População em situação de rua ganha casa no Sol Nascente

Há quase um mês, o funcionário do projeto Social Cuidando da Vida, Adélcio Silva Santos, 41, vê o pôr do sol sentado na porta de seu apartamento e, toda vez, se emociona ao lembrar de tudo que viveu até chegar ali. Foram anos dormindo sob marquises, em calçadas ou qualquer lugar que parecesse seguro para uma pessoa em situação de rua. Ele foi uma das 12 famílias que receberam a oportunidade de ter um endereço e, enfim, um lar para se esquentar numa noite fria. Para ele, isso foi uma forma de deixar de ser “invisível”.

O projeto piloto no Distrito Federal é encabeçado pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional (Codhab) e foi a forma encontrada para atender ao Decreto 35.191/ 2014. O GDF tem obrigação de fornecer uma cota de 20% das casas construídas para pessoas em situação de vulnerabilidade. Até então, aquelas em situação de rua não haviam entrado nesse montante.

O presidente da Codhab, Gilson Paranhos, explica que, para obedecer a norma do próprio Executivo, a companhia iniciou os estudos. O local foi escolhido e a construção do prédio levou quatro meses.

O desafio seguinte foi escolher os beneficiados. Paranhos salienta que havia a preocupação de colocar pessoas que já eram acompanhadas de alguma forma pelo governo, para evitar que abandonassem o projeto. Ao todo, 120 pessoas que não apresentavam impedimentos, como vícios, e recebiam o aluguel social – auxílio temporário – foram escolhidas. Dessas, apenas 47 apresentaram a documentação necessária e foram habilitadas.

Por fim, apesar de apenas 12 participarem do projeto piloto, as outras 35 habilitadas devem receber as quitinetes de 30 m² assim que mais prédios forem erguidos.

Adélcio Silva Santos Ceilândia. Foto: Kléber Lima/Jornal de Brasila

Até as contas dão alegria

A animação de Adélcio Silva com o novo lar é tanta que, diferentemente da maioria dos cidadãos, ele fica feliz quando chega uma cobrança pelos Correios – isso comprova que ele não é mais um homem sem CEP. “Moro na Quadra 105, Trecho II, do Sol Nascente. Sei que posso convidar minha família para me visitar. Agora é diferente”, comemora.
Na época da rua, Adélcio se sentia invisível perante todos. A situação piorava quando ele lembrava o que era o aconchego de um lar. O homem morava com os três filhos e a mulher em Santa Maria, antes de começar a usar drogas.

Foram dez anos para conseguir parar. Assim, desde 2013, o objetivo dele não é mais uma pedra de crack para se aquecer e esquecer da fome, mas reerguer a vida. E ele conseguiu. Ao procurar o Centro Pop, serviço do governo que dá assistência a pessoas em situação de rua e com vícios, ele foi recebido com um abraço e se sentiu, pela primeira vez em muitos anos, “um ser humano de novo”.

De lá para cá, ele já trabalhou na revista Traços e, atualmente, auxilia na abordagem de pessoas que viviam da mesma forma que ele. Adélcio acredita que o projeto, no futuro, conseguirá atender outras pessoas. Aqueles que ganharam a quitinete no Sol Nascente ficam isentos de pagar IPTU, mas pagam luz e água. Se a pessoa abandonar o local ou interromper o acompanhamento, ela perde o benefício.

Fonte: JBr

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