No DF, só um em cada quatro alunos estuda na rede pública

Nem a correria do dia a dia nem as dificuldades financeiras impediram Eduardo Gabriel de Moura, 24 anos, de buscar uma faculdade. Assim que terminou o ensino médio, ele se inscreveu para o vestibular de contabilidade e já são quase quatro anos em uma instituição privada. Ele é exemplo da estatística divulgada pelo Censo da Educação Superior de 2016, divulgado pelo Ministério da Educação (MEC), que aborda que, no DF, são quatro estudantes da rede privada para um da rede pública.

Na capital, só há três instituições ligadas ao governo: Universidade de Brasília (UnB), Instituto Federal de Brasília e a Escola Superior de Ciências da Saúde (Escs), vinculada à Secretaria de Saúde. Assim, não foi difícil que o Distrito Federal conseguisse o segundo lugar no País nessa discrepância entre matrículas públicas e privadas.

Na comparação entre os alunos das duas redes, o DF perde apenas para São Paulo, onde para cada estudante da rede pública existem quatro matriculados na particular. A média nacional dessa diferença é de 2,5 alunos.

Superação

Sem conseguir uma vaga na UnB, Eduardo Gabriel, morador da Estrutural, precisava trabalhar para se sustentar, pois em casa apenas ele e a mãe têm emprego. Com esforço, antes do fim da faculdade, ele garantiu uma vaga no departamento pessoal de uma empresa no Guará e espera, após o término do curso, poder crescer profissionalmente ainda mais. “A faculdade abre os olhos e traz oportunidades, tanto pessoais como profissionais. São novos horizontes”, afirma.

Emília Maria Soares, 35, já tem uma graduação, mas desejava mudar de ramo e decidiu fazer um segundo curso. Ela quer deixar de ser contadora e virar advogada. A primeira vez que ela pisou em uma faculdade foi em uma instituição pública de Minas Gerais, resultado de muito esforço. Emília lembra que foi uma oportunidade única e não se arrepende. Agora, ela vive a experiência do ensino privado.

Para a estudante, a maior diferença entre instituições públicas e privadas é que, na primeira, há uma preocupação maior com formação profissional das pessoas, enquanto, na segunda, é necessário se esforçar para obter esses resultados. “A universidade pública é mais integrada. Não há uma preocupação em só se ter o diploma”, avalia. Para o futuro, ela deseja se especializar na área do direito familiar e no trabalhista.

Governo constata estagnação

No cenário nacional, o ensino superior estagnou em 2016. O volume de alunos matriculados em faculdades e universidades do País foi praticamente o mesmo do ano anterior. O total de novos alunos em cursos presenciais caiu.

No ano passado, o País registrou 8,05 milhões de estudantes em cursos de nível superior (presencial e a distância), contra 8,03 milhões em 2015. Uma variação de apenas 0,2%.

A ampliação no total de alunos já havia desacelerado em 2015, quando as matrículas cresceram só 2% com relação ao ano anterior. Comportamento que não era tão ruim desde 2009. Mas essa estagnação em 2016 indica o pior cenário de matrículas pelo menos desde 2006. De 2006 a 2015, o total de alunos cresceu, na média, 6% ao ano.

Essas reduções ocorrem na esteira da crise econômica e do desemprego. O enxugamento do Fies (programa de Financiamento Estudantil), promovido nos governos Dilma Rousseff e Michel Temer, também impactaram nos resultados.

PONTO DE VISTA

“Hoje, quem forma no País é a instituição privada. Há algum tempo vivemos isso. Agora, com a institucionalização da educação à distância, que cresce exacerbadamente, há um caos, pois muitos não entenderam o que significa essa educação. Não é a venda de produtos ou informações, é formação profissional. Isso pode fazer com que o País não tenha crescimento do ensino com qualidade”, entende a especialista em educação da Universidade de Brasília, Carmenísia Jacobina Aires. A também integrante do Conselho Distrital de Educação avalia que os dados são lamentáveis, pois mostram que o setor público não tem investimento suficiente, deixando nas mãos das instituições privadas a formação educacional dos brasilienses. Para ela, a única maneira de inverter essa situação é fazer uma melhor gestão das universidades e investir mais na educação pública. Carmenísia Jacobina diz que, para a melhora da UnB, é preciso aumentar a quantidade de campi, pois os existentes não são mais suficientes.

Fonte: JB

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