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Em dois anos, 43 km de novos canais de irrigação garantem sustentabilidade

Recuperação de canais de irrigação evitam a perda de até 50% de água por evaporação ou infiltração| Foto: Divulgação/Emater-DF

É mais água para a agricultura e para o abastecimento das cidades. GDF ainda trabalha na reforma de mais 18 km de tubulação em áreas rurais

A revitalização dos canais de irrigação de núcleos rurais, que vem sendo realizada pelo Governo do Distrito Federal nos últimos dois anos, tem apresentando resultados positivos em pelo menos duas áreas: na produção agropecuária e, na gestão mais eficiente e sustentável da água. Em algumas regiões, após 20 anos de espera, a plantação deve ser ampliada em até 100 hectares. Em outros, a economia com as perdas por infiltração é suficiente para abastecer 100 mil pessoas – o equivalente à população de Sobradinho II ou à de São Sebastião.

 

“Essa água canalizada vai dar para atender 100% dos produtores e ainda vai voltar para o lago onde se capta água para o consumo humano”Cândido Teles, secretário de Agricultura

Idealizados para viabilizar o desenvolvimento rural da capital, os canais de irrigação levam água para o campo e tornam possível a alta produtividade agrícola no Distrito Federal. Ao todo, o DF possui 63 canais com cerca de 230 km de extensão, que beneficiam diretamente mais de mil produtores rurais. Pensando em uma agricultura cada vez mais sustentável, o GDF recuperou, entre 2019 e 2020, 43 km de canais e ramificações. Neste ano, estão previstos mais 18 km de obras de tubulação de canais.

 

43 kmde canais e ramificações já recuperados

A recuperação, que elimina até 50% de perdas de água por evaporação ou infiltração, representa segurança na produção para os agricultores. Para a cidade, o benefício é duplo, além de alimentos frescos produzidos aqui mesmo no DF, a revitalização é garantia de mais água para os cidadãos das áreas urbanas. Com a revitalização do Canal do Rodeador, por exemplo, é esperada uma economia de 150 a 170 litros por segundo. O canal é um dos maiores do DF, com 33 km de extensão.

 

“O canal do Rodeador é um exemplo clássico de economia que beneficiará também a cidade. Se a gente fizer uma análise de economia, essa água economizada é suficiente para abastecer uma cidade com até 100 mil habitantes”, ressaltou o assessor técnico da Emater-DF Edvan Ribeiro, que acompanha de perto todas as obras que estão sendo realizadas nos canais.

A revitalização do trecho foi anunciada no início de fevereiro deste ano e será possível por meio de parceria firmada entre o GDF e o Governo Federal, por meio da Secretaria de Agricultura (Seagri) e da Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco). O projeto, que também conta com parceria da Emater-DF, vai beneficiar cerca de 100 famílias que vivem da produção de hortaliças e frutas diversas na região. Na recuperação dos canais, a Emater executa os trabalhos de topografia, hidráulica e toda a parte técnica das obras.

“Em Brasília, nós temos água com regularidade durante seis meses por ano. Nos outros seis meses, os produtores têm que buscar água de alguma outra fonte. Além de viabilizar a produção, o sistema de canais de irrigação ainda reduz custos, porque a água vai por gravidade. Se não fossem os canais, provavelmente as pessoas teriam que recorrer a poços artesianos, que têm maior impacto ambiental e custo bem mais elevado”, ressalta Edvan Ribeiro.

“Quando a gente faz o revestimento, a água passa pela tubulação e elimina essas perdas. A distribuição da água entre os usuários também melhora bastante, porque as caixas de distribuição passam a ser padronizadas”, explica o técnico. Atualmente, as revitalizações são realizadas pela Secretaria de Agricultura, pela Emater-DF, órgãos parceiros e participação ativa dos produtores rurais. Os recursos são destinações de emendas parlamentares.

Para a presidente da Emater-DF, Denise Fonseca, a revitalização traz benefícios para todo o DF, não apenas para a área rural.

