Parceria entre sociedade e governo renova a parada de ônibus da 508 sul

Incomodada com o péssimo estado de conservação da parada de ônibus da 508 Sul e com a falta de conforto dos usuários, a assistente social Solange Madeira, 62, encabeçou uma proposta de revitalização do espaço. Com a parceria e o apoio do Governo do Distrito Federal, da comunidade e da designer Viviane Dourado, o projeto ganhou vida e, desde o último dia 13, a parada da W3 está completamente de cara nova.

“Um dia, deixei meu carro em casa e optei por pegar um ônibus para ir ao shopping. Quando cheguei à parada, vi o banco quebrado, as paredes pichadas e o odor de urina era fortíssimo”, conta Solange. Decidida a mudar a situação do local, ela entrou em contato com a artista Viviane — que já havia pintado e restaurado várias paradas no Cruzeiro Velho, há cerca de quatro meses — e, juntas, bolaram o plano para levar a ideia à Administração de Brasília.

Apresentado, o projeto foi logo aceito e o órgão se prontificou a ajudar. Para colocar a proposta em prática, foram convidados reeducandos da Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso do Distrito Federal (Funap) para ajudar a colorir as paredes, a podar as árvores da localidade e a consertar a calçada em volta da parada. Concluídas tais etapas, Viviane deu início à decoração. Dessa vez, optou por fazer a arte em forma de mapa. Após estudar a região, representou os pontos históricos da quadra, porta de entrada para a 308 Sul, considerada quadra modelo de Brasília (veja quadro). Em dez dias, já estava tudo pronto.

“Levei um susto quando cheguei aqui e vi a parada toda arrumada”, lembra Marly Gomes, de 38 anos. Ela é cuidadora de idosos e passa por ali diariamente, para ir e voltar do trabalho. “Isso aqui antes era imundo, cheirava a urina e tinha buracos enormes na calçada. Inclusive, uma vez, quando eu ainda estava grávida, caí em um buraco e bati com a barriga no chão”, relembra. Agora, Marly se encanta com o espaço que, segundo ela, está mais confortável e transmite mais segurança. “Passo pelo menos uma hora, ou duas, nessa parada, então, é muito melhor agora, que consigo ter conforto enquanto espero o ônibus.”

Tanto Solange quanto Viviane afirmam que o trabalho foi gratificante e esperam inspirar outras pessoas a tomarem atitudes semelhantes para repaginar outros espaços da cidade. “Esse trabalho foi feito para as pessoas se sentirem bem, e só foi possível por causa das parcerias que nós conseguimos. As tintas, por exemplo, foram doadas pelos comerciantes daqui. Eu não teria conseguido fazer essa mudança sozinha”, emociona-se Solange. A única coisa que as duas esperaram da população, além do desfrute do espaço, é que a arte e o trabalho sejam respeitados. “A gente pede encarecidamente que não colem cartazes ou pichem as paredes; que não joguem lixo no chão, e que os cidadãos sejam os vigilantes daqui”, conclui Viviane.

Originalmente por: Correio braziliense
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