Diversidade no zoológico de Brasília aumentou com a chegada de animais

Os gansos havaianos chegaram ao Zoológico de Brasília em 7 de junho. Estão em um viveiro ao lado de dois flamingos e já botaram dois ovos. As aves raras, ameaçadas de extinção, existem graças ao trabalho de procriação feito por tratadores em zoos pelo mundo. Um casal de sauim de coleira — primata ameaçado de desaparecer do planeta —, enviado da Amazônia, está em quarentena. Vai dividir lugar com antigos moradores, como a babuína sagrada Capitu, que está entre os animais mais velhos e populares da instituição.

Essas novidades, porém, não compensaram a dor que veio com a morte da tigresa Laila, em 24 de junho, exatamente 17 dias após a chegada dos novos residentes. O felino teve vários filhotes, alguns estão em outros zoológicos do país, e contribuiu geneticamente, e com outras informações importantes, para o futuro dessa espécie. E assim gira a roda da vida em um dos pontos de encontro familiares mais tradicionais de Brasília.

Mesmo triste com a perda de Laila, o diretor da instituição, Gerson de Oliveira Norberto, ressalta a importância da chegada de novos animais. Ele destaca que não se trata simplesmente de trazer os bichos para o zoo, mas em contribuir com o meio ambiente tanto geneticamente e em informações para biólogos quanto em educação para o público.

Um animal em um programa de reprodução ajuda a salvar várias espécies codependentes e, se bem tratado, vive bem e muito além da expectativa em vida livre. “Existem pessoas que sempre visitam o zoo e passam a conhecer os animais. Isso continua de pai para filho. Perdemos uma amiga (Laila). Mas nos envolvemos em novos programas de conservação e novas espécies chegam. Recebemos agora os gansos do Havaí, extremamente ameaçados em vida livre, e que precisam de um trabalho de reprodução”, explica o gestor.

Novos rostos

Para defender o ovo, a fêmea do casal de gansos havaianos pia nervosa e ameaça quem se aproxima da grade. Corre com o pescoço castanho de rajados negros esticado para a frente, e as asas levemente abertas diante da chegada de curiosos. O macho, pomposo, mantém-se próximo. Os outros espécimes do viveiro evitam se aproximar demais. A história do animal remonta à chegada do capitão inglês James Cook com colonizadores, ao Havaí, em 1778. Estima-se que, na época, a espécie contava com 25 mil indivíduos, segundo o assessor de conservação do Zoo de Brasília, Igor Morais. “Os europeus introduziram cães e gatos no ambiente, predadores que não existiam no local, além de caçarem as aves. Em 1975, só havia 20 deles no mundo. Hoje, existem cerca de 2 mil e várias instituições fazem solturas na ilha para garantir a população. Levamos o animal à beira da extinção e somos a única esperança dele”, destaca o especialista.

O casal chegou do Zoológico de Pomerode, em Santa Catarina, com outra dupla, um macho e uma fêmea de gansos da Tasmânia, espécie também rara, porém maior e mais agressiva. Uma das características desses animais provenientes da Austrália é viver no mar, coisa pouco comum entre familiares dessa ave. “Eles não sofreram tanto com a chegada de colonizadores e novas espécies no ambiente, pois já conviviam com outros predadores anteriormente”, destaca o assessor de conservação.

Os outros recém-chegados são um pouco mais familiares, mas, nem por isso, correm um risco menor de desaparecer. É o caso do sauim de coleira. De cara preta, cabeça, tronco e braços brancos e pernas e rabo marrons, o primata foi resgatado por funcionários do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e enviado pelo Centro de triagem de Animais Silvestres (Cetas) de Manaus para o DF. Está entre os 25 primatas mais ameaçados do mundo, sofre com a perda de habitat e tem um risco alto de extinção a curto prazo. Outros recém-chegados são um casal de macacos barrigudos, um filhote de tamanduá-mirim órfão e uma lontra que está isolada para que possa retornar à natureza.

Velhos moradores

Atualmente a mais antiga moradora do zoológico, Capitu nasceu em 1990 e é mãe da maioria dos babuínos sagrados da instituição. Tem 26 anos e a expectativa de vida em vida livre é de 20 anos, em cativeiro é de 30. Em 1998, protagonizou uma curiosa história de amor. Chamou a atenção do mundo, pois arriscou-se a nadar, coisa incomum para a espécie, para copular com um babuíno verde, o que levou ao desespero o então marido, Otelo. Quem pôs fim à bagunça foi Luiz Pires, outro babuíno sagrado, que substituiu o marido traído como macho no harém. “Geralmente, os machos dessa espécie controlam as fêmeas com certa violência. Mas Otelo não tinha poder sobre ela”, observa Igor Morais.

