Jovens sem benefício do Fies abandonam mais o ensino superior

O porcentual de jovens que abandona o ensino superior em entidades privadas no primeiro ano do curso é 3,5 vezes maior entre aqueles que não foram contemplados com o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Em 2014, 25,9% dos alunos que não tinham o financiamento evadiram no primeiro ano de curso. Entre os que foram contemplados com o financiamento, a evasão foi de 7,4%.

Os dados foram divulgados nesta segunda-feira, 29, em um levantamento feito pelo Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior (Semesp), com base no Censo de 2014 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Rodrigo Capelato, diretor-executivo do Semesp, disse que a evasão é maior entre os alunos que não obtiveram o financiamento porque eles têm menos segurança financeira em continuar no ensino superior. Mas também porque têm menos certeza de que estejam no curso certo.

“O aluno que tem o Fies, na maioria das vezes, entrou no curso em que queria, na universidade em que almejava. Já o aluno sem o Fies, acabou entrando na vaga que deu. É uma escolha muito menos vocacional”, disse.

Já a taxa de permanência – que considera a permanência do aluno no mesmo curso em um período de 5 anos – mostra que os alunos de universidades públicas desistem menos do que os de entidades particulares. Nas públicas, a taxa de permanência é de 51,3% e, nas privadas, de 40%.

“E o movimento dos alunos é diferente nessas duas esferas. O aluno da pública que evade vai buscar outro curso, já o da privada, quando evade, na maioria das vezes vai ficar fora do ensino superior”, disse Capelato.

Para o diretor-executivo do Semesp, a taxa de evasão alta entre os alunos sem Fies mostra a importância de políticas de assistência estudantil também para os alunos das universidades particulares. “Se queremos aumentar o número de matriculados no ensino superior, precisamos dar mais segurança para quem vai preencher essas vagas.”

Projeção. O levantamento do Semesp traz uma projeção de que em 2015 houve uma queda de 3,6% no total de matrículas da rede privada. Em 2014, havia cerca de 7,8 milhões de alunos matriculados no ensino superior – 75%, ou seja, 5,9 milhões na rede privada.

“A queda de matrículas na rede privada está fortemente ligada à queda de contratos do Fies e às mudanças nas regras do programa”, disse Capelato. Para 2016, a projeção do Semesp é de que o número de matrículas se mantenha estável em relação a 2015.

Fonte: Estadão

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