“A água é o insumo primordial para a agricultura. Com essas revitalizações, além da agricultura, também ganha a cidade, que tem sua demanda de água aumentada com a economia do campo e ainda conta com alimentos de qualidade produzidos por pequenos produtores da nossa região”Denise Fonseca, presidente da Emater-DF

 

O Secretário de Agricultura, Candido Teles, destaca a importância do trabalho conjunto. “Por meio de recursos da Codevasf [Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba] e de outros parceiros, e da integração da Emater, nós estamos crescendo muito nessa atividade. Isso é bom para todos, inclusive para quem mora na área urbana. Essa água canalizada vai dar para atender 100% dos produtores e ainda vai voltar para o lago onde se capta água para o consumo humano”, apontou. “Nós acreditamos que ainda vamos avançar muito nessa área de canalização, para que o produtor tenha a garantia de ter água o ano inteiro para produzir.”

20 anos sem água

Os canais foram feitos em sua maioria de forma tradicional, escavado, a céu aberto. Com o tempo, essas estruturas foram se degradando e naturalmente aumentando as taxas de infiltração, causando perdas significativas de até 50%. Nesse sistema antigo, entre os principais problemas também estão a contaminação química e biológica, com animais mortos sobre os canais, além da dificuldade de controlar o mato nos arredores e também a divisão da água entre os produtores.

Em Tabatinga, núcleo rural de Planaltina, o canal de irrigação tem 9 km de extensão e está na terceira etapa da revitalização. Segundo o produtor Eduardo Gonçalves de Azevedo, 51 anos, na região há propriedades que estavam há décadas sem abastecimento de água.

“Esse canal é de uma importância vital. Nós temos esse canal há 40 anos. Aqui tem chácara que já estava há mais de 20 anos sem receber água. Sem esse canal a gente estava à deriva, sem água. Para quem não tinha água hoje eu tenho dois tanques de peixe”, comemora.

Azevedo está há 15 anos em Tabatinga e é vice-presidente da associação de produtores locais. Ele, que é um dos responsáveis por coordenar o trabalho realizado no canal, estima um crescimento de 100 hectares em área de produção na região, com a revitalização. “Todos os canais do DF estavam precisando desse trabalho e esse governo priorizou esse trabalho. A satisfação dos produtores é muito grande. Em Vargem Bonita, por exemplo, tinha produtor que só tinha recebido água na inauguração. Agora a água está chegando para todos”, conta Emirton de Araújo Carvalho, técnico da Emater-DF, que realiza o trabalho topográfico nos canais.

Na comunidade rural do Rio Preto, a revitalização de parte do canal e reconstrução da barragem da região, que se rompeu em 2017, levou água aos produtores rurais, que não tinham como irrigar sua produção. O presidente da Cooperativa de Agricultura Familiar Mista do DF (Coopermista), Ivan Engler, ressalta importância do canal e da barragem: “Só quem sabe o que é passar sede na vida sabe como é difícil ter um litro de água e não saber se dá para o pé de alface, para a galinha ou se toma banho. Então, esses produtores, que dependem da produção diária de hortaliças para manter suas famílias, estavam muito afetados.”

Com a obra, o agricultor Aroldo Rodrigues, 48 anos, que estava trabalhando como motorista de ônibus para sustentar a família, ganhou novo alento. “Antes dessa barragem romper, a gente plantava era tudo, mas rompeu e a gente ficou sem recurso para o plantio. Sem água era impossível ficar aqui. Hoje, com água para plantar, a gente já pensa em voltar à ativa de novo.”

Canais revitalizados

Com a reforma do Canal do Rodeador, será economizada água suficiente para abastecer 100 mil habitantes | Foto: Divulgação/Emater-DF

Em 2019, foram 24 km de canais revitalizados em áreas rurais de Santos Dumont, Tabatinga, Buriti Vermelho I, Lamarão, Rodeador e Capão Comprido (Ramal II). Em 2020, devido à pandemia, mesmo com a execução comprometida, foram 19 km recuperados no Capão Comprido (RamalI), Granja do Ipê, Santos Dumont, Canal das 90 e em Vargem Bonita.

*Com informações da EMATER-DF

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Joao Victor Martins

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