Hoje, Capitu ostenta os sinais da idade. Está com papadas, bem mais lenta e encurvada. É possível distingui-la entre outros de sua espécie no viveiro pelas marcas do tempo. Diferentemente da ariranha Si, outra distinta senhora que fará 15 anos na próxima quarta, 5 de julho que, com o jeito doce, acabou apelidada de Cicarelli. Na natureza, o animal vive até 12 anos e, em cativeiro, pode chegar a 20. Faceira, brinca e até responde ao chamado dos funcionários da instituição. Nada até bem perto do vidro do tanque, como se buscasse por carinho e depois volta para a terra firme.

Na lista dos antigos moradores está também a zebra Tucha. Tem 19 anos e, em cativeiro, pode viver até os 25. Não há um registro seguro de até que idade esses animais podem atingir em vida livre. Atualmente, Tucha recebe, três vezes por semana, uma sessão de treinamento e condicionamento para aceitar procedimentos como exame de sangue, por exemplo, sem necessidade de ser anestesiada.

Com a partida de Laila, o companheiro dela, Riscado, assumiu o lugar dos tigres de bengala entre os mais velhos do Zoo de Brasília. Aos 15 anos, ele já superou a média de vida de um espécime em vida livre, que é de 14 anos. Em cativeiro, esses grandes felinos podem viver mais de 20 anos. Dominador e nervoso, ele faz questão de mostrar aos tratadores que o alimentam que aquela é a área dele, rosnando e ficando de pé na grade. Os répteis também têm lugar nessa lista. Com expectativa de vida de até 25 anos, as cascavéis Sandro, Bruno e Carlos completaram 17, e a jiboia Juju tem 20 de uma expectativa de até 30 anos.

Os novatos da área
Gansos havaianos
Espécie ameaçada de extinção, conta com 2 mil indivíduos no mundo hoje. Só está viva graças aos programas de reprodução dos zoológicos mundiais. Raros, eles se reproduzem em cativeiro. Chegaram ao Zoológico de Brasília, em 7 de junho e já botaram ovo. Os filhotes serão mandados para o Zoo de San Diego, nos Estados Unidos e os netos voltarão para o Havaí.

Gansos da tasmânia
Chegaram ao zoo com os gansos havaianos. Espécie maior e mais agressiva, também é rara e vive, normalmente, em água salgada, na Austrália. Os espécimes vieram do Zoológico de Pomerode (SC).

Sauim de coleira
Um tipo de sagui, o primata tem a cara preta, a metade superior do corpo branca e a inferior escura, geralmente marrom. Vive nos arredores de Manaus (AM) e é ameaçado, principalmente, pela perda de habitat, provocada pela expansão urbana. É uma das 22 espécies de primata com risco de extinção a curto prazo.

Tamanduá-mirim
O filhote foi levado pela Polícia Militar Ambiental para a instituição sem a mãe. Tratadores acreditam que ele ficou órfão após um incêndio ou atropelamento, que são as formas mais comuns de morte desses animais no DF.

A turma das antigas
Babuíno sagrado Capitu Mãe da maioria dos babuínos sagrados do local, é o mais velho animal do zoo atualmente e, aos 26, já ultrapassou em seis anos a expectativa de vida da própria espécie em vida livre. Em cativeiro, pode chegar até os 30.

Ariranha Si
Apesar do jeito brincalhão e da pressa em atender ao chamado dos tratadores, Si também está entre os mais velhos do local. Em vias de completar 15 anos, já ultrapassou em três a expectativa de idade em vida livre. No zoológico, porém, pode chegar aos 20.

Zebra Tucha
Aos 19 anos, pode viver até os 25 em cativeiro, mas não há um registro seguro de até que idade esses animais atingem na natureza. De passadas elegantes, tem um comportamento pacífico.

Tigre de bengala Riscado
Companheiro de Laila, Riscado tem temperamento forte e é bastante territorialista, comportamento comum para os machos
da espécie. Aos 15 anos, ele superou a média de vida de um espécime livre, que é de 14 anos. Em cativeiro, pode viver mais de 20 anos.

As cascavéis Sandro, Bruno e Carlos
O grupo divide o mesmo viveiro e surpreende os visitantes desatentos atrás do vidro que os separa. É comum olhar o espaço, ver apenas uma e, só depois, perceber as outras e se dar conta de como o espécime se camufla bem. O trio não tem certidão de nascimento, mas está na instituição há 17 anos, com expectativa de vida variando de 20 anos no habitat a 25 em cativeiro.

Jiboia Juju
antiga moradora, Juju tem 20 anos. Como outras serpentes, tem um ambiente controlado para se alimentar de 15 em 15 dias. Elas não passam fome por isso, pois o metabolismo do corpo desses répteis é bem controlado e tem expectativa de
vida de até 25 anos, podendo chegar a 30.

Casal de macacos barrigudos
Primata encontrado na Amazônia, é muito visado por caçadores para o tráfico de animais, mas, principalmente por conta da carne. Por ser grande, é uma presa fácil de ser acertada.

Lontra
Foi resgatada sem família das águas do Lago Paranoá. É o único dos novatos que não tem contato com nenhum humano do zoo. Veterinários e tratadores esperam reabilitá-la para devolvê-la à natureza.

Fonte: Correio braziliense

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