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BBC 100 Women: quem está na lista de mulheres inspiradoras e influentes de 2020?

 

A BBC apresenta a sua lista anual de 100 mulheres inspiradoras e influentes de todo o mundo.

Em 2020, o projeto BBC 100 Women destaca mulheres que estão liderando mudanças e fazendo a diferença nesses tempos conturbados de pandemia de coronavírus, crise econômica, avanço da fome e mudanças climáticas.

Duas brasileiras estão entre as eleitas: Cibely Racy, professora pioneira no ensino da igualdade racial, e Lea T, modelo transexual.

A lista inclui ainda, por exemplo, Sanna Marin, a primeira-ministra mais jovem do mundo. Marin está à frente de uma coalizão governamental liderada por mulheres na Finlândia, Jane Fonda, atriz e ativista do clima, e Sarah Gilbert, que lidera o desenvolvimento de uma promissora vacina na Universidade de Oxford contra o novo coronavírus.

Uma escritora que documentou a vida em Wuhan durante os rígidos confinamentos no início da pandemia, e uma cantora e compositora que fala sobre a violência contra as mulheres são outros exemplos de mulheres que estão transformando suas experiências pessoais mais profundas em plataforma para mudanças.

Em um ano extraordinário — quando diversas mulheres ao redor do mundo fizeram sacrifícios para ajudar outras pessoas — um nome na lista das 100 mulheres foi deixado em branco como reconhecimento daquelas que perderam suas vidas tentando fazer a diferença.

Como a BBC 100 Women não pode nomear todas as mulheres do mundo que deram uma contribuição, esse espaço foi pensado para permitir que você lembre daquelas mulheres que impactaram a sua vida ao longo de 2020.

E como foram escolhidas as 100 mulheres?

As integrantes do BBC 100 Women elaboraram uma lista com base em nomes identificados pela própria equipe e sugeridos pela rede de equipes de idiomas do Serviço Mundial da BBC.

Foram procuradas candidatas que chegaram às manchetes ou influenciaram fatos importantes nos últimos 12 meses, assim como aquelas que têm histórias inspiradoras para contar, conquistaram algo significativo ou influenciaram suas sociedades de maneiras que não necessariamente viraram notícia.

O conjunto de nomes foi então avaliado em relação ao tema deste ano — mulheres que lideraram a mudança — e pesado quanto à representação regional e a devida imparcialidade, antes que os 99 nomes fossem finalmente escolhidos.

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Mulheres escolhidas para o 100 Women 2020

1. Loza Abera Geinore – Jogadora de futebol, Etiópia

Twitter: @LozaAbera

Nascida e criada em uma pequena cidade no sul da Etiópia, Loza jogou pelo Awassa City no principal campeonato de futebol feminino da Inglaterra por duas temporadas, período em que se tornou artilheira do time. Ela também se tornou jogadora da seleção feminina da Etiópia.

“Qualquer mulher no mundo pode alcançar tudo o que sonhou ou planejou fazer, independentemente das situações que enfrenta.”

2. Houda Abouz – Rapper, Marrocos

Instagram: @khtek.17

Conhecida também como Khtek, Houda Abouz é uma rapper marroquina celebrada por suas letras e seu estilo singular. A cantora, que considera sua música uma ferramenta para a mudança, defende os direitos das mulheres e a igualdade de gênero em uma indústria amplamente dominada pelos homens.

“Continue criando, lutando e resistindo; nunca volte atrás. Nossa luta apenas começou e temos tudo o que o mundo em que vivemos precisa: o poder feminino.”

3. Christina Adane – Ativista, Holanda

Instagram: @christina.adane

Christina Adane está por trás de uma enorme campanha por merenda gratuita durante o recesso escolar no Reino Unido — um benefício que a própria recebeu. A ação ganhou projeção com o apoio do jogador de futebol Marcus Rashford, do Manchester United. Christina atua como copresidente do conselho jovem da Bite Back 2030, campanha contra injustiças na indústria alimentícia, e tenta garantir que nenhuma criança no país passe fome.

“Nunca comprometa suas crenças ou quem você é. Nenhuma mulher fez mudanças misturada numa multidão.”

4. Yvonne Aki-Sawyerr – Prefeita, Serra Leoa

Twitter: @yakisawyerr

A prefeita de Freetown, Yvonne Aki-Sawyerr OBE (título concedido pela realeza britânica), é mais conhecida por seu projeto Transforme Freetown, que engloba 11 setores — da preservação ambiental ao suporte para políticas que reduzam o desemprego juvenil. Num ano em que inundações e incêndios atingiram milhares de pessoas pelo mundo, a prefeita inspirou os moradores da cidade a aderirem a sua campanha para plantar 1 milhão de árvores em dois anos. #FreetownTheTreeTown foi lançada em janeiro de 2020 sem verba assegurada. Dez meses depois, mais de 450 mil mudas foram plantadas — o restante ficou para a próxima estação chuvosa. As árvores são essenciais para enfrentar inundações, erosão do solo e escassez de água.

“Nós provavelmente nos sentimos frustradas e insatisfeitas. Isso não precisa continuar sendo negativo. Podemos transformá-lo em algo positivo, permitindo que nossa insatisfação dê origem à mudança que queremos ver.”

5. Sarah Al-Amiri – Ministra para Tecnologias Avançadas, Emirados Árabes Unidos

Twitter: @SarahAmiri1

Sua Excelência Sarah Al-Amiri é ministra para Tecnologias Avançadas dos Emirados Árabes Unidos (UAE) e presidente na agência espacial nacional. Antes de assumir esses cargos, esteve à frente de uma missão não tripulada dos UAE para Marte, a primeira interplanetária de um país árabe.

“O coronavírus exigiu que o mundo ficasse em absoluto repouso, no qual refletimos e crescemos como indivíduos. Precisamos fazer um esforço coletivo para continuar crescendo e garantir a sustentabilidade de nosso frágil planeta.”

Mulheres escolhidas para o 100 Women 2020

6. Waad Al-Kateab – Cineasta, Síria

Twitter: @waadalkateab

Waad Al-Kateab, que também atua como jornalista e ativista, recebeu vários prêmios (incluindo um Emmy) por suas reportagens em Aleppo. Em 2020, seu primeiro longa, “Para Sama”, ganhou o prêmio Bafta de melhor documentário e foi indicado ao Oscar na mesma categoria. Agora ela mora com o marido e as duas filhas em Londres, onde trabalha no Channel 4 News e lidera uma campanha para ajudar as pessoas afetadas pelos conflitos na Síria.

“Nós só perdemos quando abrimos mão da esperança. A todas as mulheres, não importa onde estejam: continue a lutar por aquilo que acredita, ou se continuar sonhando e, acima de tudo, nunca, jamais desista da esperança.”

7. Adriana Albini – Patologista, Itália

Twitter: @adrianaalbini1

Adriana Albini é professora de patologia da Universidade de Milano Bicocca e chefe do Laboratório de Biologia Vascular e Angiogênese do IRCCS MultiMedica e da Fundação MultiMedica. Ela é a primeira italiana eleita para o conselho de diretores da Associação Americana para a Pesquisa do Câncer. E, como presidente do Top Italian Women Scientists Club da Fundação Observatório Nacional de Saúde da Mulher, está engajada na promoção de outras pesquisadoras. Além disso, Adriana também é campeã de esgrima, ganhando o bronze na Copa do Mundo de Veteranos de 2018 e a medalha de prata em 2015 no Torneio Europeu de Esgrima de Veteranos.

“Pesquisadoras começam suas carreiras seguindo um caminho; cientistas constroem um caminho onde a estrada pavimentada parece ter acabado. As mulheres cientistas, com sua natureza multitarefa, devem encontrar novos caminhos onde ninguém está olhando.”

8. Ubah Ali – Educadora sobre Mutilação Genital Feminina, Somalilândia

Twitter: @Ubah_Alii

Ubah Ali é cofundadora da Solace for Somaliland Girls, entidade que busca erradicar por meio da educação todas as formas de mutilação genital feminina em comunidades da Somalilândia. Estudante na Universidade Americana de Beirute, ela também defende os direitos dos trabalhadores migrantes no Líbano.

“O mundo mudou muito em 2020. Há um chamado urgente pela união das mulheres em todo o mundo — muitas sofrem violência doméstica, estupro, mutilação genital feminina e muito mais. Juntas, as mulheres podem exigir justiça.”

9. Nisreen Alwan – Especialista em saúde pública, Iraque e Reino Unido

Twitter: @dr2nisreenalwan

Nisreen Alwan é médica e pesquisadora de saúde pública no Reino Unido onde estuda a saúde e o bem-estar de mulheres e crianças, com foco na gravidez. Durante a pandemia de covid-19, aumentou a conscientização sobre a necessidade dos países medirem e abordarem não apenas a mortalidade mas também os problemas de saúde de longo prazo causados pelo coronavírus (a chamada “covid persistente”).

“Durante 2020, eu fiz mais três coisas: falar o que penso, fazer o que temo e me perdoar. Eu também fiz menos três coisas: me importar com o que os outros pensam de mim, me culpar e acreditar que sou menos do que os outros.”

10. Elizabeth Anionwu – Enfermeira, Reino Unido

Twitter: @EAnionwu

Dame Elizabeth Anionwu é professora emérita de enfermagem na Universidade West London e patrona da Sociedade de Anemia Falciforme do Reino Unido. É uma enfermeira pioneira na área de células falciformes e talassemia que fez campanha pela estátua em homenagem à enfermeira anglo-jamaicana Mary Seacole. Elizabeth tem sido figura-chave no debate sobre impacto desproporcional da covid-19 em minorias (negros, asiáticos e outros).

“Nunca subestime a contribuição global positiva que você e tantas outras mulheres estão fazendo.”

Mulheres escolhidas para o 100 Women 2020

11. Nadeen Ashraf – Ativista, Egito

Instagram: @actuallynadeen

Nadeen Ashraf é uma estudante de filosofia que acredita nas redes sociais como uma ferramenta de mudança. Ela é apaixonada por espalhar conhecimento de forma acessível à população em geral. Nadeen é a fundadora da Polícia do Assédio, um perfil na plataforma Instagram no qual mulheres no Egito podem compartilhar suas histórias de assédio sexual. Ela é vista dentro do movimento feminista como um pilar para a mudança social na luta contra esse crime.

