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Mandetta: Bolsonaro fez intervenção militar na Saúde e agora tem uma crise tripla

Bolsonaro e o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (Foto: Divulgação)

Ex-ministro, Mandetta disse que Bolsonaro teve uma “condução desastrosa” e que o “número de mortes fala por si”

Por Plinio Teodoro

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) voltou a criticar Jair Bolsonaro pela condução na pandemia e disse, em entrevista ao jornal O Globo neste sábado (26), que o presidente fez uma “intervenção militar” na pasta após a saída de Nelson Teich, que o substituiu.

 

“É impossível para um médico com base científica fazer política de governo, firmar uma recomendação, uma prescrição médica. Aí ele põe um militar para oferecer ordem. Faz uma intervenção militar na Saúde, mas um militar não tem a menor noção do que é Saúde. A gente passa a ter um governo federal que sai completamente do enfrentamento da Saúde e com o argumento de que o problema era de logística. Nunca foi, o problema era de Saúde pública, muito mais complexo do que carregar caixa para lá e para cá. E agora tem uma crise tripla, de prevenção, atendimento e vacina”, disse Mandetta, referindo-se à nomeação de Eduardo Pazuello para a pasta.

 

Indagado se houve algum acerto do governo no combate à pandemia, o ex-ministro disse que Bolsonaro teve uma “condução desastrosa” e que o “número de mortes fala por si”.

 

“O número de mortes fala por si. Ele (Bolsonaro) teve uma condução desastrosa. A desautorização do ministro em público, “manda quem pode e obedece quem tem juízo”; o “e daí?”; “não sou coveiro”; “gripezinha”; “está no final”. Está no final nada. Se teve alguma coisa digna de nota eu não saberia te citar”, afirmou.

 

Mandetta ainda criticou a insistência de Bolsonaro sobre o tratamento precoce com cloroquina e culpou o governo pelas 190 mil mortes pela Covid-19.

 

“Não tínhamos máscaras, não tínhamos capote, não tínhamos recursos. Quando deixei o ministério estávamos com cerca de mil óbitos. Eles implementaram essa política deles e estamos com 190 mil mortos, não vejo que isso tenha sido um elemento. Os números falam por si, se isso tivesse tido algum impacto na alteração da curva de mortes, há quanto tempo essa política está instalada? Quem acredita ainda hoje em cloroquina no tratamento precoce? Ninguém”.