GDF recebe críticas e garante que tomará novas providências para conter falta d’água

Cresce a ameaça do colapso do sistema de água do Distrito Federal. Diante deste cenário, o Palácio do Buriti montou um Comitê de Segurança Hídrica, envolvendo o primeiro escalão o Executivo. Segundo o secretário de Meio Ambiente, André Lima, o GDF elabora um novo pacote de medidas para evitar o pior cenário. Já a Defesa Civil começou a simular cenários de absoluta crise com o abastecimento da população por meio de caminhões-pipa.

As revelações partiram de uma comissão geral, organizada pelo presidente da Câmara Legislativa, deputado Joe Valle (PDT), além dos deputados Telma Rufino (PROS) e Chico Leite (Rede).

O Executivo encaminhará para a Câmara o projeto do Zoneamento ecológico-econômico (ZEE), fundamental para a ocupação ordenada do solo respeitando o meio ambiente. O GDF também enviará para o Legislativo a nova Lei de Permeabilidade do Solo, cujo objetivo é empregar tecnologias modernas para a recarga dos aquíferos urbanos e, paralelamente, destravar o setor da construção civil.

Mad Max é aqui

Presentes à discussão, representantes da Defesa Civil afirmaram que trabalham com o pior cenário possível. E, portanto, já começaram a treinar o sistema de resposta a desastres com foco na falta de água, em simulações teóricas e práticas. Membros do órgão compararam a situação do DF ao roteiro de filmes como Mad Max, no qual sobreviventes de um apocalipse batalhavam pelos poucos recursos restantes no planeta, inclusive água.

A diretora-presidente da Agência de Fiscalização (Agefis), Bruna Pinheiro, prometeu continuar combatendo a cultura da invasão. No ano passado, por exemplo, os fiscais impediram a ocupação irregular de 10 milhões de metros quadrados de área. Novas invasões aumentariam ainda mais as áreas impermeabilizadas.

Pelo Facebook, o próprio governador Rodrigo Rollemberg postou um vídeo sobre o assunto. “A crise da água em Brasília é gravíssima. Os níveis dos reservatórios do Descoberto e Santa Maria estão muito baixos para enfrentar a estiagem que começa em maio”, afirmou.

Segundo Rollemberg, a economia de água deve ser intensificada. “Podemos e devemos fazer mais. Vamos juntos vencer essa crise”, propôs.

Defendendo a discussão não politizada por bandeiras e ideologias, o secretário de Meio Ambiente também pretende focar esforços na próxima Virada do Cerrado, uma ação da pasta que pretende juntar 50 mil pessoas em diferentes atividades sobre o tema.

Autoridades cobram mais transparência

Apesar das boas intenções, ainda falta transparência nas estratégias. Assim pensa Joe Valle. “Não dá para fazer tudo dentro de uma caixa-preta. O governo precisa deixar clara a questão, como até quando, quanto e como. A população tem que saber”, crava o parlamentar. O valor, o período de cobrança e a destinação da tarifa de contingência são exemplos.

Telma Rufino endossou o questionamento e acrescentou a dúvida sobre a situação real do sistema de abastecimento, ao passo que há muitas reclamações sobre ar na tubulação e água amarela.
“Não podemos mais permitir a grilagem. Grileiro é criminoso”, acrescentou, por sua vez, Chico Leite.

Segundo o professor da Universidade de Brasília (UnB) Sérgio Koide, o racionamento tem tido mais efeitos na população de baixa renda, pois a taxa de contingência pesa mais no bolso dos mais pobres. Para o especialista em recursos hídricos, o GDF deveria rever os valores cobrados para os mais ricos, estabelecendo taxas que inibam o consumo nas áreas abastadas, onde o gasto de água é maior.

A promotora de Justiça de Defesa do Meio Ambiente Marta Eliana, responsável pela área de Brazlândia, enfatizou que o enfrentamento da crise não pode culpar nem inviabilizar os produtores rurais. Caso não tenham mais água, eles venderiam os terrenos, que fatalmente seriam transformados em residências, destruindo áreas de proteção ambiental.

Originalmente por: Jornal de Brasília

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