“Cresci rodeada de mulheres que dedicaram suas vidas a lutar por mudanças. Jamais pensei que estaria em posição de amplificar suas vozes. Nunca é tarde demais para fazer algo que você acredita.”

12. Rina Akter – Ex-profissional do sexo, Bangladesh

Rina Akter tinha apenas oito anos quando foi vendida por um familiar para um bordel. Ela cresceu ali, foi tragada para o trabalho sexual e agora tenta ajudar outras profissionais do sexo a melhorarem de vida. Na pandemia, ela e sua equipe de ajudantes têm servido quase 400 refeições por semana para profissionais do sexo em Dhaka que ficaram sem clientes e passaram a lutar para conseguir comer.

“As pessoas veem nossa profissão como degradante, mas fazemos isso para comprar comida. Estou tentando garantir que as mulheres dessa profissão não fiquem com fome e que seus filhos não tenham que fazer esse trabalho.”

13. Bilkis Bano – Líder de protesto, Índia

Twitter: @DadiBilkis

Aos 82 anos, Bilkis Bano integra um grupo de mulheres que protestam pacificamente contra uma controversa lei de cidadania acusada de prejudicar minorias religiosas. Acabou se tornando o rosto dessa longa manifestação na capital indiana. Para a jornalista e escritora indiana Rana Ayyub, ela é “a voz dos marginalizados”.

“As mulheres devem se sentir autorizadas a sair de casa e levantar a voz, especialmente contra a injustiça. Se não saírem de casa, como mostrarão sua força?”

14. Diana Barran – Subsecretária governamental, Reino Unido

Twitter: @dianabarran

Nomeada secretária para a sociedade civil do Reino Unido em 2019 e responsável por políticas públicas para o setor, baroness Diana Barran é fundadora e ex-executiva-chefe da SafeLives, instituição de caridade nacional que busca acabar com a violência doméstica. Ela é também ex-chefe de desenvolvimento de subsídios no think tank New Philanthropy e trabalhou com gestão de ativos antes de fundar um dos primeiros hedge funds da Europa. Foi ainda curadora da Royal Foundation e da Comic Relief, além de presidente da instituição de caridade Henry Smith. Em 2007, recebeu o prêmio Beacon na Inglaterra e quatro anos depois se tornou MBE (Member of the British Empire – Membro do Império Britânico), título concedido pela realeza britânica, por seu combate à violência doméstica.

“Penso nas palavras de Maya Angelou: ‘As pessoas vão esquecer o que você disse, vão esquecer o que você fez, mas as pessoas nunca vão esquecer como você as fez se sentirem’.”

15. Macinley Butson – Cientista e inventora, Austrália

Twitter: @Macinley_Butson

Macinley Butson começou a produzir suas invenções quando tinha sete anos. Agora com 20 anos, inventou uma série de dispositivos que tentam melhorar a radioterapia para pacientes com câncer de mama e o fornecimento de água potável em comunidades mais pobres. Ela se tornou inspiração para jovens australianos, mostrando como podem retribuir à comunidade por meio da ciência, tecnologia, engenharia e matemática.

“Nada determina nossa capacidade de gerar mudanças. Imploro a todas as mulheres do mundo que se perguntem: ‘Se não eu, então quem? Se não agora, então quando?'”

Mulheres escolhidas para o 100 Women 2020

16. Evelina Cabrera – Treinadora e dirigente de futebol, Argentina

Instagram: @evelinacabrera23

Evelina Cabrera nasceu em uma situação de vulnerabilidade, mas isso não a impediu de se tornar treinadora e dirigente esportiva, uma das primeiras do país. Aos 27, fundou a Associação Argentina de Futebol Feminino. Ela formou vários times (incluindo um de jogadoras cegas), treinou prisioneiras e ajudou mulheres e meninas vulneráveis por meio do esporte e da educação.

“Nosso gênero e nossa origem não devem determinar nosso futuro. É um caminho difícil, mas com a luta coletiva de um mundo unido, seremos capazes de alcançar a igualdade.”

17. Wendy Beatriz Caishpal Jaco – Ativista pelos direitos das pessoas com deficiência, El Salvador

Instagram: @wendy_caishpal

Wendy Caishpal é empreendedora, ativista, palestrante motivacional e porta-voz dos direitos das pessoas com deficiência e sobreviventes de conflitos armados. É também representante de El Salvador no Instituto Feminino de Liderança e Deficiência e Mobilidade Internacional dos Estados Unidos e fundadora do Ahuachapán Sin Barreras (Ahuachapán Sem Barreiras), projeto que promove e protege os direitos das pessoas com deficiência na cidade.

“Devemos amar o que fazemos e como fazemos. Sejamos instrumentos de mudança social: ajamos, lutemos, façamos a diferença. Se todos lutarem por isso, teremos um mundo melhor.”

18. Carolina Castro – Líder sindical, Argentina

Twitter: @carocastro79

Primeira mulher em cargo de liderança na União Industrial Argentina em seus 130 anos de história, Carolina Castro e seu ativismo contribuíram para o avanço da agenda de igualdade de gênero entre diversos partidos políticos, um feito num país no qual o debate público é bastante polarizado. Ela está na terceira geração de líderes numa empresa familiar de autopeças e quebrou estereótipos ao empregar mais mulheres que a média do mercado. Carolina publicou recentemente Rompimos el Cristal (Quebramos o Vidro, em tradução literal), uma antologia de conversas com 18 argentinas que se destacaram nos negócios, nas artes, na política e nas ciências.

“A agenda da igualdade não é promovida por pessoas extraordinárias, mas por cada um de nós, de todos os sexos, em cada pequena escolha que fazemos diariamente.”

19. Agnes Chow – Ativista pró-democracia, Hong Kong

Instagram: @chowtingagnes

Ativista pró-democracia de 23 anos, Agnes Chow foi uma figura-chave dos protestos em Hong Kong batizados de “Movimento dos Guarda-Chuvas”, em 2014. Seis anos depois, ela esteve entre os ativistas presos sob uma polêmica nova lei de segurança imposta por Pequim e acabou acusada de “conluio com forças estrangeiras”. Sua prisão gerou uma onda de apoio a ela, que seria libertada sob o pagamento de fiança. Agnes atua na política desde os 15 anos e seus apoiadores lhe deram o apelido de “Mulan”, em referência à lendária heroína chinesa que lutou para salvar sua família e seu país.

“Ter uma líder mulher não significa nada para os direitos das mulheres. Precisamos de uma mudança no sistema e de uma democracia genuína.”

20. Patrisse Cullors – Ativista de direitos humanos, EUA

Twitter: @OsopePatrisse

Artista, organizadora, educadora e oradora, Patrisse Cullors é natural de Los Angeles, Estados Unidos, co-fundadora e diretora-executiva da Fundação Black Lives Matter Global Network, fundadora da organização Dignity and Power Now. Ela é atualmente diretora no Prescott College, no Arizona, de um novo programa de mestrado em artes sociais e ambientais que ela própria desenvolveu.

“Nunca desista do seu poder. Cultive sua alegria. E exija mudanças — não apenas para você — mas para as mulheres que virão depois de você.”

Mulheres escolhidas para o 100 Women 2020

21. Tsitsi Dangarembga – Escritora e cineasta, Zimbábue

Instagram: @efie41209591

Tsitsi Dangarembga é uma ativista cultural, escritora e cineasta aclamada pela crítica. Ela escreveu livros premiados considerados clássicos do Zimbábue, e seus filmes foram exibidos em festivais ao redor do mundo, incluindo o Festival de Sundance, nos EUA. Ela mora em Harare, onde trabalha com cineastas locais. Tsitsi estava entre os detidos por participar de protestos no Zimbábue neste ano nos quais acusavam o governo de corrupção e péssima gestão. Foi libertada sob o pagamento de fiança após ser acusada de incitação à violência e violação das normas de saúde adotadas contra a propagação do coronavírus. Diversos escritores pediram que sejam retiradas as acusações contra ela, que nega todas.

“Não tenha medo de mudanças. Faça uma mudança que funcione para você.”

22. Shani Dhanda – Ativista da área de pessoas com deficiência, Reino Unido

Twitter: @shanidhanda

Shani Dhanda é uma premiada especialista em deficiência e empreendedora social, reconhecida como uma das pessoas com deficiência mais influentes do Reino Unido. Ela fundou, e continua a liderar, a iniciativa Diversability Card, o Asian Woman Festival e a Asian Disability Network — três plataformas inovadoras unidas pelo propósito de empoderar comunidades sub-representadas.

“À medida que o mundo se recupera, é nossa responsabilidade coletiva reconstruir um futuro inclusivo e sustentável para todos.”

23. Naomi Dickson – Executiva-chefe, Reino Unido

Twitter: @soldier_in_slip

Naomi Dickson dedicou sua vida profissional a apoiar mulheres e crianças judias que sofreram violência doméstica e a educar a comunidade judaica para que tenham as ferramentas para destacar, expor e prevenir esse crime. Como executiva-chefe da Jewish Women’s Aid, ela gosta de trabalhar com mulheres de todas as religiões, educando comunidades e líderes religiosos a fim de criar um mundo onde nenhuma forma de violência contra mulheres e meninas seja tolerada.

“O mundo mudou muito em 2020, e aprendemos a construir nossa própria resiliência para poder ajudar os outros.”

24. Karen Dolva – Inovadora, Noruega

Twitter: @kdolva

Karen Dolva é a executiva-chefe e cofundadora da startup No Isolation, fundada em Oslo em 2015. Sua missão é aproximar as pessoas por meio de tecnologia e conhecimento acolhedores. Até o momento, a empresa criou dois produtos: AV1, um avatar de telepresença que visa combater a solidão de crianças e jovens afetados por doenças de longa duração, e KOMP, um dispositivo de comunicação de um botão projetado especificamente para idosos.

