Frequentadores de parques de Taguatinga convivem com a insegurança

A prática de exercícios físicos todos os dias pela manhã é sagrada para Iracema Queiroz, 64 anos. A aposentada faz questão de sair cedo de casa para uma caminhada em volta do Taguaparque, em Taguatinga Norte. Mesmo sendo frequentadora da região há mais de 20 anos, não esconde o medo de passar por ali sem estar acompanhada. “Eu adoro andar aqui, mas está complicado sair sozinha”, relata Iracema. Os relatos de crimes, como furtos à luz do dia, são o que preocuparam ela e outros frequentadores.

A dona de casa Luciane Viana, 41, também é frequentadora assídua. O local é fonte principal de lazer da filha, a pequena Cecília Viana, 2, mas, por questões de segurança, ela só permanece com Cecília quando nota a presença de outras famílias. “Quando o relógio marca 11h, já saio. Sempre vejo gente suspeita por aqui e eu fico com medo pela Cecília”, conta.

O estudante Luis Henrique Rodrigues, 18, sofreu uma tentativa de assalto durante o dia. “Ando sempre por aqui e fui surpreendido. Como o bandido não estava armado, reagi e saí correndo”, conta. O empresário Júnior Peixoto, 36, nunca precisou reagir a um assalto, mas conta que sai para malhar no parque apenas com a chave de casa. Ele aponta que a há postes de luzes defeituosos e pistas para caminhada inacabadas.“Já vi seis tentativas de assalto. Não passa nenhum PM. Para onde corro se acontece algo?”, questiona.

De acordo com a administração do Taguaparque, cercas de segurança estão sendo construídas em volta da sede para evitar invasores. “Além disso, temos um número considerável de vigilantes, tanto de dia quanto de noite. Há dois policiais militares que rondam o parque de moto e alertam onde as pessoas podem passar, por ser mais seguro”, afirma o administrador do Taguaparque, Jackson Tadeu.

Problema se repete

A primeira impressão que se tem ao entrar no estacionamento do Parque Ecológico Saburo Onoyama, em Taguatinga Sul, que ocupa uma área de 34 hectares, é de abandono. O portão fica escondido, o que pode facilmente confundir quem pretende acessar o parque. Na portaria, a catraca é inoperante. Já as sinalizações na região são novas e a área arborizada traz a sensação de frescor. Não por acaso, o casal Francys Aragão, 38, e Martim da Conceição, 53, faz, todos os dias, uma caminhada pelo local após o almoço. “Gostamos muito de andar por aqui”, conta o aposentado Martim. Apesar do relaxamento que o parque proporciona, o casal conta que, no mês passado, teve o carro arrombado e as quatro rodas levadas. “Aqui é bonito demais. Algo precisa ser feito com urgência”, diz Francys, que é professora de espanhol.

O mecânico Silvério Andrelino, 48, conta que adora visitar o parque e que se sente seguro. Apesar disso, teme pela segurança de outras pessoas. “É lamentável o ponto a que o Saburo Onoyama chegou. Temo pela segurança da minha mulher. Aqui era diferente”, conta. Um dos seis campos de futebol do local está com a trave do gol caída no chão. As áreas de lazer, com amplo espaço para festas em família, esquecidas.

Do lado oposto do parque, três homens e uma mulher se encontravam em uma área com churrasqueiras e chuveiros. Sobre a bancada de apoio, malas com roupas e aproximadamente 20 palitos de fósforo usados, ao lado de garrafas com bebida. Um dos homens, Denilson Alves, 62, atualmente em situação de rua, carregava uma bolsa preta. Ele usava uma camisa da seleção brasileira, que estampava o número 10 e o nome do jogador Ronaldo, o fenômeno. A bermuda, de cor bege, estava nitidamente desgastada pelo tempo. Denilson conta que só aparece no parque para tomar banho, mas diz que a presença de dependentes químicos é constante. “Confesso que tem muito maluco por aqui. Eu só quero viver minha vida”, afirma.

Retorno

O Instituto Brasília Ambiental (Ibram) informou, em nota, que o Parque Ecológico Saburo Onoyama conta com um serviço de segurança patrimonial. Além disso, tem o apoio do Batalhão de Polícia Militar Ambiental para rondas periódicas, principalmente aos fins de semana. O policial ambiental Souza Júnior, responsável pela segurança na região, diz que o efetivo da PM está concentrado na área urbana, mas que dois policiais atuam no patrulhamento da área, em motos. Quanto às ocorrências, estima-se que sejam de três a quatro por mês, totalizando, cerca de 30 denúncias até agosto deste ano, principalmente relacionadas a uso de drogas. “No momento que o policiamento está lá, é realizada a abordagem. No local, já fizemos apreensão de drogas”, afirma.

No caso do Taguaparque, o 2º Batalhão de Polícia Militar garante que mantém, há anos, dois policiais por turno em ronda e que o patrulhamento é reforçado aos fins de semana. Pelo balanço criminal deste ano, 17 ocorrências foram registradas até agosto. A maioria, de tentativa de roubo. Mesmo assim, a corporação garante que o Taguaparque é seguro. “Apesar de não ter uma infraestrutura conservada, fico surpreso pelas pessoas falarem que não há policiamento no parque. Temos até viaturas que rondam de madrugada. Faço um apelo à população de que, caso presencie algo, comunique ao batalhão”, orienta o major Elias Costa.

Reclamações e denúncias

Parque Ecológico Saburo Onoyama

» Ligação para o 190 ou acionar
o Batalhão de Polícia Militar Ambiental pelo telefone 99351-5736.

Taguaparque

» O 2º Batalhão de Polícia
Militar orienta a população que acione a corporação pelo WhatsApp (98301-1149).

Fonte: Correio Braziliense

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