Línguas brasileiras

ESPECIAL INDÍGENAS - ENTREVISTA IZAHY

Nos próximos 15 anos, o Brasil corre o risco de perder até 60 diferentes línguas indígenas – o que representa 30% do total estimado de idiomas falados pelas diversas etnias no país. Na avaliação de especialistas ouvidos pela Agência Brasil, isso representa uma perda irreparável tanto para as culturas indígenas quanto para o patrimônio linguístico cultural mundial. Eles também defendem que esses idiomas que levaram séculos para se desenvolver são fundamentais para a manutenção de outras manifestações culturais, como cantos e mitos.

Apesar de algumas iniciativas isoladas de valorizar as línguas desses povos – como a do município de São Gabriel da Cachoeira (AM) que, em 2002, tornou o tukano, o baniwa e o nheengatu línguas co-oficiais da cidade – estima-se que mil idiomas indígenas brasileiros tenham sido extintos nos últimos 500 anos. Na maioria dos casos, isso ocorreu com a extinção da comunidade de falantes, ou seja, dos próprios índios. Hoje, entretanto, o maior risco não está mais no extermínio da população indígena, mas sim nos processos de escolarização, na exploração da mão de obra e inclusive nos programas sociais que favorecem a entrada da televisão em todas as aldeias. Para os indígenas, o idioma materno é um instrumento de autoafirmação da identidade e da cultura. No Rio de Janeiro, em uma área de proteção ambiental, um grupo de 60 índios usa sua própria língua, o guarani, como forma de manter tradições e se comunicar.Atualmente, apenas cinco das cerca de 200 línguas indígenas faladas no Brasil têm mais de 10 mil falantes.

Línguas indígenas como o tupi deram importantes contribuições ao português. Durante as primeiras décadas de ocupação portuguesa,

o tupi antigo foi a principal língua de comunicação entre índios, europeus e uma geração de brasileiros mestiços que começava a povoar o território nacional. Mas perdeu a força em meados do século 18, quando o então primeiro-ministro português, Marquês de Pombal, proibiu o uso e o ensino do tupi no Brasil e decretou o português como língua oficial. Há ainda línguas indígenas que, por sua complexidade e dinâmica, acabaram virando objeto de estudo e desafiaram teorias consagradas da linguística, caso da língua pirahã.Apesar de a Constituição garantir uma educação diferenciada aos indígenas, com escolas próprias que ensinem o idioma nativo, uma série de dificuldades estruturais comprometem a qualidade desse ensino. Faltam professores treinados e material didático, por exemplo. Diante disso, muitos jovens passam a frequentar escolas urbanas.O governo afirma que tem buscado investir na formação de professores indígenas para garantir que a língua materna seja passada para as crianças nas escolas. O Ministério da Educação (MEC) também alega que tem investido na pesquisa e documentação de línguas indígenas, na preparação de materiais didáticos e na construção de escolas destinadas a esses povos. Para o diretor do Museu do Índio, entretanto, a forma como as escolas nas aldeias são estruturadas não contribui para a preservação da cultura e da língua desses povos.

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Judah

XAVANTE

Família: jê (tronco macro-jê)
Falantes: 13.300
Localização: leste do Mato Grosso

Vocabulário:
água – â; â’rehâ (água funda); u (água parada); âze (água adoçada)
árvore; madeira – wede
casa – ‘ri; danhorõwa
chuva – tã; ùsu (chuva constante)
comida – dasa; mra
criança; filho (a) – da’ra
estrela – wasi
flecha – po (para caçar animais grandes); po’ore (para caçar animais pequenos); ti (para caçar pássaros); ariwede (para pescar)
fruta – rob’rã
idioma – damreme
jacaré – aihâ’ré
lua – a’amo; a’amo’a (lua cheia)
mãe – dana
não – ma
onça – hu
pai – damama
papagaio – waihârâ
rio – pa; pi’re ba (rio abaixo); sãrã u (rio acima); panho’u (rio largo)
sim – ĩhe
sol – bâdâ
vento – rowa’u

Fonte: Pequeno Dicionário Português-Xavante

KAINGANG

Família: jê (tronco macro-jê)
Falantes: 22 mil
Localização: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo

Vocabulário:
água – goj; nig sá (água funda); fãpri (água limpa)
amor – fe pẽ
árvore – ka
casa – ĩn
chuva – ta; gãr tánh kã me (chuva com sol); ta krig (chuva com vento); nãfy (chuva de pedras)
comer – jẽn (verbo intransitivo); kukrũ ko (verbo intransitivo); ko (verbo transitivo); kurin (comer farinha com carne)
criança – gĩr
estrela – krĩg
filho – kósin
flecha – na; no; no rẽ (flecha com espinhos)
fruta – kanẽ
língua – ñunẽ
lua – kysã
mãe – mỹnh; nỹ
não – tũ; vó
onça – mĩg
pai – jóg; panh
rio – goj
sim – hỹ
sol – rã
vento – kãka

Fonte: Dicionário Kaingang-Português.

