Justiça

Governador do DF presta queixa-crime contra apoiador de Bolsonaro por injúria e difamação

Renan Sena xinga autoridades dos três Poderes em vídeo compartilhado nas redes sociais — Foto: Arquivo pessoal

Por Gabriel Luiz, TV Globo

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), apresentou nesta segunda-feira (22) uma queixa-crime contra Renan Silva Sena, apoiador do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). No documento apresentado à Justiça, Ibaneis disse que Sena injuriou e difamou o chefe do Executivo local em um vídeo que circula nas redes sociais.

Nas imagens, gravadas no dia 14 de junho, Sena diz que Ibaneis é “bandido”. O apoiador também afirma viver em “uma ditadura comunista” e que foi forçado pelo governador a sair da Esplanada e que, se não cumprisse a ordem, seria atingido por “balas de borracha” e “spray de pimenta”.

Sena, que é ex-funcionário do governo federal, se refere ao decreto do governador do DF que fechou o acesso à Esplanada dos Ministérios. A medida foi tomada, segundo Ibaneis, por “risco de agravos à saúde pública e para evitar atos antidemocráticos e inconstitucionais”. G1 tenta contato com a defesa.

No vídeo, ele também faz ataques contra os presidentes da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ) e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), além do presidente do STF, Dias Toffoli.

A defesa do governador disse que Sena “injuriou e difamou funcionário público em razão de suas funções”. Os advogados pedem que a pena seja agravada porque as ofensas viralizaram na internet.

“Ocorre que a irresignação política de um indivíduo não justifica a propagação de ofensas de qualquer sorte, especialmente quando se está em jogo um bem maior, como é a incolumidade pública”, diz a defesa do governador.

O presidente do Supremo também apresentou representação contra Renan Sena à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR), “por ataques e ameaças ao Supremo Tribunal Federal e ao Estado Democrático de Direito”.

Renan Sena detido

Justiça determina quebra do sigilo telefônico de Renan Silva, apoiador de Jair Bolsonaro

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A Justiça do DF aceitou, na quinta-feira (18), o pedido da Polícia Civil para ter acesso ao celular de Renan Silva Sena. No domingo (14), o engenheiro eletricista e ex-funcionário do Ministério dos Direitos Humanos foi detido por injúria e difamação – liberado após assinar um termo de comparecimento em juízo.

Segundo o delegado Dário Taciano de Freitas Júnior, da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), o engenheiro eletricista também é suspeito de “narrar um vídeo” em que manifestantes lançam fogos contra o Supremo Tribunal Federal (STF).

Enfermeiras agredidas

Renan Sena também foi indiciado, em 30 de maio, por injúria durante um ato de profissionais da saúde, na capital, no Dia do Trabalhador. À época, ele xingou enfermeiras que participavam da manifestação.

Vídeo mostra confusão com manifestante vestido de verde e amarelo

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Vídeo mostra confusão com manifestante vestido de verde e amarelo

O grupo fazia um protesto silencioso, carregando 55 cruzes, que representavam os profissionais mortos durante o trabalho na linha de frente ao combate à Covid-19. As agressões foram filmadas.

Renan Silva xingou e empurrou duas mulheres. Dois dias depois, ele foi substituído por outro funcionário terceirizado no ministério dos Direitos Humanos. Naquela data, a pasta informou que ele havia sido contratado em 5 de fevereiro e que, desde 7 de abril, “estava em trabalho remoto diante da pandemia”.

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