“Não podemos nos dar ao luxo de usar a covid-19 como desculpa para parar de lutar. Deve ser um alerta: os mais vulneráveis sempre são os mais atingidos. Devemos usar esse momento para promover mudanças e proteger os que estão em risco.”

25. Ilwad Elman – Ativista da paz, Somália

Twitter: @ilwadelman

Ilwad Elman é uma jovem líder na linha de frente do processo de paz da Somália e uma autoridade global em encerramento de conflitos e reconciliação de comunidades. Com apenas 20 anos, foi cofundadora do primeiro centro para vítimas de estupro da Somália. Na última década, ela se tornou uma campeã da construção da paz, dando a todos afetados pelo conflito — especialmente mulheres e meninas — uma chance de contribuir.

“A pandemia deu ao mundo um curso intensivo de empatia. Testemunhamos mulheres liderando onde outras falharam. Mulheres na liderança não devem mais ser consideradas uma segunda opção, mas uma prioridade fundamental.”

Mulheres escolhidas para o 100 Women 2020

26. Jeong Eun-kyeong – Comissária da KDCA, agência sul-coreana de controle e prevenção de doenças, Coreia do Sul

Jeong Eun-kyeong foi descrita como uma “caçadora de vírus” e liderou a resposta da Coreia do Sul à pandemia de covid-19. Como atual comissária da Agência de Prevenção e Controle de Doenças da Coreia (KDCA) — e tendo atuado anteriormente como sua primeira chefe mulher — ela é conhecida por sua transparência e pela calma que traz a seus comunicados diários sobre a pandemia.

“Agradeço de coração a todos os profissionais de saúde que se dedicaram ao combate à pandemia. Farei o maior esforço para ajudar o mundo a se tornar mais seguro, fortalecendo as competências contra doenças.”

27. Fang Fang – Escritora, China

Fang Fang, cujo nome verdadeiro é Wang Fang, é uma autora chinesa premiada que já produziu mais de cem obras. Neste ano, começou a documentar acontecimentos em Wuhan, cidade chinesa onde o surto de coronavírus teve início no fim de 2019. Seu diário forneceu a milhões na China um raro panorama da cidade, e ela escreveu sobre tudo, desde os desafios da vida diária ao impacto fisiológico do isolamento forçado. À medida que o diário atraía mais reconhecimento internacional, ao ser traduzido para o inglês, cresceu uma reação online contra seus relatos. Muitos na China ficaram irritados e até a rotularam de traidora.

“Seja independente.”

28. Somaya Faruqi – Líder de equipe de robótica, Afeganistão

Twitter: @FaruqiSomaya

Quando o primeiro caso de covid-19 no Afeganistão foi registrado em sua província natal de Herat, Somaya Faruqi e sua equipe feminina de robótica — conhecidas como “Afegãs Sonhadoras” — começaram a trabalhar em um respirador de baixo custo para tratar pacientes com coronavírus. Caso o protótipo seja aprovado pelo Ministério da Saúde, poderá ser usado em hospitais remotos. Somaya, que nasceu em 2002, ganhou vários prêmios, incluindo uma medalha de prata por “conquista corajosa” no FIRST Global Challenge, nos EUA; um prêmio Benefiting Humanity in AI no World Summit AI; o prêmio Permission to Dream, de Janet Ivey-Duensing, no Raw Science Film Festival; e o Desafio de Empreendedorismo na Robotex na Estônia, o maior festival de robótica da Europa.

“A chave do nosso futuro é o que estamos ensinando às meninas e aos meninos hoje. Temos que garantir que todas as crianças tenham o mesmo acesso à educação e às ferramentas para realizar seus sonhos.”

29. Eileen Flynn – Senadora, Irlanda

Twitter: @Love1solidarity

Eileen Flynn fez história neste ano como a primeira mulher da comunidade de viajantes irlandeses a conquistar assento no Seanad Éireann, a Câmara Alta do Parlamento irlandês. Ela agora usa seu protagonismo para ajudar os viajantes irlandeses e outras comunidades marginalizadas.

“Cuidem uns dos outros; deem as mãos uns aos outros; nunca tentem empurrar outra mulher para baixo. Apagar a vela de outra pessoa não deixará a sua mais brilhante. Quando estamos juntos, nossas chamas podem incendiar o mundo.”

30. Lauren Gardner – Cientista, EUA

Twitter: @TexasDownUnder

Lauren Gardner é professora de engenharia na universidade americana Johns Hopkins e codiretora do Centro de Ciência e Engenharia de Sistema. Ela liderou a equipe que construiu o indispensável rastreador da pandemia da covid-19, que se tornou a fonte confiável de dados de registros da doença. A plataforma é usada por governos, pesquisadores de doenças infecciosas e meios de comunicação ao redor do mundo.

“Não espere por permissão. Sente-se e entre em ação.”

Mulheres escolhidas para o 100 Women 2020

31. Alicia Garza – Ativista de direitos humanos, EUA

Twitter: @AliciaGarza

Alicia Garza é estrategista política, autora de The Purpose of Power: How We Come Together When We Fall Apart e diretora do Black Futures Lab e do Black to the Future Action Fund. É também cocriadora de Black Lives Matter e da Black Lives Matter Global Network, diretora de estratégia e parcerias da Aliança Nacional de Trabalhadores Domésticos, cofundadora da Supermaioria e apresentadora do podcast Lady Don’t Take No (Mulheres Não Aceitam Não, em tradução literal).

“Pés no chão, cabeça no céu, olhos no prêmio.”

32. Iman Ghaleb Al-Hamli – Gerente de microrrede, Iêmen

Iman Ghaleb Al-Hamli gerencia um grupo de 10 mulheres que montaram uma microrrede solar, oferecendo energia limpa e de baixo impacto, a apenas 32 km da frente de batalha da devastadora guerra civil no Iêmen.

A microrrede é uma das três estabelecidas pelo Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD) em áreas fora da rede do Iêmen, e a única administrada inteiramente por mulheres. Inicialmente, a equipe foi ridicularizada por desempenhar uma função associada aos homens. Mas desde então elas conquistaram o respeito da comunidade e uma renda sustentável para si mesmas, além de desenvolverem novas habilidades profissionais.

“Minha mensagem para todas as meninas no Iêmen é para realizar seus sonhos. Elas devem se esforçar com confiança e desafiar todas as dificuldades que enfrentam em suas vidas para realizar esses sonhos.”

33. Kiran Gandhi – Cantora, EUA

Twitter: @madamegandhi

Kiran Gandhi, que se apresenta como Madame Gandhi, é uma cantora, compositora, artista e ativista cuja missão é elevar e celebrar a libertação de gênero. Ela está em turnê, tocando bateria com artistas como M.I.A. e Thievery Corporation. Em um protesto famoso, Kiran correu a Maratona de Londres enquanto “sangrava livremente” a fim de combater o estigma em torno da menstruação.

“Como muitos de nós tivemos que redesenhar nossos negócios para trabalhar de casa, isso está na verdade permitindo uma visão mais saudável em relação à paternidade e à maternidade. Temos o poder de redefinir sistemas e fazê-los trabalhar para nós.”

34. Sarah Gilbert – Cientista, Reino Unido

No momento em que os cientistas chineses publicaram os detalhes genéticos do novo coronavírus, Sarah e sua equipe em Oxford começaram a trabalhar para criar uma vacina contra a covid-19. Hoje, o imunizante está na fase 3 dos testes clínicos. Cientista com formação em microbiologia, bioquímica, virologia molecular e vacinologia, ela tem trabalhado para desenvolver vacinas contra doenças emergentes desde 2014.

“Nós podemos ser resilientes o bastante para atravessar esse ano. É um momento para se concentrar no que realmente importa: saúde, educação e boas relações com os outros.”

35. Maggie Gobran – Freira copta, Egito

Instagram: @stephenschildrenus

Mama Maggie Gobran dedicou sua vida a transformar crianças marginalizadas do Egito. Deixando de lado uma vida rica e uma carreira acadêmica notável, ela dedicou toda a sua energia e seus recursos para olhar pelas crianças, lavar seus pés, olhar em seus olhos e dizer-lhes que são importantes. Desde 1989, Mama Maggie e sua equipe têm uma abordagem holística que mudou a vida de centenas de milhares de crianças, proporcionando bem-estar psicológico, educação, saúde e, acima de tudo, dignidade.

“Quando você se reconciliar consigo mesmo, você se reconciliará com o céu e a terra.”

Mulheres escolhidas para o 100 Women 2020

36. Rebeca Gyumi – Advogada, Tanzânia

Twitter: @RebecaGyumi

Rebeca Gyumi é fundadora e diretora-executiva da Msichana Initiative, uma organização não governamental que trabalha para promover os direitos das meninas. Ela é defensora da igualdade de gênero e tem vasta experiência de trabalho no engajamento de jovens e construção de movimentos de mulheres, fornecendo suporte em diferentes esferas. Em 2019, a Iniciativa Msichana obteve uma decisão histórica no Tribunal de Apelação da Tanzânia, que proibiu o casamento infantil ao elevar a idade mínima para 18 anos.

“Quando as coisas ficam difíceis, as dificuldades continuam. Vamos nos comprometer a continuar lutando, a continuar a jornada e a manter nossas vozes e a manter a contribuição que trazemos, até que a agenda de igualdade de gênero seja cumprida.”

37. Mahira Khan – Atriz, Paquistão

Instagram: @mahirahkhan

Mahira Khan não é uma atriz comum: combate abertamente a violência sexual, se recusa a endossar cremes clareadores e apoia a luta contra o racismo. Ela quer lidar com questões sociais em sua terra natal, o Paquistão, mudando a narrativa em filmes e produtos para a TV. Mahira é uma embaixadora nacional da boa vontade do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), aumentando a conscientização sobre a situação dos refugiados afegãos no Paquistão. Ela tem sido uma das favoritas do público desde que começou como apresentadora da MTV em 2006.

“Fale sobre as causas e questões importantes para encorajar a mudança.”

