Educação

Gestão compartilhada com a cultura marca a volta às aulas das escolas públicas

O recomeço do ano letivo para os 460 mil estudantes da rede pública de ensino nesta segunda-feira (29) será marcado pela divisão da administração das escolas com outras pastas do Governo do Distrito Federal. Depois de decidir ampliar para outras seis escolas o modelo entre a Secretaria de Educação e a Secretaria de Segurança Pública, o GDF decidiu testar a gestão compartilhada com a cultura. A princípio, dois mil alunos de duas escolas receberão o novo modelo de gestão compartilhada que prevê atividades nos espaços da Secretaria de Cultura no contraturno das aulas regulares.

Inicialmente, os 855 alunos matriculados no Centro de Ensino 01 do Lago Norte (Celan) poderão frequentar as aulas oferecidas pelo Centro de Dança do Distrito Federal, que funciona no Plano Piloto. “A escola e o Centro de Dança vão trabalhar juntos para formar alunos bailarinos”, explica o secretário de Educação do DF, Rafael Parente. Além disso, o Centro de Ensino Médio (CEM) 01 do Riacho Fundo, com 1.170 estudantes, será integrado ao Museu Vivo da Memória Candanga, no Núcleo Bandeirante, onde os estudantes receberão lições de educação patrimonial e história de Brasília.

Segundo Parente, além de os alunos frequentarem os aparelhos culturais no contraturno, o currículo dessas escolas será voltado para a promoção da cultura. “As escolas vão ser vocacionadas e terão um aparelho cultural para trabalhar em conjunto. Por exemplo, uma escola integrada a um museu de artes plásticas também vai ensinar artes plásticas em sala de aula. Os professores serão formados pela Secretaria de Cultura que também levará especialistas para as escolas”, diz. Dentro da gestão compartilhada com a cultura, também será lançado o Sistema de Bibliotecas, que irá integrar as bibliotecas das escolas e as comunitárias da Educação com as da Secretaria de Cultura, ampliando o acervo disponível para a população do DF e estudantes da rede.

Assim como no modelo de gestão compartilhada com a Segurança Pública, a comunidade escolar precisa aprovar a implementação da divisão do ensino com a cultura. O secretário de Educação acredita que a votação deve acontecer até o fim da segunda semana de aulas.

Assim como no modelo de gestão compartilhada com a Segurança Pública, a comunidade escolar precisa aprovar a implementação da divisão do ensino com a cultura. O secretário de Educação acredita que a votação deve acontecer até o fim da segunda semana de aulas. O mesmo deve ocorrer nas seis novas escolas que devem receber a parceria com a Segurança Pública, que vai atingir mais 6.643 estudantes de colégios da Asa Norte, Taguatinga, Samambaia, Núcleo Bandeirante, Paranoá e Planaltina.

459.935 mil estudantessão atendidos pela rede pública de ensino do DF, desde a educação infantil até a educação de Jovens e Adultos (EJA)

Rafael Parente também diz que a Secretaria de Educação pretende fazer um modelo de gestão compartilhada com o esporte. “A gente está desenhando um modelo. Pretendemos começar ainda no segundo semestre uma fase de transição nessas escolas, mas ainda não existe uma definição de quantas e quais escolas serão essas”, afirma.

Escolas bilíngues
Também começará no segundo semestre letivo o ensino intercultural bilíngue nas escolas. O projeto vai começar pelo Centro Educacional do Lago Norte (Cedlan), colégio de ensino médio em tempo integral onde mais de 90% dos alunos são do Varjão, Itapoã e Paranoá. Em uma parceria com a embaixada da França, o francês fará parte do currículo regular da escola. O secretário de Educação explica que a implementação do projeto vai começar agora, mas que demora três anos para ser concluída. “A formação dos professores já começou agora em julho e, no segundo semestre, os alunos vão começar a ter atividades relacionadas ao idioma e à cultura da França. Mas leva três anos para que os alunos passem a ter metade das atividades em Francês”, ressalta.

O Centro de Ensino Médio 03 de Taguatinga será a segunda unidade a receber o projeto, com alvo na língua espanhola. Rafael Parente diz que há negociações com as embaixadas da Alemanha, Estados Unidos, Cazaquistão, China e Japão.

Educação Infantil
Além disso, a Secretaria de Educação vai oferecer novas 787 vagas na educação infantil. Duas creches serão inauguradas em Samambaia: o Centro de Educação da Primeira Infância (CEPI) Azulão, na QN 425, e o CEPI Bambu, na Quadra 208. Serão 348 vagas para crianças de 0 a 3 anos. As demais vagas serão em instituições parceiras, creches particulares que fornecerão vagas públicas destinadas a crianças de 2 e 3 anos: 92 vagas para a Fercal; 122 para o Gama; 100 para o Núcleo Bandeirante; e 125 para São Sebastião.

Serão atendidas as crianças já inscritas e classificadas no Cadastro de Solicitação de Vagas. A meta do GDF é dobrar o número de vagas em quatro anos. Também será inaugurada no segundo semestre a Escola Classe Sol Nascente, que está em obras. A previsão é de que a escola tenha 800 alunos de 4 a 10 anos.

Se há indícios de que algum aluno está levando drogas, bebida alcóolica ou armas para dentro da escola, o diretor pode chamar ajuda ou não para fazer o aluno mostrar sua mochilaRafael Parente, secretário de Educação do DF

A partir desta segunda-feira também vai começar a ser implementado o novo regimento escolar da rede pública que passou por modificações importantes no primeiro semestre. O intuito foi, juntamente com a proposta pedagógica da escola, trazer mais autonomia para gestores e professores, além de proporcionar mais disciplina nas escolas. Nesse sentido, professores poderão exercer com autonomia o poder disciplinar dentro de sala de aula, nos limites estabelecidos pelo regimento.

Enfrentamento da violência
“O foco é o enfrentamento da violência e da indisciplina. Se há indícios de que algum aluno está levando drogas, bebida alcoólica ou armas para dentro da escola, o diretor pode chamar ajuda ou não para fazer o aluno mostrar sua mochila e o seu material”, diz Rafael Parente. “Tem a questão do comportamento dos alunos também, que será avaliado constantemente”, ressalta. Foram instituídas penalidades para os estudantes que descumprirem o regimento como advertência, suspensão e transferência.

A Secretaria de Educação também pretende levar internet de alta velocidade para 70% das escolas até o final do ano e vai distribuir no segundo semestre um novo material didático elaborado em conjunto com os professores baseado em aulas digitais, vídeos do youtube e games. “Para isso precisamos melhorar a rede das escolas, que está sucateada, e instalar TVs em sala de aula”, reconhece o secretário. “A ideia é auxiliar o professor a dar uma aula diferente para combater as maiores dificuldades dos alunos”, explica. As aulas são voltadas principalmente para alunos do 6º ao 9º ano e do Ensino Médio.

Fonte: Agência Brasília

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