Racionamento começa hoje em três regiões do Distrito Federal

Começou hoje o primeiro racionamento de água da história do Distrito Federal. Aproximadamente 1,8 milhão de pessoas serão afetadas de imediato. Nas primeiras cidades atingidas, moradores e comerciantes já estão cientes do rodízio no fornecimento e da necessidade de economia. Alguns, inclusive, passaram o domingo enchendo baldes por segurança, apesar de a Companhia de Saneamento Ambiental (Caesb) não recomendar o estoque.

As primeiras regiões administrativas impactadas pelo racionamento são Ceilândia, Recanto das Emas e Riacho Fundo II, todas abastecidas pelo Barragem do Descoberto. No total, 15 cidades terão de economizar o consumo de água por causa do nível crítico do reservatório. A última vez que a barragem apresentou volume tão baixo foi em 19 de novembro do ano passado (19,3%).

Logo cedo, a partir das 8h, o rodízio começa seguindo um ciclo de seis dias. Na prática, serão 24 horas de interrupção completa, dois de estabilização e três de fornecimento normal. No sétimo dia, o corte volta a acontecer.

Morador de Ceilândia, o optometrista Beto de Oliveira, 44 anos, admite que o consumo da população é inconsciente. “Em geral, o brasileiro não economiza. Não pensa no coletivo”, lamenta ele, que tem caixa d’água em casa.

“Mesmo assim, faço de tudo para racionalizar. Tomo banhos rápidos, aproveito a água da chuva, fecho a torneira na hora da lavar a louça e lavo os carros com o mínimo de água possível. A gente nunca acha que vai acontecer na nossa cidade, mas acontece. É só uma questão de tempo. Se não tiver consciência, vai ser ainda pior”, afirmou.

Pai de três crianças, Beto ressalta ainda a importância de educar os filhos sobre a questão. “Esses dias, meu caçula que me alertou sobre a torneira que estava aberta. Isso vem de berço e também vale para a economia de luz. É um trabalho de formiguinha, todos precisam fazer a sua parte”, concluiu o optometrista, que pretende fazer um sistema de captação de água em casa.

Dificuldades na rotina

Também moradora de Ceilândia, a auxiliar de serviços gerais Ana Caroline da Silva de Paiva, 29 anos, está preocupada com a rotina da família nesta semana. Por isso, achou melhor separar três baldes grandes de reserva para não passar dificuldade. Ela conta que não tem caixa d’água em casa e seu gasto é alto por causa dos dois filhos, um bebê de um ano e outro de sete.

“Tenho que lavar meu uniforme e o do meu marido quase todos os dias. Além disso, meu bebê está começando a engatinhar e suja roupa o tempo todo. Sem contar o calor que está fazendo, né? Meu esposo mesmo toma uns três banhos por dia”, confessa.

Ana Caroline também separou água em vasilhas menores para fazer a comida e, apesar do esforço, acredita que o racionamento é correto. “A culpa é nossa. Uma hora íamos ter que pagar pela nossa falta de economia. Eu fico o tempo todo monitorando”, concluiu.

Amanhã
(17 de janeiro)

Interrupção: Vicente Pires, Colônia Agrícola Samambaia, Vila São José, Jóquei, Santa Maria, DVO, Sítio do Gama, Polo JK e Residencial Santa Maria
Religação e estabilização: Ceilândia Oeste, Recanto das Emas e Riacho Fundo II

Quarta-feira
(18 de janeiro)
Interrupção: Gama
Religação e estabilização: Vicente Pires, Colônia Agrícola Samambaia, Vila São José, Jóquei, Santa Maria, DVO, Sítio do Gama, Polo JK, Residencial Santa Maria, Ceilândia Oeste, Recanto das Emas e Riacho Fundo II

Originalmente por: Jornal de Brasília

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