38. Deta Hedman – Campeã de dardos, Jamaica

Twitter: @deta132

Deta Hedman trabalhou à noite no Royal Mail por 22 anos. Ela ganhou 215 títulos de dardos, a segunda maior conquista do esporte, atrás apenas de Phil Taylor. Deta chegou a 341 finais, mais do que qualquer outra pessoa na história dos dardos. Em 1973, desembarcou na Inglaterra e anos depois se tornou embaixadora da instituição de caridade Heart of Darts e dos dardos juvenis da Inglaterra, e faz parte do conselho da Federação Mundial de Dardos como representante dos atletas. Ela foi primeiro lugar no ranking mundial 11 vezes e é a segunda jogadora com mais partidas pela seleção feminina da Inglaterra.

“Eu exorto todas as senhoras: sigam seus sonhos e nunca desistam. Idade, sexualidade e raça não são razões para não ter sucesso. Você está aqui apenas uma vez. Aproveite ao máximo. #Believe.”

39. Muyesser Abdul’ehed Hendan – Escritora, Uigur exilada de Ghulja

Twitter: @hendan_hiyal

Muyesser Abdul’ehed, que atende pelo pseudônimo Hendan, começou a fazer seu nome como poeta e ensaísta enquanto estudava medicina. Quando concluiu seu mestrado em saúde pública, decidiu se concentrar na escrita. Depois de se mudar para a Turquia em 2013, fundou a Ayhan Education, uma organização dedicada a promover e ensinar a língua uigur na diáspora. Ela atualmente mora em Istambul. O trabalho recente de Hendan trata da crise em sua terra natal. Seu romance de estreia, Kheyr-khosh, quyash (Adeus ao Sol, em tradução literal), é a primeira obra extensa de ficção a retratar os “campos de reeducação” do governo chinês classificados por ativistas como perseguição étnica (acusação que o país nega).

“As crianças são sempre a esperança de uma nação. É a educação que pode tornar essa esperança realidade.”

40. Uyaiedu – Ikpe-Etim – Cineasta, Nigéria

Twitter: @uyaiedu

Uyaiedu Ipke-Etim é uma cineasta feminista, diretora e ativista LGBTQ+ que se comprometeu a criar histórias sobre grupos marginalizados na Nigéria. Seu filme Ifẹ́, que significa “amor” em iorubá, conta a história de duas lésbicas nigerianas que transitam pela dura realidade homofóbica no país em que vivem. Após o anúncio do lançamento do filme, enfrentou censura estatal na Nigéria, onde a homossexualidade permanece uma questão extremamente controversa.

“Mulheres, por favor, continuem ocupando espaço e não parem de contar as histórias das pessoas cujas vozes foram tiradas delas.”

Mulheres escolhidas para o 100 Women 2020

41. Miho Imada – Sommelier de saquê, Japão

Twitter: @fukuchoMiho

A fabricação de saquê há muito é considerada um mundo dos homens, e por séculos as mulheres foram proibidas de pisar nas produções japonesas. Depois que o mestre da fábrica de saquê de sua família se aposentou, Miho decidiu treinar e se tornar uma das poucas mestres de saquê do Japão. Atualmente, há quase 20 fabricantes de saquê do país dirigidas por mulheres.

“Se você conseguir encontrar um emprego digno da devoção de sua vida, mergulhe nele. Se você tratar a profissão que escolheu com respeito e sinceridade, estará no caminho certo para alcançar seus objetivos.”

42. Isaivani – Cantora, Índia

Instagram: @isaivaniisaiv

Isaivani é a única cantora de gaana famosa na Índia. Esse gênero surgiu nos bairros da classe trabalhadora de North Chennai (ex-Madras) em Tamil Nadu. Ela passou anos cantando e se apresentando neste espaço dominado por homens. Tocar no mesmo palco que outros cantores populares do sexo masculino pode ser considerado uma conquista por si só. Mas, ao quebrar a tradição, levou outras jovens cantoras gaana a conseguirem se apresentar.

“O mundo mudou muito em 2020, mas para as mulheres o mundo muda a cada dia: as mulheres mudaram discursos e desafiaram espaços. Esse processo será constante nas próximas gerações.”

43. Manasi Joshi – Atleta, Índia

Twitter: @joshimanasi11

Manasi Joshi, uma para-atleta indiana, é a atual campeã mundial de parabadminton e segundo lugar no ranking da categoria SL3. Engenheira, ela pretende mudar a forma com que a deficiência e os para-esportes são vistos na Índia. E se tornou uma referência: foi recentemente considerada “Líder da Próxima Geração” pela revista Time e apareceu na capa da edição asiática da publicação como uma defensora dos direitos das pessoas com deficiência na Índia.

“Este ano foi desafiador para as mulheres de muitas maneiras. Não deixe que os tempos difíceis retirem o melhor de você: continue explorando todas as possibilidades. Dê a si mesmo algum tempo todos os dias.”

44. Nadine Kaadan – Escritora e ilustradora, França

Twitter: @nadinekaadan

A autora síria Nadine Kaadan escreve e ilustra histórias desde os oito anos. Insatisfeita com a representação que viu em seus livros enquanto crescia, ela se comprometeu a escrever histórias nas quais cada criança pudesse se ver representada. Inspirada por sua herança cultural e seu desejo de disseminar a cultura da leitura no mundo árabe, ela criou histórias que abordam crianças com necessidades especiais e conflitos no Oriente Médio, entre outros temas.

“Seja um conflito ou a covid-19, as mulheres continuam a ser pacificadoras e líderes. Apesar disso, as estruturas sistêmicas parecem projetadas contra nós. A luta para redesenhá-las, de forma que as mulheres possam ser expressões mais completas de si mesmas, deve continuar.”

45. Mulenga Kapwepwe – Artista e curadora, Zâmbia

Twitter: @mulengakapwepwe

Mulenga Mpundu Kapwepwe cofundou o Museu de História da Mulher da Zâmbia, elogiado em 2020 por marcar a contribuição das mulheres para o país. Ela também construiu bibliotecas para crianças na capital zambiana, Lusaka, e presidiu o Conselho Nacional de Artes da Zâmbia, além de patrocinar organizações de dança, escrita, música e cultura.

“Faça da mudança a sua oportunidade.”

Mulheres escolhidas para o 100 Women 2020

46. Jemimah Kariuki – Médica, Quênia

Twitter: @jasminemimz

Jemimah Kariuki é profundamente apaixonada pela medicina preventiva, principalmente a saúde materno-infantil. Como estudante de obstetrícia e ginecologia, notou uma queda acentuada nas internações maternas, mas um aumento nas complicações durante a pandemia de covid-19, principalmente durante o toque de recolher adotado para evitar o espalhamento da doença. Ao perceber que o acesso aos cuidados de saúde foi prejudicado pelas restrições no sistema de transporte, ela encontrou uma solução: veículos licenciados para transportar mulheres de suas casas até o hospital. Isso levou ao Wheels for Life, um serviço de ambulância gratuito. Anos atrás, Jemimah havia fundado outras duas iniciativas: o Clube da Paz, uma reação à violência pós-eleitoral em 2007, e o Clube de Saúde Pública, fundamental na condução de ações de prevenção do câncer cervical.

“A pandemia afetou todo mundo. Você não está sozinho. Mas esse pensamento te chateando todo dia pode ser um chamado: não tenha medo de respondê-lo. Você pode ser a resposta para a necessidade de outra pessoa.”

47. Gülsüm Kav – Ativista de justiça social, Turquia

Twitter: @gulsumkav

Gülsüm Kav é uma médica turca, acadêmica e co-fundadora do We Will Stop Femicide. Ao longo de 2019, as altas taxas de feminicídio e debates parlamentares sobre a revogação da Convenção de Istambul (uma estrutura legal de proteção das vítimas de violência doméstica) geraram críticas generalizadas na Turquia. Gülsüm trabalha incansavelmente para aumentar a conscientização sobre a violência de gênero no país e para defender a causa de muitas famílias que perderam parentes para o feminicídio.

“As mulheres que oferecem resistência hoje buscam igualdade e liberdade. A pandemia, que lançou luz sobre as desigualdades vividas pelas mulheres, mostra que não há outro caminho a não ser essas mulheres lutando por mudanças.”

48. Jackie Kay – Poeta, Reino Unido

Twitter: @JackieKayPoet

Jackie Kay é uma poeta, dramaturga e romancista escocesa. Seu livro de memórias, Red Dust Road (Estrada de Poeira Vermelha, em tradução literal), que detalha sua busca por seus pais biológicos, foi descrito pela autora como uma “carta de amor” para seus pais adotivos brancos. Em 2016, foi nomeada Scots Makar, ou seja, a poeta nacional da Escócia. Além dos vários prêmios que recebeu por sua obra, ela é reitora da Universidade de Salford e recebeu o CBE (título concedido pela realeza britânica) por seus serviços à literatura.

“Nunca devemos perder a esperança. Os protestos em todo o mundo neste ano me encheram de um estranho otimismo em relação ao nosso futuro.”

49. Salsabila Khairunnisa – Ativista ambiental, Indonésia

Instagram: @jaga_rimba

Salsabila Khairunnisa é uma estudante de 17 anos de Jacarta, onde toda sexta-feira lidera uma greve escolar contra o desmatamento em frente ao Ministério do Meio Ambiente e Florestas. Aos 15 anos, ela coliderou um movimento de jovens, Jaga Rimba, que luta pela preservação de florestas e pelos direitos dos membros da comunidade indígena que estão perdendo suas casas em Kinipan, uma das últimas florestas tropicais na região.

“A pandemia nos deu uma consciência coletiva de que estamos todos sob o mesmo sistema patriarcal-capitalista que existe para o lucro. É hora de nos reunirmos em solidariedade e liderar uma recuperação verde e justa.”