GUAJAJARA

Família: tupi-guarani (tronco tupi)
Falantes: 9.500
Localização: Maranhão

Vocabulário:
água – ‘y
amar – uzamutar; waihu
árvore – ywyra; ‘igaràn (árvore usada para fazer tinta de pintar cuias)
casa – tàpuz
chuva – àmàn
comer – umai’u; u’u
criança – kwarer
estrela – zahytata
flecha – u’yw
fruta – ma’ywa
jacaré – zakare
língua – iapeku
lua – zahy; huwahu (lua cheia); zahy ruwaka’i (lua minguante)
mãe – ihy
não – nan
onça – zàwàruhu
pai – tu
papagaio – azuru
rio – ‘yrykaw; yapyr rupi (rio abaixo); ‘y iapy rupi (rio acima); yryhu (rio grande; mar)
sim – eru’u
sol – kwarahy
vento – ywytu; ywytuàiw (vento forte)

Fonte: Dicionário Guajajara-Português.

TUPI ANTIGO

Família: tupi-guarani (tronco tupi)
Falantes: nenhum, já extinta
Localização: quase todo o litoral do Brasil no século 16

Vocabulário:
água; rio – ‘y
árvore; madeira – ybyrá
casa – oka
chuva – amana
comida – mbiú
criança – pitanga
estrela – îasytatá
filho – membyra
flecha – uuba
fruta – ‘ybá
jacaré – îakaré
língua – nhe’enga
lua – îasy
mãe – sy
mar – pará; paranã
não – aan
pai – tuba
peixe – pirá
pequeno – mirim
onça – îagûara
sim – pá
sol – kûarasy
vento – ybytu

Vocabulário Tupi Português

PARESI-HALITI

Família: aruak
Falantes: 1.300
Localização: Mato Grosso, a oeste de Cuiabá

Vocabulário:
água; rio – one
árvore – atya
casa – hati; ehana
comida – kanakairoare
criança – xoima; exoimala; ohiromokose (menina)
estrela – xorese
flecha – koré
fruta – atyali; enexona (fruta madura); manakairatyakahaliri (fruto não comestível)
linguagem – exako
jacaré – iyakare
lua – kaimare
mãe – inityo
onça – jini
pai – enexe
papagaio – kolokote (espécie papagaio-verdadeiro)
peixe – okare; walakore
rio – one; kaloxere (rio maior; lago maior)
sol – kamai
vento – hoholati; kinatyawiniti (vento forte)

Fonte: Dicionário Paresí-Português.

APALAÍ

Família: karib
Falantes: 300
Localização: noroeste do Pará, na fronteira com Suriname

Vocabulário:
água – tuna; opotunu (água correndo); pohkurõme (água funda); iparunu (água mansa); isararame (água rasa)
árvore – aramari apo; mopytyky; wewe; surizuru (árvore boa para canoa)
casa – tapyi
comida – inapyry; zoty
criança – poeto
estrela – xirikuato
flecha – pyrou
fruta – epery; zusery (fruta verde)
jacaré – kururuimo; zakare
lua – nuno; zumome (lua cheia)
mãe – ẽ; eny
onça – kaikuxi; pianoimo; kapauiko (onça parda)
pai – papa; kumy (nosso pai); omy (seu pai); jumy (pai dele); zumy (pai dele)
papagaio – parawa; sorosoro (papagaio verde)
peixe – arumaxi; kana; pore; sãsawa
rio – paru; ikurenaka (rio abaixo); monikahpoe (rio acima); zueme (rio alto); zueme (rio cheio);
tunãpo (rio velho)
sol – xixi
vento – tyryrykane; anonokane (vento lento)

Fonte: Dicionário Kaingang-Português.

INFLUÊNCIAS

Português:
Arara – vem de arara
Carioca – vem de kariîó (índio guarani) e oka (casa)
Capivara – vem de kapibara
Caju – vem de akaîu
Cupim – vem de kupi’i
Curumim – vem de kunumim/kurumin (menino)
Cutucar – vem de kutuk (espetar)
Jacaré – vem de îakaré
Jaguar – vem de îagûara
Mandioca – vem de mandioka
Maracujá – vem de murukuîá
Oca – vem de oka (casa)
Paca – vem de paka
Pajé – vem de paîé (curandeiro)
Pará – vem de pará (mar; rio grande)
Pereba – vem de pereba (ferida)
Pindaíba – vem de pinda ‘yba (vara de pescar)
Pipoca – vem de pira (pele) e pok (estourar)
Piranha – vem de pirá (peixe) e ãîa (dente)
Pororoca – vem de pororok (que significa explodir)
Quati – vem de kuati
Taba – vem de taba (aldeia)
Tatu – vem de tatu
Tijuca – vem de ty (rio; água) e îuk (podre)
Tucano – vem de tukana
Urubu – vem de urubu
Xará – vem de xe (meu) e era (nome)

 

Fonte: Agencia Brasil

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