Politica saúde

Bolsonaro, pato manco?

 

Jair Bolsonaro pretendia demitir Luiz Henrique Mandetta do Ministério da Saúde nesta segunda-feira e trocá-lo pelo deputado federal Osmar Terra, mas não conseguiu. Assim que as movimentações vieram à tona, começaram as pressões —de militares, da cúpula do Congresso e até do STF— para evitar que o mandatário concretizasse a exoneração do ministro, que é mais popular que o seu próprio chefe, segundo o Datafolha. A pressão mais intensa veio dos militares que ele mesmo escolheu como núcleo duro. Na noite de quinta-feira passada, quatro generais que trabalham no Planalto, um deles na ativa, se reuniram com Bolsonaro e pediram para ele não mexer em sua equipe, por enquanto. Após um dia inteiro de rumores, o próprio Mandetta apareceu ante a imprensa: “Vou continuar”.

A situação insólita na qual um presidente tem dificuldades para trocar sua própria equipe é vista pelo governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), como um sinal claro da perda de poder de Bolsonaro. “Seria falso dizer que seu Governo acabou em termos formais. Mas, em termos materiais, de poder, sim, porque ele objetivamente não dirige nem o Governo dele. Ele quer demitir Paulo Guedes e não pode, ele quer demitir Sergio Moro e não pode, ele quer demitir Mandetta e não pode. Que poder é esse?”, disse Dino em entrevista ao repórter Felipe Betim. O governador, que assinou manifesto pedindo a renúncia de Bolsonaro, diz que é preciso preparar um cenário pós-pandemia e diz que o presidente perdeu estatura para liderar o país na recuperação. Defende ainda que a esquerda se alie ao centro para influenciar na agenda imediata da crise, como fez na questão da renda mínima.