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Policiamento montado é parte estratégica na segurança pública

Os mais de 200 cavalos que trabalham nos Regimentos de Polícia Montada da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) são parte estratégica na segurança pública da cidade. Em parceria com os policiais, os bichos atuam tanto no policiamento rotineiro quanto em operações de choque.

No 1º Regimento de Polícia Montada, que prepara equipes para patrulhar as regiões administrativas, o dia começa com a lavagem dos animais. Depois, eles recebem as selas. Todo o processo é feito pelos policiais militares.

Há três anos, essa é parte da rotina de Xaxado e do soldado Wanderson da Silva Teixeira, de 34 anos. Juntos, eles patrulharam diferentes regiões do DF, como o Sudoeste e o Setor Habitacional Sol Nascente, em Ceilândia.

A escala é a mesma para oficiais e cavalos: 12 horas de trabalho e 36 horas de descanso. Se o local de atuação fica a mais de 6 quilômetros, os equinos são transportados por caminhão ou carreta. Senão, os policiais já saem montados do regimento.

“O cavalo de policiamento é um atleta. Ele deve ter nutrição balanceada e treinos determinados”Soldado Wanderson da Silva Teixeira, do 1º Regimento de Polícia Montada do DF

A cavalaria oferece vantagens para policiamento e controle de multidão, já que consegue trafegar com facilidade em áreas que pessoas e carros têm dificuldades, como becos, ruas estreitas e terrenos de lama.

Para isso, a corporação foca em condicionamento físico. “O cavalo de policiamento é um atleta. Ele deve ter nutrição balanceada e treinos determinados”, explica Teixeira. Em dia de folga, eles são soltos em espaços livres do regimento para que possam gastar energia.

A principal comida é uma ração de proteína e carboidrato. Apesar de os animais serem herbívoros, a proteína animal é adicionada na dieta para dar a força necessária à carga que eles devem sustentar no trabalho.

Seis quilos de ração são servidos diariamente a cada um. A porção é a mesma para os que estão de folga, aposentados, em serviço e em treinamento. Além disso, eles comem capim e alfafa livremente.

Ao fim do expediente, as selas são removidas para que eles recebam um banho de ducha e sejam escovados. Os próprios policiais cuidam de todos os detalhes — desde a higiene dos bichos ao retorno para as baias.

Teixeira, por exemplo, visita Xaxado até nos fins de semana. “Fico preocupado e vou olhar se tem alguma coisa no espaço mole entre a ferradura e a pata, porque pode machucar. A única coisa que não fazemos é alimentar, porque eles têm horários e quantidades específicos.”

Enquanto lavam e cuidam dos animais, os policiais verificam se sofreram algum ferimento e se precisam ser levados para o Centro de Medicina Veterinária da Polícia Militar do DF.

Cuidados veterinários vão de ataduras a cirurgias

Os atendimentos no centro veterinário são separados de acordo com os tratamentos. Feridas menores são cuidadas pela equipe auxiliar, que acompanha as melhorias diariamente e renova os curativos.

Cerca de 30 cavalos passam por dia pelo Centro de Medicina Veterinária da PMDF para trocas de bandagens e de ferraduras. Foto: Andre Borges/Agência Brasília. 3/1/2018

Nos casos mais sérios, o centro cirúrgico é acionado. As intervenções mais comuns são por cólicas intestinais e envolvem cirurgias consideradas invasivas, pois expõem intestinos a possíveis infecções.

“É como o apêndice no humano. Se não cuidar logo, pode levar à morte”, explica o major Renato Fonseca Ferreira II, chefe da unidade.

Se precisarem de cirurgia, os cavalos são levados para uma câmara escura e com vedação acústica — esses cuidados são para evitar estímulos sensoriais que os assustem.

As paredes e o chão são amortecidos para que eles não se machuquem durante o processo de anestesia geral. Depois, uma grua os levanta pelas patas e os leva para uma mesa de cirurgia especial.

Cerca de 30 cavalos passam por dia pelo Centro de Medicina Veterinária da PMDF para trocas de bandagens e de ferraduras. Para os processos cirúrgicos, a média é de uma intervenção por mês.

Depois de aposentados, por volta dos 20 anos, os animais são soltos no primeiro regimento e recebem cuidados médicos. Não participam mais de treinamentos e têm total liberdade para circular no espaço.

Reforço importante na segurança pública

Os equinos da Polícia Montada do DF têm funções diferentes. “Alguns são usados em grupos de policiamento ordinário e outros para operações de choque”, diferencia o comandante do Comando de Policiamento Montado da PMDF, coronel Fernando d’Austria e Caravellas Filho.

935Ocorrências atendidas pelo Comando de Policiamento Montado do Distrito Federal em 2018

O 1º Regimento de Polícia Montada, no Riacho Fundo I, reúne a maior parte dos animais e atua no patrulhamento de regiões administrativas.

No Parque da Cidade, próximo ao Pavilhão de Exposições, fica o 2º Regimento de Polícia Montada, responsável por policiar a área do parque urbano e de espaços do centro do Plano Piloto, além das operações de choque montado.

Todos os cavalos são da raça chamada brasileiro de hipismo, criada no País por meio da mistura de espécies europeias. A escolha é porque eles são dóceis e fortes para aguentar as situações do policiamento, o que contribui para o controle da cavalaria.

“O cavalo tem a força média de 5 a 6 homens e pesa 500 quilos”, compara o comandante. Segundo ele, o comando atendeu, em 2018, 935 ocorrências.

Entre as ações e os resultados estão:

  • 776 pessoas detidas
  • 499 detenções por uso e porte de drogas
  • 433 notificações de trânsito
  • 198 mandados de prisão
  • 27 operações em ocupação irregular de área pública

Treinamento básico é o mesmo para todos

treinamento básico é o mesmo nos dois regimentos. No entanto, ele é mais regular no grupamento de choque montado. “Porque eles agem diretamente em distúrbios, com bombas, gás, bandeiras, multidão”, detalha o comandante.

Fonte: Agência Brasília

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