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Às vésperas das eleições, Bolsonaro resgata fake news do Kit Gay

Reprodução/YouTube

O presidente ainda voltou a utilizar termo que evoca tortura ao comentar sobre discussão de gênero

Por Lucas Rocha

O presidente Jair Bolsonaro voltou a falar no suposto “kit gay” durante sua live semanal realizada nesta quinta-feira (12), a três dias das eleições municipais de 15 de novembro. Ao lado da ministra Damares Alves, Bolsonaro comentava sobre discussão de gênero nas escolas.

A dupla foi instigada a falar sobre o assunto, que mobiliza a base mais radical do bolsonarismo, através de uma pergunta lançada pelo programa Pingo nos Is, da Rádio Jovem Pan. O presidente concede aos apresentadores do programa espaço para perguntas.

Um dos membros da equipe questionou Damares sobre o uso de neutralidade de gênero nas escolas, o que provocou repúdio da ministra e a ira do ex-capitão.

“Isso é uma palhaçada. Sabe como a gente vai combater a discriminação? É com educação e direitos humanos do jeito que estamos fazendo. Essa história de mudar palavras no Brasil soa como uma grande palhaçada. Eu estou ficando horrorizado com a qualidade das escolas tradicionais hoje em dia”, disse a ministra.

O presidente foi ainda mais verborrágico para tratar sobre o tema, como se esse fosse o maior problema do Brasil em meio a uma pandemia de um vírus fatal que já matou mais de 162 mil brasileiros. Ele considerou a situação como “um crime”.

Segundo o ex-capitão, a suposta “doutrinação” que ele diz combater transforma os estudantes em “analfabetos funcionais”, sem apresentar qualquer argumento que comprove a tese. “Vai fazer o que da vida? Não vai ser útil. Como vai ser um cidadão se preocupando com esse tipo de besteira? Além de uma palhaçada é um crime o que esse pessoal faz”, disse.

Em seguida, ele evocou a fake news do kit gay, bastante usada por ele e apoiadores nas eleições de 2018 e ainda voltou a usar o termo “ponta da praia”, que remete à tortura no período da ditadura militar.

“Eu combati no passado, descobri o kit gay. A culpa não é do gay. O cara que opta por isso, que quer ser gay, poxa, ninguém tem nada a ver. Ele vai ser feliz da sua maneira. E nós, obviamente, não podemos voltar a nossa política para potencializar uma questão de gênero, achar que a pessoa é melhor que a outra. Ou achar que a minha filha de 10 anos pode ser menino quando tiver 13. Vai pra ponta da praia, pô! Não tem cabimento! Que país é esse!?”, declarou.

Por fim, ele relacionou a situação com o comunismo. “Ficam doutrinado a molecada, não aprende bulhufas, não sabe de nada, um analfabeto, aí cresce e fica lutando por divisão de renda. Não produz nada e quer dividir renda. E nós sabemos que o comunista e o socialista quer dividir renda”, completou o presidente da República.