Sociedade

Após dizer que Coronavac causa câncer e tem HIV, pastor é intimado a depor

Foto: reprodução/Facebook

O Ministério Público do Ceará pede que Davi Góes seja responsabilizado civil e criminalmente por divulgar ‘notícia inverídica’ sobre vacina

Carta Capital

O pastor de Fortaleza, Davi Góes, foi intimado a depor pelo Ministério Público do Ceará, após veicular vídeo que afirma que a vacina Coronavac, fabricada pela farmacêutica Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, causa câncer e tem HIV dentro dela.

O MPCE pede que o líder religioso seja responsabilizado civil e criminalmente por divulgar em rede social “notícia inverídica” sobre a vacina. O promotor de Justiça Ricardo Sant’Anna deu um prazo de 15 dias para que o pastor apresente “suas capacitações técnicas, científicas, sanitárias ou médicas” que possam “credenciá-lo como especialista qualificado a emitir análise sobre o tema abordado por ele”.

No vídeo que circulou nas redes, o pastor fala que, de acordo com um cientista francês, que ele não cita o nome, o vírus da Covid-19 teria sido criado na França, enviado posteriormente para a China, aprimorado no País, e então disseminado.

“Muitas pessoas vão morrer de câncer, achando que foi câncer porque comeu alguma coisa, porque foi hereditário, porque tem família, por causa de um tumor, mas na verdade foi por causa da vacina. Depois que essa substância entrar no nosso organismo vai atingir o nosso DNA, um cientista francês disse que até HIV tem dentro dela”, diz em um trecho do vídeo, sem apresentar embasamento científico.

Após a veiculação do vídeo, o pastor chegou a afirmar que suas falas foram tiradas de contexto. Na intimação do Ministério Público, é solicitado ainda o vídeo completo em que Davi Góes cita a vacina chinesa.

Anvisa concede certificação de boas práticas à fábrica da Coronavac

Na segunda-feira 22, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeuuma certificação de boas práticas à Sinovac, parceira do Instituto Butantan na produção da Coronavac. A vacina, em fase final de testes, poderá ser usada para imunização contra o novo coronavírus.

Válida por dois anos, a certificação é um dos pré-requisitos para a continuidade tanto do processo de registro da vacina da Sinovac quanto de um eventual pedido de autorização de uso emergencial que venha a ser apresentado à agência reguladora.

A fábrica da Coronavac na China foi inspecionada por uma comissão da Anvisa entre 2 a 13 de dezembro. Na quarta-feira 16, o Instituto Butantan apresentou um plano de ação à agência reguladora, o que permitiu a conclusão do processo. A avaliação técnica da equipe inspetora e a revisão da análise foram realizadas e concluídas pela Anvisa no domingo 20.

O governo do estado de São Paulo vai apresentar o ensaio completo da vacina na quarta-feira 23 e pedir o registro definitivo do imunizante chinês na Anvisa.

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