Estudantes desocupam prédio da UnB após acordo

Os estudantes que protestavam contra os cortes orçamentários e pela revogação da demissão de funcionários terceirizados da Universidade de Brasília (UnB) liberaram o Bloco de Salas de Aula (BSA) Sul, no campus Darcy Ribeiro, na tarde desta segunda-feira (21). A manifestação, que durou uma semana, chegou ao fim após um acordo firmado entre os alunos e a instituição, nesta manhã, com mediação do Ministério Público Federal. As atividades acadêmicas, segundo a Administração Superior da UnB, estarão plenamente restabelecidas nas aulas do período matutino desta terça-feira (22).

De acordo com os estudantes, as pautas exigidas foram atendidas. A UnB teria se comprometido a realizar uma auditoria dos contratos das empresas de terceirização e debates públicos sobre as contas da universidade e a situação da educação pública no Brasil, com fins de sensibilização e mobilização da comunidade, de modo que a primeira atividade deve acontecer no prazo de 15 dias. Além disso, a instituição teria aceitado elaborar um termo se comprometendo a não aplicar nenhuma medida disciplinar aos estudantes que fizeram a ocupação.

As reivindicações foram listadas em uma postagem no Facebook:

Paralisação

No início deste mês, funcionários técnico-administrativos, professores e alunos paralisaram as atividades na instituição para participarem de um ato contra o corte de recursos e a demissão de trabalhadores. A mobilização discutiu o futuro das universidades públicas brasileiras diante das reduções orçamentárias. Após o governo cortar 45% dos recursos, as instituições romperam programas e contratos. A dificuldade no pagamento de contas é uma realidade.

O coordenador-geral do Sindicato dos Trabalhadores da Fundação Universidade de Brasília (Sintfub), Mauro Mendes, afirma que a UnB teve um déficit de R$ 80 milhões. “Nós queremos dialogar com a administração superior para mostrar que a demissão desses funcionários prejudicará o funcionamento da universidade”, explica.

Só na UnB, são cerca de 2 mil funcionários terceirizados. Com os cortes, cerca de 270 estão cumprindo aviso prévio. Limpeza, transporte, manutenção e segurança serão prejudicados. A funcionária do serviço de limpeza Josefa Pereira só vai trabalhar até o dia 9 deste mês e se mostra sem perspectivas sobre o futuro. “Imagina uma mulher na minha idade, com 52 anos, desempregada. O que eu vou fazer?”, desabafa.

Fonte: Jornal de Brasília

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