Ocupação de espaços públicos para prática esportiva é debatida na Câmara

Participantes querem ampliação de espaços para esportes
A ocupação de espaços públicos para práticas de esportes foi um dos temas discutidos na tarde desta sexta-feira (19) em audiência pública sobre a real condição do esporte no DF. O coordenador do debate, deputado Chico Vigilante (PT), defendeu o uso de vilas olímpicas e das escolas públicas durante os finais de semana para a prática de atividades esportivas e de lazer.
“A transversalidade entre cultura, esporte e lazer deve ser tratada como um direito das pessoas e não sob a perspectiva de redução da violência” em lugares considerados perigosos, defendeu o coordenador da Rede Urbana de Ações Socioculturais (Ruas), Max Maciel. Segundo ele, novas funções sociais para espaços públicos, como ocorreu na Praça do Cidadão, em Ceilândia, “requalificam os espaços, não no sentido da urbanização, mas como humanização dos territórios”. A praça, antes abandonada e deteriorada, foi recuperada pelo movimento Ruas para prática de basquete, skate e “parkour”, entre outras atividades _ e hoje é um local permanentemente ocupado pelos jovens daquela cidade, de acordo com Max.
Em Planaltina, de acordo com o diretor da liga de futebol daquela cidade, Josemar Nunes de Moraes, não há mais campos públicos disponíveis. “O único campo de várzea que havia foi desativado”, afirmou, ao acrescentar que a cada ano diminui a quantidade de praticantes, devido aos altos custos de manutenção dos times.
A aplicação das verbas públicas na área de esportes é “seletiva” e prioriza o esporte de alto rendimento, o qual atende apenas 10% da população. A análise foi apresentada pelo coordenador do grupo de pesquisa em educação física, esporte e lazer da Universidade de Brasília (UnB), Fernando Mascarenhas.
O professor defendeu a inversão da prioridade das políticas de esporte. Disse que os recursos gastos para a construção do estádio Mané Garrincha representariam a aplicação de 24 anos em políticas de esporte em todo o DF. As políticas públicas deveriam contribuir para a “cidadania esportiva”, segundo ele, pautada pela universalização do acesso, participação e autonomia da população.
Recursos federais – Programas, infraestrutura e aplicação de recursos públicos formam o tripé das políticas voltadas para o esporte em âmbito federal, de acordo com o representante do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte (CBCE), Pedro Athayde. Ainda que na última década o esporte no País tenha tido bastante evidência na agenda pública, os recursos destinados à área ainda são pequenos se comparados aos demais ministérios, destacou.
Também participaram da audiência a subsecretária de Políticas de Esporte e Lazer do DF, Ricarda Lima; o subsecretário de projetos da Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos, Luiz Bateli, além de praticantes e instrutores esportivos.

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