Jovem da Estrutural vai representar o país em competição nos Emirados

De família humilde, um morador da Estrutural vai tentar alçar voos mais altos no próximo mês. Wanderson Carlos Coimbra dos Santos, 21 anos, será o primeiro brasiliense a representar o Brasil numa competição internacional na modalidade de sistemas de drywall e estucagem (técnica que prevê correção de imperfeições após o reboco).

Wanderson é um dos concorrentes da 44ª edição da WorldSkills, que será realizada em Abu Dhabi, a capital dos Emirados Árabes. Trata-se da maior competição de educação profissional do mundo, a ser realizada entre os dias 15 e 18 de outubro com a participação de 1.264 estudantes de 68 países. Eles vão disputar troféus em 51 modalidades.

Wanderson foi o campeão brasileiro na modalidade de drywall em 2016 e está há quase um ano sendo treinado pelo Serviço Nacional da Indústria (Senai) para a etapa internacional. O rapaz se dedica seis dias da semana, das 8h30 às 19h, para se aprimorar tecnicamente. E está ansioso com a primeira viagem a outro país.

A ficha ainda não caiu, mas procuro pensar mais na prova. Estou muito feliz em saber que vou viajar e representar a nação lá fora. Sei que a concorrência é grande, mas só de estar lá representando o país, já estou satisfeito. Para completar essa felicidade, só trazendo a medalha

Wanderson Carlos
O jovem enfrentou um longo caminho até chegar a essa competição. Ele mora com o pai na Cidade Estrutural desde 2012. A mãe e a irmã vivem em Tocantins, desde a separação dos pais, quando Wanderson tinha sete anos.
A mãe trabalha com serviços gerais e o pai, em obras, mesmo sem ter nenhuma formação faz uso da técnica de drywall. “Meu pai é o responsável por tudo. Sempre o acompanhei nas obras e foi com ele que aprendi a usar a técnica. É graças a ele que trabalho com isso”, contou, orgulhoso.

A ligação com o Senai veio em 2013, quando começou o curso de Técnico em Segurança do Trabalho. Depois disso, não parou mais. Em julho de 2016, participou da etapa nacional do campeonato, em Manaus. Apesar do mal-estar, devido a uma desidratação, conseguiu completar as provas e se tornou o primeiro brasiliense a representar o país no mundial na modalidade de drywall. “Essa é minha última competição. A categoria só aceita participantes até os 21 anos. Mas tudo isso me trouxe muito conhecimento e isso ninguém me tira”, afirma.

Outros três moradores do DF e do Entorno vão competir do mundial em Abu Dhabi. O morador do Engenho das Lajes, na divisa do DF com Goiás, Gilberto Ferreira Santos, 19, vai concorrer pela modalidade de Aplicação de Revestimentos Cerâmicos; Fábio Serpa Crisóstomo, de Águas Lindas, compete em Movelaria; e Wisley Silva Pereira, de Santa Maria, em Refrigeração e Ar Condicionado.

Gilberto foi eleito o melhor técnico em revestimentos cerâmicos do país também no ano passado. Maranhense, o jovem mudou-se para o Distrito Federal aos seis anos e, assim como Wanderson, tem o pai, mestre de obras, como inspiração. A mãe dele trabalha como doméstica.

“Entrei no Senai porque trabalhava com meu pai desde os meus seis anos e sempre me imaginei fazendo algo na área. E agora me sinto mais preparado para o futuro”, afirmou. Esta não é a primeira vez que o rapaz viaja para outro país. Em julho, ele foi representar o Brasil na Rússia.

“Espero conseguir vencer e conquistar uma medalha. O Senai oferece uma bolsa para faculdade e quero fazer arquitetura, mas não tenho condições”, explicou.

Os quatro continuam no DF com outros 31 participantes brasileiros até segunda-feira (9/10), quando embarcam para Guarulhos (SP) e, em seguida, para os Emirados Árabes.

A competição
De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), durante os quatro dias em Abu Dhabi, os estudantes devem completar desafios propostos pela organização da WordSkills, visando sempre o alto padrão de qualidade. Cada modalidade tem a participação de apenas um representante de cada país, seja uma pessoa ou uma equipe.

Este ano, a delegação brasileira vai contar com 56 alunos e ex-alunos do Senai, do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e dos Institutos Federais de Educação, que vão competir em 49 modalidades. O grupo foi escolhido entre 407 inscritos, depois de uma série de provas em 32 cidades do país. As equipes estão divididas em quatro centros de referência: Brasília, Joinville, Porto Alegre e Curitiba.

Os alunos do Senai que participarem da equipe brasileira serão recompensados pela instituição. E aqueles que conquistarem medalhas terão uma bolsa de estudos mensal de até R$ 3 mil, que poderá ser usada em até cinco anos.

Segundo o diretor-geral da organização, Rafael Lucchesi, o objetivo é estimular a continuidade da formação dos estudantes. “A experiência de participar de uma equipe da WorldSkills dá um resignificado para muitas experiências na vida dos competidores. O resultado é absolutamente transformador na vida desses jovens”, ressalta o Lucchesi.

Fonte: Metrópoles
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