UnB é a única do país a ter programa de mestrado para povos tradicionais

A Universidade de Brasília (UnB), que completa 55 anos em 21 de abril, é a única do país a ter um programa de mestrado para povos tradicionais. Em seus quatro anos de funcionamento, o projeto atendeu mais de 70 indígenas, quilombolas, raizeiros, entre outros. Alguns já estão cursando o doutorado. A ideia inovadora começa a ser copiada por instituições estrangeiras de ensino superior.

O mestrado profissional em sustentabilidade junto a povos e territórios tradicionais (Mespt) é obra de pesquisadores como a antropóloga Mônica Nogueira. A doutora de 44 anos tem a vida acadêmica toda atrelada à UnB, onde se graduou em ciências sociais com habilitação em antropologia, fez mestrado em desenvolvimento sustentável e doutorado em antropologia.
Com mais da metade da vida dedicada a estudos sobre o meio ambiente, os povos indígenas e as comunidades tradicionais do cerrado, ela tem o Mespt como sua maior conquista profissional. “Trazer esses povos para a pós-graduação é uma grande satisfação. Esses estudantes formam turmas multiétnicas. Mas cada um defende uma tese voltada à sua realidade”, explica.

As disciplinas que constituem a matriz curricular do Mespt combinam conhecimentos de diferentes áreas do campo científico, como antropologia, direito, educação, engenharia agronômica, engenharia florestal, geografia, geologia, história, sociologia. Seminários são realizados para integrar disciplinas, professores e estudantes, ao lado das atividades de campo e os projetos de pesquisa e extensão associados ao curso.

Espaço de discussão
Nascida em João Pessoa (PB), Mônica se mudou com os pais para Brasília quando tinha 1 ano. “Por isso, eu me considero uma candanga legítima”, ressalta. Antes de se dedicar aos povos tradicionais do cerrado, ela começou um curso de artes na UnB. “Mas eu queria um espaço de discussão, e não o encontrei ali”, conta. Por influência de uma amiga, percebeu que o que procurava poderia estar na antropologia.
A antropologia entrou de vez na vida de Mônica, em 1991, quando ela ingressou na graduação. No entanto, após se formar, deixou a universidade. “Fiz o caminho inverso da maioria dos professores. Primeiro, atuei na sociedade civil, fazendo pesquisas e assessorias para iniciativas socioambientais”, explica. Ela retomou a vida acadêmica há sete anos, quando se tornou professora da UnB.

Lotada no câmpus de Planaltina, local onde os cursos são destinados ao cerrado e ao campo, ela começou a colocar em prática o plano de trazer os povos tradicionais para o universo acadêmico. A partir de então, passou a trabalhar com indígenas, quilombolas, raizeiras, quebradeiras de coco, entre outros. Levou a UnB às terras dessa gente, ao mesmo tempo em que a trouxe para o câmpus.
Conhecimento

O mestrado visa a formação de profissionais para o desenvolvimento de pesquisas e intervenções sociais. Os alunos trocam conhecimentos, por meio do diálogo de saberes (científicos e tradicionais), voltados ao exercício de direitos, do fortalecimento de processos autogestionários da vida, do território e do meio ambiente, da valorização da sociobiodiversidade e salvaguarda do patrimônio cultural (material e imaterial) de povos indígenas, quilombolas e demais comunidades tradicionais.

40
estudantes indígenas estão matriculados em sete cursos de graduação da UnB
20
alunos estão presentes em três programas da pós-graduação da universidade

20
povos das cinco regiões do Brasil que estão representados na instituição brasiliense

Fonte: Correio braziliense

 

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