Homem vai à delegacia prestar queixa contra “vizinho espião” e acaba preso

A história que será narrada nesta reportagem parece mais uma das crônicas de “A vida como ela é”, do escritor brasileiro Nelson Rodrigues – um dos maiores do século XX. Um homem foi preso nesta noite de quarta-feira (2/12) porque denunciou o vizinho, que estava espionando sua mulher.

O caso ocorreu na Quadra 18 do Setor Oeste do Gama. K. E., 27 anos, proseava com um amigo em casa quando viu o vizinho abrindo o portão para espionar a mulher N. A., 24. Por quem mantém um desejo.

Os importunos já duram um ano e oito meses. Em uma das vezes, o intruso foi apanhado no telhado da casa de residência de K.. Em, pelos menos cinco delas, foram registradas queixas na 20ª Delegacia de Polícia, responsável pela região. Mas em nenhuma foi feito nada. “Eles só falam para a gente esperar”, reclama a mulher, alvo do desejo incomum de seu vizinho.

Nessa última vez, K. viu que o vizinho já estava quase dentro de casa e começou a discutir com ele. O invasor voltou para sua residência prometendo buscar um “brinquedinho” para acertar as contas com o marido da vítima.

Ao entender que se tratava de uma ameaça, K. correu para a delegacia. Mas foi informado que não poderia fazer a ocorrência, o que indignou o motorista, que saiu arrancando o carro.

Contrariado, o marido da mulher espionada ligou para o telefone de emergência. Mas, em vez de a Polícia Militar – que faz o trabalho de prevenção -, quem apareceu foi o policial civil com que ele discutiu momentos antes na delegacia. A autoridade ordenou que o marido retornasse a unidade policial.

Obediente, K. voltou para a unidade policial. Ao chegar acompanhado da mulher N. e com o filho de cinco meses no colo, foi duramente agredido. “Recebeu uma gravata e vários pontapés desferidos pelo agente policial. Meu filho gritava, estava muito assustado com a situação. A gente não entendia o porquê da aressão”, descreve N..

K. E. foi autuado por desacatado e direção perigosa. Com as honras de um bandido, acabou sendo levado algemado no cubículo da viatura para o Instituto de Medicina Legal, onde foi submetido a exames de alcoolemia e uso de substância alucinógena. Enquanto isso, o vizinho que espiona a mulher dele está livre para escalar o telhado.

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