Participantes do Hack Town lotam bar para compartilhar e aprender com história de fracassos

Um bar lotado, muitas risadas e o microfone passando de mão em mão. Quem vê de longe, pode até pensar que aquele amontoado de pessoas está contando as mais diversas histórias de sucesso. Mas o que estava acontecendo era justamente o contrário. O grupo de profissionais e estudantes se juntou, na noite desta sexta-feira (7) em Santa Rita do Sapucaí (MG), justamente para contar os fracassos pessoais.

O encontro mediado pelo museólogo mexicano Nestor Abud foi uma das últimas atividades oficiais do dia de abertura do festival. Com um sotaque marcado, ele abriu a noite não só explicando como seria a atividade, mas contando de seus próprios fracassos e arrancando risadas da plateia.

Na verdade, o fracasso é muito silencioso, cria medo, você passa vergonha, paralisa. E a gente tem que focar em compartilhar. Primeiro porque temos que reconhecer que as pessoas não são só sucesso. Isso é uma parte de nós – diz Abud.

O mexicano ressalta também a utilização da experiência como forma de aprendizado. “O fracasso tem muito poder criativo, muita força criativa, mas como ninguém fala, ninguém expõe publicamente isso, a gente perde tudo. Perde toda essa potência que a gente tem”.

Por fim, o próprio Nestor Abud contou o que considera seu fracasso mais recente.

“Eu já fracassei várias vezes. O último que tive é que não consegui estar no casamento de um grande amigo meu. Eu escolhi viajar e, para mim, foi um fracasso no final. Eu sei que dói, mas acho que isso ainda vai virar alguma coisa no final”, afirmou.

Nestor Abud falou sobre a importância de aprender com os fracassos (Foto: Régis Melo)

Depoimentos

Com o microfone passando de mão em mão, não foi difícil escutar histórias de relacionamentos que deram errado, de profissional que passou anos insatisfeito com o salário simplesmente porque não tinha coragem de pedir um aumento, ou até de coisas pequenas, com um problemas com a estrutura de uma casa ou uma interação instantânea que deu errado.

A estudante Daniele Nazaré falou sobre a frustração com um relacionamento gerado online.

“Eu estava no fundo do poço, aí abri o Tinder e vi que eu tinha direito a um superlike. Como eu não tinha nada, só tinha superlike, comecei a usar todo dia. Aí dormi e quando acordei, curti o moço. Ele veio me cantando, passou uma semana, me pediu em namoro. Passou duas semanas, tudo bem. Na terceira semana, acabou. Não deu nada”, disse, em meio a risos.

Alguns menos tímidos, até se repetiram para contar histórias de insucessos, como o ilustrador Lucas Fontana, que depois contou o que considera seu maior fracasso.

“Eu sempre adorei desenhar e era algo que eu fazia com amor, com sentimento. Eu desejei trabalhar com isso e, ao longo da jornada, consegui. E era muito bom. Mas agora chegou o momento que eu não consigo mais desenhar para mim, e eu sinto que isso é um fracasso muito grande. Eu vivo desenhando para os outros, e eles adoram, mas não tenho mais vontade de desenhar para mim”, relatou.

 
Lucas contou de problemas para desenhar para si mesmo. (Foto: Régis Melo)

Por fim, o escritor e palestrante Bruno Dreher relatou como superou um momento complicado na vida.

“Ano passado eu passei por um momento super díficil, que foi superar uma depressão. O fracasso de você cair no fundo de si mesmo é doloroso e complicado de lidar. [Superei] com terapia. A gente tem que encarar como é mesmo, como uma doença”, concluiu.

Fonte: G1

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