50. Angélique Kidjo – Cantora e compositora, Benin

Twitter:@angeliquekidjo

Angélique Kidjo, quatro vezes vencedora do Grammy, é hoje uma das maiores artistas da música internacional. Ela mesclou tradições da África Ocidental de sua infância no Benin com elementos do R&B americano, funk e jazz, bem como influências da Europa e da América Latina. Depois de explorar os caminhos da diáspora africana, a cantora franco-beninense está agora investigando as raízes africanas da famosa ícone Celia Cruz, a cubana “Rainha da Salsa”. Ela também defende as crianças como embaixadora do Unicef e por meio de sua própria fundação de caridade, Batonga, que apoia a educação de garotas na África.

“Temos que continuar cuidando uns dos outros com solidariedade, amor e força. Vamos continuar sendo guardiões um do outro. Essa solidariedade deve cruzar classes sociais, etnias e orientação sexual.”

Mulheres escolhidas para o 100 Women 2020

51. Chu Kim Duc – Arquiteta, Vietnã

Instagram: @kim_duc_

A arquiteta Chu Kim Duc tem a missão de promover o direito das crianças a brincar, no Vietnã. Como cofundadora e diretora da Think Playgrounds, ela tem trabalhado com parceiros e comunidades para criar mais de 180 parquinhos públicos feitos de materiais reciclados. Ela atualmente trabalha em playgrounds terapêuticos para o Hospital Infantil Nacional do Vietnã, em Hanói, e no primeiro playground de baixo carbono da cidade.

“Seja brincalhão — no trabalho e na vida. Trata-se de aprender, com uma motivação intrínseca: o que você precisa fazer, o que você gosta de fazer? O aprendizado constante e apaixonado é o que nos ajuda a superar dificuldades e a ser otimistas.”

52. Safaa Kumari – Virologista de plantas, Síria

Twitter: @ICARDA

Como virologista de plantas, Safaa Kumari busca soluções para epidemias que destroem plantações. Depois de descobrir sementes que poderiam proteger a produção de alimentos na Síria, arriscou sua vida para resgatá-las de Aleppo, cidade duramente atingida pela guerra civil. Kumari passou anos estudando variedades de plantas resistentes a vírus, incluindo um feijão faba que é resistente ao vírus amarelo necrótico faba (FBNYV).

“O mundo mudou muito em 2020. Dentro de uma equipe encarregada de superar esses desafios, a questão é habilidade, e não gênero. As mulheres devem acreditar que sua contribuição é igual à de qualquer homem.”

53. Ishtar Ishtar – Ativista, África do Sul

Twitter: @IshtarLakhani

Ishtar é feminista, ativista e autoproclamada “encrenqueira”. Ela mora na África do Sul, onde colabora com organizações, movimentos e redes de justiça social de todo o mundo, oferecendo apoio para fortalecer ações de defesa dos direitos humanos. Neste ano, desempenhou um papel fundamental na campanha Liberte a Vacina e trabalha com outros ativistas para garantir que uma vacina contra a covid-19 tenha um preço acessível, esteja disponível para todos e seja gratuita para a população.

“Esses momentos de ruptura também são um momento oportuno para crescermos em um futuro completamente divergente, em vez de tentarmos consertar um sistema que nunca foi projetado para nossa felicidade.”

54. Claudia López – Prefeita, Colômbia

Twitter: @ClaudiaLopez

Claudia López é a primeira prefeita de Bogotá, capital da Colômbia e maior cidade do país. Filha de uma professora, foi senadora pelo partido Alianza Verde (Aliança Verde) entre 2014 e 2018. Liderou a implementação de uma consulta popular sobre anticorrupção que obteve 11,6 milhões de votos (99%) a favor das medidas propostas — um recorde na história da Colômbia.

“Às mulheres do mundo eu digo: não parem. A revolução social que começou no século passado não vai parar. Veremos mudanças claramente refletidas em nossas vidas públicas e privadas.”

55. Josina Machel – Ativista de justiça social, Moçambique

Instagram: @JosinaZMachel

Josina Z Machel é uma antiga defensora dos direitos humanos, nascida sob um legado de ativismo. Ela é extremamente apaixonada por sua vocação de promover os direitos das mulheres. Mestre pela London School of Economics and Political Science (LSE), ela sobreviveu à violência doméstica e ela está transformando seu trauma pessoal em propósito por meio do Movimento Kuhluka. A organização cria refúgios seguros para sobreviventes da violência em comunidades em todo o Sul da África.

“O impacto de pressões adicionais sobre as mulheres ainda está para ser calculado, mas nossa resiliência nos dá a coragem para continuar sendo mães, esposas, irmãs, líderes e capitães da indústria de que o mundo precisa.”

Mulheres escolhidas para o 100 Women 2020

56. Sanna Marin – Primeira-ministra, Finlândia

Twitter: @MarinSanna

Sanna Marin é a primeira-ministra da Finlândia e líder do Partido Social Democrata. O governo de coalizão que lidera foi formado com quatro outros partidos, todos liderados por mulheres: Maria Ohisalo (Liga Verde), Li Andersson (Aliança de Esquerda), Anna-Maja Henriksson (Partido do Povo Sueco) e Annika Saarikko (Partido do Centro). A Finlândia tem sido aclamada por sua estratégia contra a covid-19, com uma das taxas de infecção mais baixas da Europa (segundo dados até novembro de 2020).

“Nós, como mulheres líderes, podemos mostrar que é possível combater o vírus e ao mesmo tempo enfrentar as mudanças climáticas, investir na educação e fazer reformas socialmente justas na sociedade.”

57. Hayat Mirshad – Ativista, Líbano

Twitter: @HayatMirshad

Ativista feminista, jornalista e humanitária, Hayat Mirshad é cofundadora do Fe-Male, um coletivo feminista pioneiro no Líbano. Intransigente e pouco afeita a desculpas, Hayat tem como missão garantir que meninas e mulheres tenham acesso a direitos como justiça, informação e segurança. Ela continua a espalhar sua mensagem por meio de várias plataformas, organizando marchas em todo o país e reunindo multidões para exigir mudanças de regimes patriarcais corruptos.

“Apesar dos desafios e contratempos, as mulheres ao longo da história desafiaram e lutaram contra o patriarcado. Através da solidariedade, da irmandade e do amor, continuaremos a lutar e amplificaremos nossas vozes e demandas por um futuro justo e com igualdade de gênero.”

58. Bulelwa Mkutukana – Cantora e compositora, África do Sul

Instagram: @zaharasa

Bulelwa Mkutukana é mais conhecida pelo nome artístico de Zahara. De origem humilde, encontrou seu amor pelo canto no coral da escola. Começou sua carreira cantando nas ruas, mas em 2011 seu álbum de estreia ganhou disco de platina duplo em menos de três semanas. Mas além dos prêmios e do sucesso comercial, ela tem usado seu espaço para falar sobre a violência contra as mulheres na África do Sul, algo que revelou ter acontecido com ela mesma.

“A oração me fez continuar neste momento difícil. Nada supera a oração.”

59. Lucy Monaghan – Ativista, Irlanda do Norte

Lucy Monaghan renunciou ao seu direito ao anonimato para falar publicamente sobre como foi tratada por policiais e promotores na Irlanda do Norte depois de denunciar um estupro em 2015. A polícia inicialmente disse a ela que, como havia evidências que estava “flertando” com o acusado, era improvável que o caso resultasse em condenação. Ela então desafiou as autoridades no tribunal por causa das falhas em suas investigações e, como resultado, foram feitas mudanças na forma como as vítimas de ataques sexuais são tratadas no país. Lucy agora apoia sobreviventes de estupro e, em 2019, participou de uma iniciativa que fez mais de 250 recomendações para mudanças na lei.

“Disseram que não conseguiria. Eu fiz mesmo assim. E você também pode.”

60. Douce Namwezi N’Ibamba – Jornalista, República Democrática do Congo

Douce Namwezi N’Ibamba é jornalista multimídia e fundadora da Uwezo Afrika Initiative, uma iniciativa sem fins lucrativos que promove o empoderamento das mulheres por meio do jornalismo, treinamento profissional e empreendedorismo social. Ela luta contra tabus em torno da menstruação, disponibilizando kits de educação sexual e higiene para estudantes e mulheres na República Democrática do Congo.

“Sejamos a geração de meninas e mulheres que navegam pelas mudanças, que sempre encontram soluções para os seus problemas diários e que sempre dizem: nada é impossível.”

Mulheres escolhidas para o 100 Women 2020

61. Vanessa Nakate – Ativista ambiental, Uganda

Twitter: @vanessa_vash

Vanessa Nakate, 23, é uma ativista climática de Uganda e fundadora do Movimento Rise Up. Ela faz campanhas internacionais para jogar luz sobre os impactos das mudanças climáticas que já ocorrem no continente africano. Sua atuação se concentra principalmente em como a crise climática exacerba a pobreza, o conflito e a desigualdade de gênero. Em janeiro de 2020, a agência de notícias Associated Press (AP) cortou Nakate de uma foto com Greta Thunberg e outros ativistas europeus, após sua participação no Fórum Econômico Mundial. Em seguida, Nakate falou sobre o racismo no movimento global de mudança climática. Mais tarde, a AP redistribuiu a imagem sem cortar Nakate, mas não se desculpou pela edição. Em 27 de janeiro de 2020, a editora executiva Sally Buzbee tuitou, de sua conta pessoal, um pedido de desculpas em nome da AP.

“Frequentemente as mulheres são as que mais sofrem com os bloqueios e a crise climática. Mas também somos a solução: educar e capacitar as mulheres reduzirá a emissão de carbono, aumentará a resiliência a desastres e criará líderes climáticos para o futuro.”

62. Ethelreda Nakimuli-Mpungu – Especialista em saúde mental, Uganda

Twitter: @ethelmpungu

Ethel Nakimuli-Mpungu, da Universidade Makerere, em Uganda, trabalha para tornar a terapia mais adequada culturalmente, especialmente para pessoas que vivem com HIV e depressão. Ela desenvolveu um programa de terapia de grupo de baixo custo que pode ser ministrado por profissionais de saúde leigos. Seu trabalho demonstrou também ter reduzido drasticamente os sintomas de depressão e aumentado a adesão à medicação antiviral entre as pessoas afetadas.

“Faça da sua saúde mental uma prioridade e recupere o seu poder.”

