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O QUE IMPORTA É GOZAR, NÃO IMPORTA POR ONDE

Por – Ataíde Santos

Nas últimas semanas temos vivido dias de pânico e incertezas. De medo da única certeza que temos.

O Brasil,  país tido até então como terra de gente alegre e solidária, de fé em um Deus magnânimo, foi aos poucos e sob nossos olhos se transformando nesse arremedo de pátria amada. Afirmam, que sempre fomos o que hoje mostramos, só deixamos cair a máscara. Sou romântico, creio que fomos treinados para ser assim como não somos em essência, por isso sofremos tanto.

As pessoas perderam o prazer de ser brasileiro, o orgulho de ter nascido na terra de Iracema, de Pelé, de Senna.

Transformados por uma estranha fé, iniciou-se o processo  de preconceitos, religioso, social, político, de gênero…

Já não se tem prazer de viver,  se não, embriagados, “chapados” e ou hipnotizados pelo,  eu sou melhor do que você,  estou do lado do fulano e ou possuo mais que você. Mas nada disso nos dá prazer; nos trás pequenas satisfações ou mesmo a sombra delas.

Não gozamos mais. Onde  está o prazer do papo da esquina,  da visita ao amigo, que agora está do outro lado da trincheira onde habito?

O adversário político de antanho é hoje o inimigo figadal a quem extirparemos da sociedade na primeira oportunidade que tivermos.

Cadê as cadeiras nas calçadas?  Já não gozamos mais a companhia de quem prezamos, nem temos abraços calorosos e olhares cúmplices dos amigos.

Mas a natureza, Ah! a natureza…  Essa sim, sábia, de um momento para outro numa jogada de mestre, nos expõe a uma situação de  isolamento individual ou grupal, onde somos levados a refletir se de vale a pena tudo isso que fomos e somos “obrigados” a viver.  E o meu amigo de infância? Valeu a pena me afastar dele porque defendeu cores diversas da minha?  E a primeira namorada, meu primeiro amor, tornarei  a vê-la?

Nada vale a pena se não pode ser vivido. Ao final, “morreremos todos,” voltaremos de onde viemos” (Epicteto), mas gozamos o suficiente, o necessário para evoluirmos como pessoas, não como profissionais, mas como gente?

O importante é gozar, não importa por onde, por telefone, por e-mail, instagran,  pelo olhar surpreso do ente querido,  pelo olhar de compreensão da professora ou de gratidão do aluno.

Pela serenidade da nova chefe que a todos comanda naquela jornada de trabalho e que sabe ter reconhecido sua competência e valor na tarefa cotidiana na empresa. Pelo aplauso eufórico e pelo curvar envaidecido do artista… Pelo orgulho do filho diante de seu herói ou no grito mais que orgulhoso no golaço do filho.  No beijo afetuoso da filha ao ver seu próprio filho nos braços carinhosos do avô… E deixamos de gozar tudo Isso…

Voltaremos de onde viemos, mas… já?

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