Gilberto Carvalho: luta por Lula e pela democracia se dará nas ruas

Em entrevista ao jornalista Renato Rovai, editor da revista Fórum, o ex-ministro Gilberto Carvalho aponta o risco de que a condenação do ex-presidente Lula não seja revertida.

“Não temos ilusão. Não será fácil reverter essa condenação, por que o Moro é apenas um ator de um processo muito mais amplo que conta com a mídia, judiciário, parlamentares corrompidos, poder econômico e com uso do judiciário fortemente contra nós. O golpe não veio para brincar”, diz ele.

Segundo Gilberto, a partir de agora, será preciso lutar nas ruas, ao lado do povo, não apenas pelos direitos de Lula, mas pela volta da democracia ao Brasil.

“Na verdade nós temos que ter a compreensão que a nossa luta agora não é uma corrida de 100 metros, de tiro curto. Temos uma grande maratona pela frente. É fundamental que a gente faça uma ação muito urgente e muito massiva de esclarecimento da população sobre as razões e o contexto dessa condenação. Da parte deles, o que se trata, é de tentar espalhar que o Lula está condenado, não é mais candidato, acabou, e que a condenação foi uma coisa justa por que ninguém está acima da lei. É o que a mídia dominante vem fazendo ao buscar especialistas que dizem que o Moro tem razão e coisa e tal”, diz ele.

“Da nossa parte, já começamos aqui em Brasília, por exemplo, a fazer materiais bem populares e entregar nas rodoviárias e nos pontos de concentração popular. Isso nós temos que fazer em todo o Brasil. Outro meio fundamental são as redes sociais. Esses veículos que vocês constroem são fundamentais na luta pela democracia. Diante dessa perspectiva é que foi combinado para o dia 20 juntar o povo que a gente conseguir pra começar a expressar de maneira mais organizada e mais massiva possível a nossa rejeição e a nossa decisão de lutar até o fim pra reverter esse absurdo dessa condenação.”

O ex-ministro também destaca o esforço que será feito junto à comunidade do direito, onde diversas vozes criticam a condenação sem provas. “No dia 11 de agosto a ideia é fazer em todas as faculdades de direito do país atos e tribunais, ou júris populares, para marcar esse julgamento e difundir o absurdo que é uma condenação sem prova. O pessoal que luta pela democracia no âmbito do direito também está começando a preparar atos em todas as capitais reunindo juristas pra debater tecnicamente este processo. Nos interessa muito mostrar que, tecnicamente, esse julgamento é um absurdo. Para além da questão política há uma questão evidentemente técnica, da tal da condenação sem provas, baseada apenas numa delação absolutamente constrangida, como sabemos”, afirma, referindo-se à delação obtida pela Lava Jato do empreiteiro Léo Pinheiro.

Fonte: Brasil 247

 

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