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Dinheiro entre as nádegas era para pagar funcionários, diz defesa de Chico Rodrigues

Reprodução/Twitter

Ex-vice-líder de Bolsonaro no Senado alega que dinheiro encontrado em suas partes íntimas é lícito e que o escondeu de maneira “impensada”

O senador afastado Chico Rodrigues (DEM-RR), ex-vice-líder do governo Bolsonaro no Senado, se pronunciou pela primeira vez nesta segunda-feira (19), através de sua defesa, sobre a operação da Polícia Federal realizada na última semana que encontrou dinheiro escondido entre suas nádegas.

Segundo a defesa do parlamentar, os cerca de R$30 mil encontrado pelos policias em entre suas nádegas e sua cueca são recursos lícitos que seriam utilizados para o pagamento de funcionários de uma empresa da família. “O senador jamais sofreu qualquer condenação, ao longo de todos esses anos que se dedicou a vida pública, e agora está sendo linchado por ter guardado seu próprio dinheiro. Foi uma reação impensada, de fato, mas tomada diante de um ato de terrorismo policial, sem que haja qualquer evidência de desvio em sua conduta”, escreveram os advogados.

“Ter dinheiro lícito em casa não é crime. O único ato ilícito deste caso é o vazamento dos registros da diligência policial arbitrária que ele sofreu”, completaram os defensores.

Rodrigues é alvo de uma investigação que apura desvios de recursos para o combate à Covid-19 em Roraima através de contratos irregulares, que teriam chegado ao sobrepreço de quase R$1 milhão. Ao todo, foram encontrados e apreendidos R$100 mil na casa do bolsonarista.

Na tarde desta segunda-feira (19), Chico Rodrigues, após pedido formal, foi afastado do Conselho de Ética do Senado, órgão em que era titular. Por conta das investigações da PF, ele é alvo de uma representação no próprio Conselho que pode cassar seu mandato.

Afastamento

Na última quinta-feira (15), o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu afastar Rodrigues por 90 dias de suas funções no Senado. “Diante da não configuração de situação de flagrância e da fundada dúvida sobre a possibilidade de decretação de prisão preventiva, impõe-se o afastamento do senador da função parlamentar, de modo a impedir que se utilize de seu cargo para dificultar as investigações ou para, ainda mais grave, persistir no cometimento de delitos”, determinou o ministro.

Barroso ressalta que há indícios de participação de Rodrigues em organização criminosa voltada ao desvio de valores destinados ao combate à pandemia e cita que “no momento da realização de busca e apreensão em sua residência, o parlamentar escondeu maços de dinheiro em suas vestes íntimas”. Ele determinou a retirada do sigilo das investigações, mas manteve os vídeos da operação em caráter restrito para evitar “humilhação pública” do investigado.