Justiça

Mulher detida por tentar impedir prisão de Renan Sena é servidora do Tribunal de Justiça do DF

                Fachada do Departamento de Polícia Especializada (DPE) do Distrito Federal — Foto: Dênio Simões/Agência Brasília

Por Afonso Ferreira e Carolina Cruz, G1 DF

Uma servidora do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDFT) foi presa no último domingo (14) por desacato e resistência o tentar impedir que o ex-funcionário do governo federal Renan Sena – apoiador do presidente Jair Bolsonaro – fosse detido. Conceição Lucinete de Andrade dirigia o veículo onde ele estava e chegou a colidir contra o carro da Polícia Civil, segundo a corporação.

Sena foi autuado por injúria e calúnia contra autoridades dos Três Poderes. Ele também é suspeito de participar de uma ação que lançou fogos de artifício contra o Supremo Tribunal Federal (relembre o caso abaixo). Ele foi liberado após assinar um termo de comparecimento em juízo.

Já Conceição, saiu da prisão após pagar fiança de R$ 1,5 mil. O G1 tenta contato com a defesa dela.

A servidora ocupa o cargo de analista judiciário no 2º Juizado Especial Cível de Águas Claras. Segundo o TJDFT, a mulher estava fora do expediente durante o domingo e não deve responder administrativamente.

“A servidora em questão não agiu em nome do Tribunal, mas sim como cidadã comum, cujos atos foram praticados durante o final de semana e, portanto, fora do expediente do órgão. Assim, em princípio, não está caracterizada infração disciplinar que mereça pronunciamento da instituição” informou o TJDFT.

Para o tribunal, Conceição “deverá responder por seus atos perante a autoridade competente”.

Resistência

Manifestante é preso depois de soltar fogos de artifício contra o STF

Manifestante é preso depois de soltar fogos de artifício contra o STF

Segundo a Polícia Civil, Sena foi localizado dentro de um carro, junto com Conceição, na altura do Setor de Indústrias Gráficas (SIG), local onde fica o TJDFT. O bolsonarista estava como passageiro.

O boletim de ocorrência descreve que a servidora “não obedeceu ao comando para parar” e ainda “arrancou com o veículo arrastando um policial por alguns metros”.

G1 questionou a Polícia Civil se o profissional de segurança passa bem, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

Sena precisou ser retirado do veículo pelos policiais e encaminhado à Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), segundo a corporação. Em seguida, Conceição seguiu os policiais e “entrou na contramão diversas vezes”. Ao chegar na delegacia, a mulher teria colidido o próprio veículo contra um carro da PCDF.

“Ela insistia em não obedecer aos comandos, não colocando as mãos no volante, nem desligando o carro”, consta na ocorrência.

A Polícia Civil afirma ainda que a servidora estava “exaltada” e que foi “necessário a utilização de spray de pimenta por cautela da integridade física dela e dos policiais”.

Investigação

Renan Sena xinga autoridades dos três Poderes durante protesto na Esplanada
Renan Sena xinga autoridades dos três Poderes durante protesto na Esplanada

Renan Sena, que é ex-funcionário terceirizado do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, foi levado à delegacia pelos crimes de calúnia e injúria, após divulgar vídeo mencionando autoridades do STF, do Congresso Nacional, secretários de Estado e o governador Ibaneis Rocha (MDB).

O apoiador de Bolsonaro afirma que foi “ameaçado” por órgãos de segurança para se retirar de protesto, na Praça dos Três Poderes. Na gravação, ele afirma que vive em uma “ditadura comunista” e chama autoridades de “bandidos”.

Ao citar “ameaças” ele se refere ao cumprimento decreto que fechou o acesso à Esplanada dos Ministérios neste domingo. A medida foi publicada na noite de sábado (13) por “risco de agravos à saúde pública” e para evitar atos antidemocráticos e inconstitucionais. Contudo, houve protestos no local.

Na vídeo, Sena se dirige a Bolsonaro e fala que o vídeo deve chegar até ele (assista acima).

“Olha aqui presidente, o que estamos passando, com essa ditadura comunista, que tem cobertura daqueles bandidos lá do STF, esses vagabundos do Congresso Nacional”, diz Sena no vídeo.

Em seguida, ele xinga o governador Ibaneis e os secretários do governo do Distrito Federal.

“Nós, a família, que sustenta essa nação, com suor com trabalho, estamos sendo investigados e humilhados por esse governador bandido, esses secretários bandidos. Eles acabaram de nos ameaçar”, afirmou.

Ataque ao STF

Para o delegado responsável pelo caso, Giancarlos Zualini, Sena é suspeito de “narrar o vídeo” em que manifestantes lançam fogos contra o STF.

O presidente do Supremo, ministro Dias Toffoli apresentou uma representação contra ele à Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República. O pedido consta em determinação de investigação de responsáveis por “ataques e ameaças à Instituição deste Supremo Tribunal Federal e ao Estado Democrático de Direito”.

No ofício, Toffoli afirma que a representação se dá “por postagens em redes sociais, bem como todos os demais participantes e financiadores, inclusive por eventual organização criminosa”.

O ministro pede que sejam “adotadas as necessárias providências para a investigação e persecução penal”.

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Ataide Santos

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