63. Nandar – Ativista feminista, Mianmar

Twitter: @NandarMMR

Nandar é defensora feminista, tradutora, contadora de histórias e criadora de dois podcasts: Feminist Talks e G-Taw Zagar Wyne. Fundou o Grupo de Feministas Roxas e codirigiu a produção Monólogos da Vagina, em Yangon. Crescendo em uma vila no Estado de Shan, Nandar passou pelas dificuldades comuns às mulheres que desafiam os valores tradicionais da família e da vida comunitária em Mianmar. Ela agora usa seus podcasts para lidar com temas tabus no país, como menstruação e aborto.

“Desejo que mais pessoas participem do fim da desigualdade para que possamos viver em um mundo onde sejamos valorizados e respeitados como humanos. Juntos podemos construir um mundo melhor e mais justo.”

64. Vernetta M Nay Moberly – Ativista ambiental, EUA

Vernetta Moberly é esposa, mãe, avó e amiga. Ao longo dos anos, reuniu informações com os mais velhos e passou seu conhecimento e habilidades para a próxima geração da comunidade Iñupiat. Sua paixão é a luta para salvar a Mãe Terra.

“Mães: cuidem de si mesmas. Continue a explorar o conhecimento de seus ancestrais. Estamos todos conectados. Temos os mesmos instintos e a paixão para ajudar nossos filhos a crescer. Mesmo se houver turbulência, encontre uma solução.”

65. Nemonte Nemquimo – Líder Waorani, Equador

Instagram: @nemonte.nenquimo

Nemonte Nenquimo é uma mulher indígena Waorani comprometida com a defesa do território, da cultura e do modo de vida ancestral na floresta amazônica. Ela é cofundadora da organização sem fins lucrativos Ceibo Alliance, a primeira mulher a presidir a organização Waorani da província de Pastaza e uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista Time.

“Como mulheres, carregamos a força necessária para abrir um caminho para sair destes tempos perigosos, quando a sobrevivência de nosso planeta e a humanidade estão em perigo. Agora é a hora de as mulheres se unirem.”

Mulheres escolhidas para o 100 Women 2020

66. Sania Nishtar – Líder global de saúde, Paquistão

Twitter: @SaniaNishtar

Sania Nishtar é líder em saúde global e desenvolvimento sustentável. Desde 2018, ela lidera o programa transformador Ehsaas de Alívio da Pobreza, que melhorou a vida de milhões de paquistaneses, fornecendo serviços bancários móveis e contas de poupança, além de outros recursos básicos. Como assistente-especial do primeiro-ministro do Paquistão para o Alívio da Pobreza e Proteção Social, Sania ajudou a fortalecer a população, dando os primeiros passos necessários para o desenvolvimento de um Estado de Assistência Social no Paquistão.

“O impacto dramático da Covid-19 nos apresenta uma chance única em uma geração de construir um mundo mais justo e acabar com a pobreza, a desigualdade e a crise climática. Para isso, as mulheres devem ser partes interessadas iguais e empoderadas.”

67. Phyllis Omido – Ativista ambiental, Quênia

Twitter: @Phyllis_Omido

Phyllis Omido é fundadora e diretora-executiva do Centro para a Governança da Justiça e Ação Ambiental, que defende os direitos ambientais e socioeconômicos das comunidades marginalizadas afetadas pelas indústrias extrativas do Quênia. Em 2015, ela ganhou o Prêmio Ambiental Goldman (apelidado de “o Nobel Verde”), que reconheceu seu trabalho para fechar com sucesso uma fábrica de fundição de chumbo em Owino Uhuru. Em junho de 2020, ela saiu vitoriosa em uma ação coletiva ambiental que gerou indenizações equivalentes a quase R$ 100 milhões. O caso ainda está em tramitação.

“Assim como as mulheres em todo o mundo tiveram que repensar seus espaços legítimos contra grandes adversidades, a natureza também está lutando para se regenerar da crise ecológica. Só uma mulher pode se relacionar com os males da natureza.”

68. Laleh Osmany – Ativista, Afeganistão

Twitter: @laleh_osmany

No Afeganistão, usar o nome de uma mulher em público é desaprovado socialmente. Só o nome do pai deve ser registrado na certidão de nascimento e quando uma mulher se casa, seu nome não aparece nos convites de casamento. Quando está doente, seu nome não aparece nas receitas médicas, e quando morre, seu nome não aparece em seu atestado de óbito ou mesmo em sua lápide. Farto de ver mulheres negando o que ela pensava ser um direito básico, a ativista Laleh Osmany deu início à campanha WhereIsMyName. Após uma luta de três anos, em 2020 o governo afegão concordou em registrar os nomes das mulheres nas carteiras de identidade nacionais e nas certidões de nascimento de seus filhos.

“Todos têm a responsabilidade de tentar tornar o mundo um lugar melhor. Mudar é difícil, mas não impossível. Você vê isso em mulheres que lutaram por suas identidades em um país fortemente tradicional como o Afeganistão.”

69. Richima Pandey – Ativista, Índia

Ridhima Pandey é uma ativista climática que aos nove anos entrou com uma ação contra o governo da Índia em resposta a uma acusação de que ele não agia para mitigar as mudanças climáticas. Em 2019, junto com 15 outras crianças peticionárias, Ridhima entrou com um processo contra cinco países na ONU. Atualmente, participa de conferências internacionais e ajuda a capacitar outros estudantes, em todos os níveis, para lutar pelo futuro e pela biodiversidade do planeta.

“Agora é a hora de sermos fortes e unidos e de provarmos como podemos ser capazes em tempos difíceis. Se uma mulher está determinada a alcançar algo, ninguém pode impedi-la.”

70. Lorna Prendergast – Pesquisadora sobre demência, Austrália

Em 2019, Lorna Prendergast ganhou as manchetes globais quando se formou na Universidade de Melbourne aos 90 anos, com um mestrado sobre envelhecimento. Ela dedicou sua graduação ao marido falecido, com quem foi casada por 64 anos e que sofria de demência. Como pesquisadora, criou uma compreensão mais profunda das necessidades dos pacientes com demência, melhorando a qualidade de vida e o relacionamento com cuidadores.

“Não importa sua idade, seja jovem ou velho, você pode fazer a diferença no mundo.”

Mulheres escolhidas para o 100 Women 2020

71. Oksana Pushkina – Deputada estadual, Rússia

Twitter: @opushkina

Oksana Pushkina é vice-presidente-adjunta do Comitê de Família, Mulheres e Crianças da Duma, na Rússia. Em 2018, quando várias dezenas de jornalistas femininas fizeram acusações de assédio sexual contra Leonid Slutsky, presidente do Comitê Estatal da Duma para Assuntos Internacionais, Oksana foi a única integrante da Duma, o parlamento russo, a se apresentar e apoiar publicamente os jornalistas.

“O mundo mudou muito em 2020, mas além do trauma e da crise, uma coisa que aprendi é que novos desafios sempre trazem o melhor das pessoas.”

72. Cibele Racy – Professora, Brasil

Cibele Racy é uma diretora aposentada que foi pioneira no ensino da igualdade racial para alunos do ensino fundamental em São Paulo. Ela reformulou todas as práticas administrativas da escola para tornar o ambiente o mais inclusivo possível para os funcionários, sem importar a raça, o gênero ou o cargo.

“Este ano nos impôs um refúgio reflexivo, principalmente sobre os compromissos que a sociedade deve assumir para mudar. Espero que tenhamos reunido energias transformadoras para os desafios de 2021.”

73. Susana Raffali – Nutricionista, Venezuela

Twitter: @susanaraffalli

Susana Raffali é uma trabalhadora humanitária que passou 22 anos ajudando em emergências em todo o mundo. Ela ajudou a Cáritas de Venezuela a estabelecer uma ferramenta que mostrasse, em tempo real, o impacto da crise humanitária sobre as crianças em um momento em que a crise era negada na Venezuela. Susana também fundou uma rede de centros de apoio nutricional para crianças que vivem em favelas e, em 2020, trabalhou na manutenção de serviços alimentares para cidadãos de baixa renda, mulheres com HIV e prisões para jovens durante a pandemia. Além disso, também aconselhou sobre como colocar a nutrição no centro das respostas nacionais à pandemia de covid-19 na América Central.

“Cuide de você primeiro e comece a libertação a partir daí. Isso faria com que o confinamento fosse excelente.”

74. Rima Sultana Rimu – Professora, Bangladesh

Twitter: @SultanaRimu

Rima Sultana Rimu é membro das Mulheres Líderes pela Paz em Bangladesh. Este programa, parte da Rede Global de Mulheres Construtoras da Paz, visa capacitar mulheres jovens de países afetados por conflitos a serem líderes e agentes da paz. Em uma de suas ações, respondeu à crise de refugiados Rohingya em sua comunidade defendendo uma ação humanitária com perspectiva de gênero. Ela também organiza aulas de alfabetização e matemática com perspectiva de gênero e adequadas à idade para refugiados e para mulheres e meninas da comunidade que não têm acesso à educação, além de conscientizar sobre as resoluções do Conselho de Segurança da ONU em sua comunidade por meio de transmissões de rádio e apresentações teatrais.

“Estou determinada a trazer igualdade de gênero para Bangladesh. Eu acredito no poder das mulheres e meninas para lutar por nossos direitos. Teremos sucesso.”

75. Sapana Roka Magar – Técnica de crematório, Nepal

Depois de ficar sem casa por três meses, Sapana Roka Magar viajou para Katmandu, onde se envolveu com uma organização que crema corpos não identificados. Os corpos daqueles que morreram de covid-19 são administrados apenas pelo Exército nepalês. Já a organização de Sapana resgata corpos abandonados na rua ou em necrotérios e providencia para que sejam levados a hospitais para exames post-mortem. Se o corpo não for reclamado por alguém em 35 dias, a organização o leva ao crematório e realiza os rituais Dagbatti, que na cultura hindi geralmente são realizados pelo filho do falecido.

“Existem desabrigados e pessoas abandonadas em todo o mundo. Pessoas que morrem nas ruas merecem a última cerimônia adequada. Eu faço este trabalho não como um serviço social, mas para minha própria paz de espírito.”

