Vandalismo destrói, aos poucos, Parque da Cidade

Maior parque urbano do continente, o Parque da Cidade Sarah Kubitschek foi alvo de quase 500 ações de vandalismo nos últimos três anos. Os principais alvos de maldade ou mau uso são as torneiras de plástico das churrasqueiras, que precisaram ser trocadas ou repostas 150 vezes, e as descargas dos sanitários, reparadas 60 vezes. Segundo o governo, a prática recorrente compromete a manutenção e investimento de recursos no local, que deve ter a gestão concedida à iniciativa privada.

As áreas que mais sofrem com o vandalismo são os banheiros, as churrasqueiras e os bebedouros mais próximos do Estacionamento 7, onde ficam as quadras esportivas e a piscina de ondas desativada. Ali, onde o fluxo de visitantes é tímido, moradores de rua encontram abrigo e tomam conta de equipamentos inutilizados. Alguns banheiros são mantidos fechados por precaução. Roupas, lixo, tênis e até enfeites são encontrados. Em uma árvore, mais de 20 sapatos estão pendurados pelos cadarços.

“Esses atos acabam custando muito para o Estado, um dinheiro que poderia ser revertido em melhorias. Boa parte dos recursos precisa ser reinvestida para reconstruir ou reparar algo danificado por um mau usuário ou por pessoas que têm a intenção de vandalizar”, revela Jaime Recena, secretário de Esporte, Turismo e Lazer.

O parque faz parte de um contrato de manutenção do GDF. “O Estado é sustentado pelos impostos do cidadão, então uma torneira que seja sairá do bolso do brasiliense. O público é de todos”, valoriza o secretário. Além do recurso oficial, Recena afirma que são utilizadas doações de “parceiros” e até mesmo vaquinhas feitas pelos funcionários em prol de uma revitalização, como ocorreu no bebedouro do Quiosque do Atleta.

Os 56 vigilantes, divididos em 14 equipes, atuam 24 horas por dia, mas não conseguem conter os atos. Com a greve da categoria, desde ontem, o serviço ficou prejudicado e banheiros foram fechados.

Ontem, o JBr. encontrou três bebedouros sem esguichos e a estrutura para um chuveiro vazia. Tanto o equipamento quanto o registro que ficam na parede com azulejos de Athos Bulcão foram furtados e não há condições de uso. O administrador do parque, Alexandro Ribeiro, diz receber relatórios diários. “Após a identificação do problema, é feita uma avaliação. Se não precisar de reposição de material, a recuperação é iniciada o quanto antes. Quando há necessidade de compra, precisamos abrir chamado para a empresa responsável, que verifica o problema e faz a pesquisa de preços e a recuperação”, explica.

Frequentadores lamentam a situação

A aposentada Elizete Fiorese, 54 anos, tentou usar o bebedouro danificado na manhã de ontem. “Muita gente não cuida do que é público, o que é um erro. Eu, justamente porque uso, se puder conservar o máximo possível, farei”, opina.

O aposentado Eduardo Sammarco, 60 anos, é frequentador antigo do parque. Ele percebe o vandalismo, inclusive no bebedouro do Estacionamento 7, “mas não exageradamente”. Ao lembrar que há muito morador de rua que vive no parque e criminosos que usam o local como rota de fuga, o homem sente falta de uma gestão participativa.

“Aplicam recursos em coisas desnecessárias enquanto o que precisa é abandonado. Não há necessidade de dois seguranças por banheiro, enquanto tem um buraco na churrasqueira que pode machucar uma criança”, compara.

O governo já iniciou os estudos para uma parceria público-privada no Parque da Cidade. O espaço recebe, em média, 14 mil pessoas de segunda a sexta-feira, e 37 mil aos fins de semana. Em eventos especiais, o público sobe para 80 mil. O chamamento público encerrou em janeiro e o projeto está em andamento na Secretaria de Fazenda. Uma empresa deve assumir os custos, encargos e gestão de rendimentos que o parque tenha em função de serviços prestados.

Fonte: Jornal de Brasília

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