Festival de Brasília do Cinema terá ampliação das mostra competitivas

No ano em que atinge a marca de 50 edições, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro virá renovado. A mostra competitiva terá dois dias a mais, indo de 15 a 24 de setembro. O secretário de cultura do DF, Guilherme Reis, ainda promete repensar alguns pontos e trazer a história da cidade para mais perto do evento.

Para isso as 50 edições devem ser unidas às celebrações de dois fatos marcantes para a capital — os 30 anos da conquista do título de patrimônio cultural da humanidade pela Unesco e o aniversário do resultado do concurso nacional do Plano Piloto da Nova Capital do Brasil. “São datas a serem comemoradas entre abril e que seguem até o réveillon. O festival é conceito que se funde a pensamento maior sobre Brasília: queremos linkar o evento com a história da cidade”, observa o secretário.

“Vamos iniciar com a modernização da produção do Festival de Brasília. Teremos um chamamento público para aumentar a transparência da formulação da festa, que contará com Oscips (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) da cidade”, adianta. A convocação estará no Diário Oficial de segunda-feira. Incrementado, o orçamento prevê o alcance de R$ 2,5 milhões.

Em discussões com a ABCV (Associação Brasiliense de Cinema e Vídeo) e a Aprocine (Associação de Produtores e Realizadores de Filmes de Longa-Metragem de Brasília) o festival será reavaliado. “Um exemplo de críticas, no passado, diz respeito à praça de alimentação e ao ponto de discussão informal do evento. Queremos definir como integrar o evento, respeitando os moradores da área também, que serão convidados a maior participação”, afirma o secretário.

Olhar para a origem, “para o berço”, do evento, gerido nos corredores da sessentista Universidade de Brasília (UnB), poderá levar o Festival para a universidade. “Dividiremos a programação dos nove filmes para dar mais conforto aos espectadores e cuidaremos para que os seminários não se encavalem. Os avanços na política do cinema brasileiro e a defesa deles devem estar em pauta, com as discussões políticas que voltarão aquecidas, no segundo semestre”, pontua Guilherme Reis.

Com o programa Conexão Cultura DF em curso, o Festival de Cinema, pela promessa do secretário, será incrementado, “por via de mão dupla, com a potencialização de diálogos entre países”. Eventos de cinema franceses, como o Sunny Side of the Doc, o consagrado Ventana Sur (na Argentina) e o Festival de Berlim receberão quatro produtores, em delegações que aquecerão as possibilidades de mercado entre fitas nacionais e estrangeiras. “O festival vai ampliar o diálogo com os grandes eventos de cinema internacionais. Teremos fortalecimento de intercâmbio com programadores”, adianta Reis.

Um estudo de como valorizar mais a Mostra Brasília, “sem caracterizar a participação do cinema local como cota” está em pauta. “Vamos discutir a formatação e o incremento na visibilidade dos longas da cidade”, diz Reis. Com nove longas locais em finalização e uma política contínua de produção brasiliense, o secretário porém relativiza a participação “obrigatória” dos filmes locais na seleção central. “É bom sair da toca (da cidade) e relativizar o que está fazendo, num diálogo com o global”, sublinha Reis. A mostra especial Futuro Brasil trará representantes de festivais internacionais para que possam ter contato com produções nacionais em etapa de finalização.

Mais planos

Uma publicação da história do Festival, uma exposição na reforçada representação do Arquivo Público na festa e a coleta de depoimentos e “causos” está entre os planos da organização. “Não separo tradição de modernidade. Meu desejo é ampliar, nos festejos, o enlace do cinema com outras artes. Além disso, teremos a entrega da segunda medalha Paulo Emílio Sales Gomes a uma personalidade do cinema”, conta Reis.

Sob direção artística de Eduardo Valente, o 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro promete formatação que estimule laços de coproduções com o exterior e deverá ter “atividades formativas, como as oficinas de cinema, planejadas para trazer maiores resultados e fluidez, especialmente entre os estudantes de entidades como Iesb e UnB”, pelo que conta o secretário. As plataformas para exibições de filmes em outras cidades do DF, “com ocupação de pequenos espaços culturais das cidades”, estão na mira da organização. “Filmes que foram importantes na história do cinema nacional”, pelo que diz Reis, serão destacados por coletivo de pensadores do cinema brasileiro, tendo por resultado a Mostra Retrospectiva 50 anos em Cinco Dias.

Originalmente por: Correio braziliense

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