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Ao G20, Bolsonaro diz que assumirá compromissos com sustentabilidade

O mundo tem olhado para a agenda ambiental brasileira por causa das polêmicas em torno da administração das florestas tropicais

O presidente Jair Bolsonaro afirmou há pouco a chefes de Estado e de governo durante reunião de cúpula do grupo das 20 maiores economias do mundo (G20) que o Brasil vai assumir novos e maiores compromissos nas áreas do desenvolvimento e da sustentabilidade.

“Ao mesmo tempo em que buscamos maior abertura econômica, estamos cientes de que os acordos comerciais sofrem cada vez mais influência da agenda ambiental”, afirmou ele durante o encontro que ocorre neste fim de semana virtualmente por causa da pandemia de coronavírus.

O mundo tem olhado para a agenda ambiental brasileira por causa das polêmicas em torno da administração das florestas tropicais, em especial da Amazônia. Alguns investidores internacionais já alertaram o Palácio do Planalto sobre a necessidade de ampliar a proteção ambiental feita no País sob o custo de tirarem seus recursos do território nacional. Algumas cadeias varejistas gigantes, principalmente da Europa, também têm condicionado a continuidade das compras de produtos domésticos a certificações de origem das matérias-primas.

A discussão do G20 sobre sustentabilidade ocorre no evento paralelo organizado pela presidência da Arábia Saudita “Salvaguardando o planeta: a abordagem CCE”, sigla em inglês para economia circular do carbono. O encontro é fechado à imprensa, mas sete líderes do grupo gravaram depoimentos sobre a área que já foram divulgados pelo G20.

“O Brasil é um país resiliente. Queremos um futuro de desenvolvimento sustentável e repleto de oportunidades para a nossa população”, disse Bolsonaro. Ele afirmou que seu governo tem promovido a abertura da economia, com vistas a uma maior integração do Brasil aos fluxos de comércio e investimento mundiais. Para o presidente, são demonstrações do empenho os acordos comerciais negociados pelo Mercosul com a União Europeia e a Associação Europeia de Livre Comércio, a EFTA.

Bolsonaro também mencionou o início das tratativas com a Coreia do Sul e com o Canadá e os acordos firmados entre o Brasil e Estados Unidos sobre facilitação do comércio, boas práticas regulatórias e combate à corrupção. “Estamos construindo um País aberto para o mundo, disposto, não apenas a buscar novos acordos comerciais, mas também a assumir novos e maiores compromissos nas áreas do desenvolvimento e da sustentabilidade.”

Revolução agrícola no Brasil foi realizada usando 8% das terras, diz Bolsonaro

Bolsonaro disse ao grupo das 20 maiores economias do mundo (G20) que iria apresentar a “realidade dos fatos” sobre os dados ligados ao meio ambiente no País. Ele aproveitou o evento paralelo organizado pela presidência da Arábia Saudita sobre o tema para apresentar dados do Planalto.

Os demais líderes do G20 ouviram do presidente brasileiro que, nos últimos 40 anos, o País passou da condição de importador de alimentos para o patamar de um dos maiores exportadores agrícolas do mundo. Esse processo de transformação da agricultura nacional, de acordo com ele, resulta de décadas de inovação e desenvolvimento, incorporando grandes ganhos tecnológicos em eficiência e produtividade. “Hoje, nosso País exporta volume imenso de produtos agrícolas e pecuários sustentáveis e de qualidade. Alimentamos quase um bilhão e meio de pessoas e garantimos a segurança alimentar de diversos países”, citou.

Bolsonaro também ressaltou que essa “verdadeira revolução agrícola” no Brasil foi realizada utilizando apenas 8% das terras domésticas. “Por isso, mais de 60% de nosso território ainda se encontra preservado com vegetação nativa”, enfatizou. E disse ainda que, durante os “desafiadores meses da pandemia”, a agropecuária brasileira se manteve ativa e crescentemente produtiva. “Honramos todos os nossos contratos”, reforçou.

As preocupações em relação ao desmatamento no Brasil têm sido argumentos para que um acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia (UE) progrida. Há 20 anos em discussão, finalmente as partes chegaram a um consenso no ano passado, mas o documento precisa ser ratificado pelos 27 membros da UE e também os do Mercosul. A França tem sido um dos principais obstáculos ao tratado. “Tenho orgulho de apresentar esses números e reafirmar que trabalharemos sempre para manter esse elevado nível de preservação, bem como para repelir ataques injustificados proferidos por nações menos competitivas e menos sustentáveis”, afirmou durante o encontro virtual.

O governo brasileiro vem sendo muito criticado por sua atuação em relação ao meio ambiente, mas Brasília acredita que as informações é que chegam equivocadas no exterior. Como vem registrando o Broadcast, o Itamaraty pediu a seus embaixadores e demais diplomatas no exterior que tivessem uma postura mais proativa em relação à imprensa internacional, para passar aos veículos de comunicação dados oficiais.

Estadão Conteúdo