimento de beneficiados por planos de saúde. Por administrar clínicas multidisciplinares, o gestor acredita que, embora cautelosas, as pessoas ainda preferem optar por centros clínicos do que os hospitais.

“Sentimos um sensível e gradual aumento na procura por consultas e exames de rotina, mais frequentes em algumas especialidades, como endocrinologia, cardiologia, neurologia e psiquiatria. Esta última teve um aumento ascendente devido ao aumento de casos de TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizada), efeito gerado principalmente pelo isolamento social praticado desde o início da pandemia”, avaliou.

Segundo ele, que administra um plano de saúde próprio do grupo empresarial, dois movimentos foram percebidos no período. Primeiro, o de pessoas que decidiram migrar para convênios mais em conta, devido à crise econômica; depois, o aumento gradual de adesão aos planos daqueles que só podiam recorrer ao sistema público. “Na maioria das vezes, percebemos que os pacientes não querem depender totalmente do SUS, que atualmente está sobrecarregado”, disse.

“O nosso plano de saúde, por exemplo, cresceu 135% com a pandemia da Covid-19, e, por possuir ampla rede credenciada em todo o DF e Entorno, teve uma aceitação muito grande por toda a população. Obrigamos todas as clínicas credenciadas a adotarem medidas higiênico-sanitárias extremamente rigorosas para garantir a segurança dos nossos clientes, e isso também gerou um feedback muito positivo e certamente contribuiu para esse crescimento”, concluiu.

Sobrecarga do SUS

No caso do cenário nacional, se julho repetir o que ocorreu nos meses anteriores e outros 200 mil beneficiários desistirem dos convênios particulares, o resultado poderá acarretar uma possível sobrecarga da rede pública de saúde em várias unidades da Federação.

A confirmação desses números representaria uma queda histórica, considerando um período de apenas dois meses, segundo a própria Agência Nacional de Saúde. Na crise anterior do setor, causada pela então maior recessão registrada no país – entre 2015 a 2017 –, 3 milhões de beneficiários optaram por deixar ou perderam o direito de acesso aos planos de saúde por falta de pagamento.

Naquele período, a cada mês, em média, 83 mil pessoas foram desligadas dos convênios.

Em 2018, o balanço do setor registrou uma pequena estabilidade. Contudo, em 2019, houve uma perda de 60,4 mil clientes. O índice negativo sobre o número total de beneficiários acabou motivada pela redução dos chamados planos individuais.De acordo com dados da ANS, apenas em maio deste ano essa modalidade contava com 8,95 milhões de clientes, quase 1 milhão a menos que o mesmo período do ano passado. Já no caso das modalidades coletivas empresariais, o número de beneficiários também sofreu queda e registrou 31,609 milhões a menos de usuários – diferença de 61 mil pessoas em comparação com 2019.

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