Mulheres escolhidas para o 100 Women 2020

76. Febfi Setyawati – Ativista, Indonésia

Instagram: @Febfisetyawati

Febfi Setyawati é a fundadora da Untukteman.id, uma organização que ajuda pessoas vulneráveis, especialmente pacientes com dificuldades financeiras e afetadas pela covid-19. Ela e sua equipe dirigiram pela comunidade em um trailer para fornecer acesso gratuito à internet (que pode ser caro na região) e uma biblioteca móvel para que alunos pudessem continuar seus trabalhos. A equipe agora está tentando fornecer transmissores de sinal para áreas onde não há sinal de internet. A dor que sentiu quando seu filho, Akara Haykal, morreu de síndrome de Moebius, uma rara condição neurológica, inspirou Febfi a ajudar outras pessoas.

“O mundo mudou muito em 2020. Precisamos mudar para o mundo também. É melhor fazermos um pouco do que é útil do que reclamar muito.”

77. Ruth Shady – Arqueóloga, Peru

Ruth Shady é doutora em arqueologia e antropologia e vice-reitora de pesquisa da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Nacional de San Marcos, no Peru. É diretora de pesquisas multidisciplinares do sítio arqueológico Caral, considerado berço da civilização mais antiga das Américas. Ela tem doutorado honorário de cinco universidades peruanas e em 2018 ganhou o prêmio nacional L’Oréal-Unesco para mulheres na Ciência. Ela também foi premiada com a Medalha de Honra do Congresso da República do Peru.

“As mulheres devem se envolver nas atividades necessárias para promover a mudança e construir uma sociedade onde os humanos possam viver em harmonia uns com os outros e em equilíbrio com a natureza.”

78. Panusaya Sithijirawattanaku – Ativista estudantil, Tailândia

Neste ano, protestos pró-democracia varreram a Tailândia, e estudantes como Panusaya Sithijirawattanaku, de 22 anos, estão no centro deles. Ela e outros ativistas foram presos por seu envolvimento, mas Panusaya acabou libertada após pagar fiança.

Um vídeo transmitido ao vivo de sua prisão mostra quatro policiais à paisana carregando-a do chão de um quarto de hotel, colocando-a em uma cadeira de rodas e levando-a para um veículo da polícia. Ela nega ter cometido qualquer crime.

Em agosto, subiu ao palco em um comício estudantil e leu o agora famoso Manifesto de 10 pontos, pedindo à monarquia que se abstenha de interferir na política. A proposta foi considerada chocante, já que a Tailândia é um dos poucos países com uma lei criminal de difamação real. Qualquer pessoa que critique o rei, a rainha, o herdeiro aparente ou o regente pode ser preso por até 15 anos.

“Todo mundo muda o mundo. Não importa o que você faça ou quem você seja, seja confiante e faça sua vida valer a pena.”

79. Nasrin Sotoudeh – Ativista de direitos humanos, Irã

Nasrin Sotoudeh é uma advogada iraniana que defende o Estado de Direito e os direitos de prisioneiros políticos, ativistas da oposição, mulheres e crianças no Irã. Ela foi liberada temporariamente após uma longa sentença de prisão por se levantado contra o criticado sistema judicial do país. Apesar da prisão e das constantes ameaças a sua família, Sotoudeh continua sendo uma defensora contestadora do Estado de Direito do Irã.

“O hijab é obrigatório (no Irã) — e se eles podem forçar este meio metro de tecido sobre nós, eles podem fazer qualquer coisa conosco.”

80. Kathy Sullivan – Cientista e astronauta, EUA

Twitter: @AstroKDS

Kathy Sullivan é cientista, astronauta, escritora e executiva. Em 1978, foi uma das seis primeiras mulheres a ingressarem no corpo de astronautas da Nasa (agência espacial americana) e tem o feito de ser a primeira mulher americana a caminhar no espaço. Ela também é a primeira mulher a mergulhar no ponto mais profundo do oceano, e graças à sua combinação de voo espacial e mergulhos em alto mar ganhou o título de “a pessoa mais vertical do mundo”.

“O mundo mudou muito em 2020. Isso nos lembra quão interdependente toda a vida neste planeta realmente é, o que nos força a reavaliar o que realmente precisamos e valorizamos.”

Mulheres escolhidas para o 100 Women 2020

81. Lea T – Modelo, Brasil

Instagram: @leat

Poucas modelos podem dizer que seu primeiro trabalho foi para a Givenchy, mas esse é o caso de Lea T. Ela está no ramo há mais de dez anos e já apareceu nas páginas de muitas publicações renomadas, como Marie Claire, Grazia e Vogue . Em 2016, Lea também foi reconhecida como a primeira transgênero a participar de uma cerimônia de abertura de Olimpíada. Ela é um ícone da cultura pop na defesa dos transgêneros, falando sobre a discriminação contra as pessoas LGBT e convocando a sociedade a combatê-la. Ao longo de sua carreira, buscou inspirar outras pessoas como ela a seguir seus sonhos.

“O mundo está sempre mudando e estamos sempre em movimento perpétuo — mas as mulheres não podem andar sozinhas.”

82. Ana Tijoux – Cantora e compositora, França

Twitter: @anatijoux

Ana Tijoux é uma manifestante do hip-hop chilena. Feminista e ativista em suas letras, ela denuncia falhas sociais e culturais. Seus pais se exilaram durante a ditadura de Augusto Pinochet no Chile, o que deixou uma marca em sua carreira conhecida pela sensibilidade em questões políticas e sociais. A exemplo da música Antipatriarca, que denuncia a violência de gênero. Tijoux frequentemente participa de campanhas contra a desigualdade e opressão ao redor do mundo.

“2020 revelou a fragilidade do sistema econômico e, perante esta fragilidade, temos a força da nossa rede de relações. Temos que sempre lembrar disso porque é aí que reside o nosso valor e a nossa força.”

83. Opal Tometi – Ativista de direitos humanos, EUA

Twitter: @opalayo

Opal Tometi é uma premiada defensora dos direitos humanos e uma das três cofundadoras do movimento Black Lives Matter. Ela também é a fundadora do novo centro de mídia e defesa da causa Diaspora Rising. Nascida nos EUA, filha de imigrantes nigerianos, seu ativismo pelos direitos humanos ultrapassa fronteiras e completou quase duas décadas.

“Ocorreu um verdadeiro despertar. Todos nós sabemos agora que desviar os olhos da injustiça é ser cúmplice. Eu encorajo todos a permanecerem corajosos, comprometidos e conectados as suas comunidades.”

84. Sviatlana Tsikhanouskaya – Política, Bielorrússia

Sviatlana Tsikhanouskaya é uma ex-candidata presidencial na Bielorrússia que liderou um movimento nacional pró-democracia. Em agosto de 2020, o presidente Alexander Lukashenko conquistou uma vitória esmagadora na eleição de liderança, gerando protestos em todo o país em meio a acusações generalizadas de fraude eleitoral. Pouco depois da eleição, temendo pela segurança de seus filhos, Svetlana fugiu para a Lituânia, onde continua liderando o movimento democrático no exílio.

“Nunca, por um segundo, acredite em alguém que diz que você é fraco. Muitas vezes não percebemos o quão fortes somos.”

85. Yulia Tsvetkova – Ativista, Rússia

Yulia Tsvetkova nasceu em uma pequena cidade industrial no extremo leste da Rússia, onde estudou arte, dança e direção. Anos depois, em seu teatro ativista e centro comunitário, ela começou a levantar questões relacionadas aos direitos das mulheres e da comunidade LGBT, ao antimilitarismo e à ecologia. Em 2019, seu ativismo foi recebido com acusações criminais de distribuição de pornografia e três casos de “propaganda LGBT”. Os processos a que responde podem levar a até seis anos de prisão sob acusação de compartilhar desenhos do corpo feminino online. Ela foi reconhecida como prisioneira política por organizações russas de direitos humanos. Yulia nega as acusações.

“Nunca tolere abusos, sejam eles do governo, de um parceiro ou da sociedade. Você é forte e tem o poder de mudar o mundo. Não importa quão sombrios sejam os tempos, continue sonhando e lutando.”

Mulheres escolhidas para o 100 Women 2020

86. Arussi Unda – Ativista, México

Twitter: @brujasdelmar

Enquanto o México enfrenta índices crescentes de feminicídio, Arussi Unda e seu coletivo feminista Brujas del Mar (“Bruxas do Mar”) emergiram como uma voz para as mulheres. Neste ano, inspiraram mulheres de todo o país a realizarem uma greve nacional em 9 de março, dia em que as mulheres pararam de trabalhar e de executar outras atividades, ficando em casa.

“No momento, existem tantos slogans e lemas como ‘A revolução será feminista’ ou ‘O futuro é feminista’ — mas o futuro já está aqui. Devemos ser corajosas e continuar subindo.”

87. Anastasia Volkova – Empreendedora, Ucrânia

Twitter: @FluroSat

Anastasia Volkova é uma empreendedora e inovadora agrícola que usa a ciência e a tecnologia para lidar com questões de segurança alimentar. Em 2016, fundou a FluroSat, uma empresa que usa drones e dados de satélite, juntamente com algoritmos e outras ferramentas, para ajudar agricultores a otimizarem a produção agrícola.

“Seja a mudança que você deseja ver no mundo. Espero que todos possamos encontrar nossas próprias maneiras de tirar proveito dessa situação e permitir uma mudança positiva.”

88. Kotchakorn Voraakhom – Arquiteta e paisagista, Tailândia

Instagram: @kotch_voraakhom

Kotchakorn Voraakhom se descreve como “uma arquiteta paisagista urbana tailandesa durona”. Ela começou seu trabalho com o objetivo de separar o “pavimento rachado” da extensa paisagem urbana de Bangcoc e deixar as mudas de novas ideias surgirem. Agora trabalha para desenvolver usos produtivos do espaço público — e está abrindo rachaduras do tamanho de um parque na luta para ajudar as megacidades a lidar com a mudança climática.

