Politica

Quadrilha liderada por Crivella usou crise como oportunidade para cobrar propina de empresas que deveriam receber da Prefeitura, diz MP

Sede da prefeitura do Rio na Cidade Nova, Centro da cidade — Foto: Reprodução
Por Gabriel Barreira, G1 Rio

Em 2018, a Prefeitura do Rio passou a ter dificuldades para pagar todos os fornecedores e tinha que escolher quais empresas seriam pagas. Segundo o Ministério Público, a crise foi vista como uma oportunidade: empresários de serviços não essenciais que pagavam propina seriam privilegiados na hora do pagamento, em detrimento de outras firmas.

A revelação foi feita em entrevista coletiva nesta terça-feira (22), pouco após a prisão de Crivella, pelo promotor do Ministério Público Carlos Eugênio Greco.

“A partir de 2017, especialmente em 2018, a Prefeitura do Rio enfrentou uma crise muito aguda, que foi lida como ‘oportunidade’ de receber valores espúrios. A partir do momento em que tinha, supondo, R$ 100 milhoes pra pagar e só R$ 70 milhões no caixa criava-se a necessidade de escolher quem pagar. Empresários que faziam serviços não essenciais recebiam os pagamentos mesmo nos momentos de crise e isso acontecia justamente por conta do pagamento de propina”, conclui.

O esquema movimentou pelo menos R$ 50 milhões, apesar da “situação de penúria” da administração municipal, nas palavras do subprocurador-geral Ricardo Ribeiro Martins.

Ele afirmou ainda que há indícios de que a “organização criminosa não se esgotaria” ao fim do mandato e, por isso, houve o pedido de prisão.

Publicidade