“Para trazer mudanças sistêmicas para a justiça climática, precisamos agir como um mundo unificado. Esta Terra é nossa casa, e a única maneira de curá-la é, para nós, trabalharmos como um.”

89. Siouxsie Wiles – Cientista, Reino Unido

Twitter: @SiouxsieW

Siouxsie Wiles é uma cientista e comunicadora de saúde pública que tem sido uma força na Nova Zelândia durante a pandemia. Ela colaborou com o cartunista Toby Morris para ampliar a comunicação da ciência sobre a covid-19, e o trabalho deles foi traduzido para diversos idiomas e adaptado por governos para ajudar as pessoas a entenderem o que os confinamentos faziam. Ela também chefia um laboratório de bioluminescência na Universidade de Auckland, onde ela e sua equipe fazem as bactérias brilharem no escuro para entender como micróbios infecciosos nos deixam doentes e para encontrar novos medicamentos.

“Os países em que as pessoas se uniram para proteger com sucesso umas às outras da pandemia nos mostram que grandes desafios podem ser enfrentados com compaixão e ação coletiva.”

90. Elin Williams – Blogueira sobre deficiência, Reino Unido

Twitter: @myblurredworld

Elin Williams é uma escritora e defensora das pessoas com deficiência que compartilha suas experiências de encefalomielite miálgica (EM) e retinite pigmentosa (uma doença ocular degenerativa) em seu blog, My Blurred World, desde os 16 anos. Ela escreve relatos honestos e abertos de suas experiências, compartilhando tudo, desde conselhos e o impacto emocional de seu estado, até as barreiras sociais que ela enfrenta e a importância de promover a acessibilidade na indústria da moda. Durante todo o tempo, ela tece um fio de positividade em seu conteúdo na esperança de aumentar a conscientização e permitir que outras pessoas em situação semelhante saibam que não estão sozinhas.

“Encontre uma saída que lhe permita canalizar sua criatividade, energia, pensamentos, dor e felicidade; abrace todos os aspectos positivos que isso pode trazer. Você merece algo que é totalmente seu, sem nenhuma força externa influenciando seu propósito.”

Mulheres escolhidas para o 100 Women 2020

91. Alice Wong – Ativista da área de pessoas com deficiência, EUA

Twitter: @SFdirewolf

Alice Wong é a fundadora do Disability Visibility Project, uma campanha popular que incentiva as pessoas com deficiência a registrarem suas histórias. Neste ano, ela publicou uma nova antologia, Disability Visibility: First-Person Stories from the Twenty-First Century (Visibilidade da Deficiência: Histórias em Primeira Pessoa do Século 21, em tradução literal).

“O mundo mudou muito em 2020 e não quero que as coisas voltem ao ‘normal’ nunca mais.”

92. Leo Yee-Sin – Médica, Singapura

Leo Yee-Sin dirige o Centro Nacional de Doenças Infecciosas de Singapura, órgão responsável por lidar com surtos de doenças transmissíveis. Além de estar na linha de frente da batalha contra a covid-19, ela passou décadas melhorando os cuidados com o HIV no país e liderando equipes em vários surtos de doenças infecciosas. Ela equilibra seus compromissos profissionais com seu papel de mãe de três filhos.

“A covid-19 mudou a vida de todos. Mas isso não mudou a proeminência da liderança feminina. Aqueles que lutam contra o vírus na linha de frente são predominantemente mulheres e o fazem com coragem, força e resiliência.”

93. Michelle Yeoh – Atriz, Malásia

Michelle Yeoh começou a atuar realizando suas próprias acrobacias no “mundo dos homens” em filmes de artes marciais de Hong Kong. Ela se mudou para Hollywood como uma Bond girl (no longa O Amanhã Nunca Morre) e é uma das poucas atrizes da Ásia a desfrutarem de uma longa e bem-sucedida carreira nos EUA. Depois de mais de 30 anos no ramo, ela garantiu papéis lucrativos nos novos filmes da franquia Avatar e no primeiro filme de super-heróis da Marvel com protagonista asiático, Shang-Chi. Ela sempre fala sobre a falta de representatividade asiática em Hollywood e, como embaixadora da boa vontade da ONU, atua para ajudar a erradicar a pobreza até 2030.

“A covid-19 afeta a todos nós, mas as mulheres estão arcando com o peso. Lembre-se: não estamos sozinhas. Se estivermos nos sentindo isoladas, devemos buscar apoio. Ter uma rede de apoio é mais importante do que nunca.”

94. Aisha Yesufu – Ativista, Nigéria

Twitter: @AishaYesufu

Aisha Yesufu é uma ativista nigeriana que exige um governo melhor em seu país. Ela é co-organizadora da campanha Traga de Volta Nossas Meninas, lançada em resposta ao sequestro de mais de 200 meninas de uma escola secundária em Chibok, em 2014, pelo grupo Boko Haram. Ela também foi uma participante proeminente em protestos levaram nigerianos às ruas para exigir responsabilidade da Força Policial Nigeriana, a começar pela dissolução do controverso Esquadrão Especial Anti-Roubo, acusado de assassinatos, estupros e roubos.

“Meu conselho para as mulheres é que ocupem plena e assumidamente o seu lugar no mundo. As mulheres devem parar de pedir um lugar à mesa — devem criar sua própria mesa.”

95. Gulnaz Zhuzbaeva – Ativista da área de pessoas com deficiência, Quirguistão

Instagram: @gulnazzhuzbaeva

No Quirguistão, existem mais de 5 mil pessoas com deficiência visual, mas muitos documentos governamentais importantes permanecem inacessíveis para elas. Gulnaz Zhuzbaeva, fundadora da federação de cegos do país, tem trabalhado para disponibilizar esses materiais em braille e melhorar outros pontos de acessibilidade. Sua equipe administra um programa para cegos a fim de fornecer-lhes o conjunto de habilidades necessárias para entrar no mercado de trabalho. Dos 22 adultos que concluíram o programa em 2020, seis já estão empregados com sucesso e dois estão cursando a universidade.

“A vida é cheia de desafios. Tome isso apenas como um dado.”

Mulheres escolhidas para o 100 Women 2020

96. Pardis Sabeti – Geneticista computacional, Irã

Twitter: @PardisSabeti

Pardis Sabeti é professora da Universidade Harvard, do Broad Institute do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e do Instituto Médico Howard Hughes. Ela contribuiu para estudos de genomas humanos e microbianos, teoria da informação e vigilância de doenças infecciosas rurais, além de esforços de educação na África Ocidental. Em 2014, integrou a equipe de combatentes do ebola eleita “Pessoas do Ano” pela revista Time, que também a incluiu em sua lista das “100 Pessoas Mais Influentes”. Ela é a apresentadora da série de vídeos educacionais Against All Odds e vocalista da banda de rock Thousand Days.

“Através de todos os desafios que enfrentaremos, a solidariedade e o riso com outras pessoas boas na luta por um mundo melhor são a chave para a nossa perseverança e o nosso sucesso.”

97. Erica Baker – Engenheira, Alemanha

Twitter: @EricaJoy

Erica Baker é diretora de engenharia do GitHub. A carreira de Erica em tecnologia começou há 19 anos, dando suporte técnico para a Universidade do Alasca, antes de se tornar funcionária do Google em 2006. Depois trabalhou no Slack e no Patreon, antes de passar pela Microsoft e pelo GitHub. Ela fez parte dos conselhos consultivos da Atipica e Hack the Hood, do Code.org Diversity Council, do Barbie Global Advisory Board, do Conselho de diretores da Girl Develop It e foi mentora técnica do Black Girls Code. Atualmente ela vive em Oakland, na Califórnia.

“O mundo mudou muito em 2020 e, conforme estamos reaprendendo o que significa ser altruísta, a importância do serviço e o valor da conexão, também estamos sendo lembrados de que o mundo não é um lugar justo para todos. Eu encorajaria as mulheres em todo o mundo a usarem o poder que têm para lutar por justiça, lutar pela liberdade e lutar para garantir que todos sejamos tratados com igualdade.”

98. Jane Fonda – Atriz, EUA

Na tela, Jane Fonda é uma atriz duas vezes vencedora do Oscar, reconhecida por seu trabalho em filmes icônicos como Klute – O Passado CondenaA Casa do Lago e Das 9 Às 5, para citar alguns deles. Atualmente, ela estrela a série da Netflix Grace and Frankie. Mas fora das telas, ela participa da vanguarda do ativismo social há mais de 50 anos, dando voz a causas que acredita, dos direitos das mulheres ao pagamento justo para trabalhadores que dependem de gorjetas.

“O mundo está esquentando mais rápido do que a ciência previu. A humanidade enfrenta uma crise existencial. Esta é uma solução coletiva. As mulheres entendem isso. As mulheres entendem que somos todos interdependentes. São elas que suportam o impacto da crise climática e são as responsáveis por nos conduzir às soluções. Vamos nos levantar para fazer isso.”

99. Cindy Bishop – Modelo e embaixadora da ONU, Tailândia

Instagram: @cindysirinya

Cindy Sirinya Bishop é modelo, atriz e apresentadora de TV, que também faz campanha pelo fim da violência contra as mulheres. Neste ano, ela foi nomeada embaixadora da boa vontade regional das Mulheres da ONU para a Ásia e o Pacífico, promovendo a igualdade de gênero por meio da educação, comunidades e governos. Ela fundou o movimento #DontTellMeHowToDress em 2018, depois que autoridades da Tailândia disseram às mulheres para não parecerem “sexy” se quisessem evitar serem abusadas sexualmente nos festivais tailandeses de Ano-Novo. Ela também é diretora da Dragonfly360, uma plataforma regional que defende a igualdade de gênero na Ásia, e está escrevendo uma série de livros infantis sobre segurança, direitos e relacionamentos respeitosos.

“O mundo mudou muito em 2020. Com as mudanças, vêm as oportunidades de progresso. Todos devem poder viver com igual dignidade e liberdade. Devemos continuar a inspirar a próxima geração de rapazes e moças.”

Publicada originalmente em : BBC

 

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Ataide Santos

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