Com sotaque particular, festas juninas são tradição em Brasília

O compasso do forró, as bandeirolas, a fogueira e as comidas típicas estão presentes desde os primeiros anos de existência da capital. As primeiras festas juninas surgiram tímidas, ainda nos blocos e quadras residenciais. À medida que o tempo passava, a tradição também ia tomando conta da cidade.

A Torre de TV já foi palco de noites de alegria, assim como o Parque da Cidade. Quem viveu aquela época lembra de como a festa era divertida, da organização ao primeiro “anarriê”. Com o passar do tempo, as festividades em Brasília tomaram outras proporções. Paróquias e clubes incorporaram o evento em seus calendários. E a festança passou a começar mais cedo e a durar até mais que em outros lugares do país. De maio a agosto, Brasília tem arraiá!

Nos anos 1980, a 211 Sul foi palco de diversas festas juninas. Tudo começou quando um grupo de moradores se juntou no intuito de fazer uma confraternização. Da reunião, teve-se a ideia de fazer a festa junina. Cada morador era responsável por uma função. “A interação já começava nos preparativos. Cada um se organizava para levar um tipo de comida. Tinha aquele que levava a canjica; outro, o quentão; e assim por diante. Um dia antes, todos se reuniam para decorar a quadra e montar as barraquinhas. Era um momento de encontro e risadas entre todos os moradores da quadra”, relembra Fátima Neves, 58 anos, síndica dos blocos B e C.

A primeira festa na 211 Sul começou com apenas quatro barraquinhas. Com o passar dos anos, chegou a ser uma das mais esperadas da Asa Sul, segundo a síndica do Bloco I, Deusimar Gomes Barbosa. “As nossas festas eram bem bonitas e organizadas. Nós convidávamos quadrilhas para participar e, depois, o som era o forró. As crianças da quadra adoravam. Sinto saudades disso tudo”, relembrou a moradora.
A festividade no local também atraía políticos. Mas, com a grande procura, ficou complicado para os moradores arcarem com os custos. A última edição ocorreu em 2013. “Dá vontade de fazer as festas novamente e reviver todo aquele momento de confraternização entre todos da quadra. Quem sabe não podemos nos animar novamente”, sonha Deusimar.

No Guará, a QI 3 era uma das quadras em que a festividade era garantida. Para animar a criançada do lugar, os moradores decidiram se juntar para fazer a festa junina. O espaço usado era uma quadra de esportes. Com bambu e folhas de bananeiras, eles montavam as barraquinhas e outras partes da decoração. “Fizemos a festa durante muitos anos. Era sempre muito animado e ficava cheio. Na caixa de som, colocávamos sempre um forró bem animado”, conta a aposentada Zilda Oliveira, 61. O dinheiro com as vendas de canjica, cachorro-quente, churrasquinhos e tantas outras comidas feitas pela comunidade era revertido em brinquedos para as crianças da quadra.

Quadrilha
Uma das principais marcas da época passa pelas quadrilhas, com coreografias que encantam o público. No Distrito Federal, são ao menos 25 grupos em atividade. O estilo de dança da capital brasileira é diferente, porque mistura muitas culturas. As quadrilhas também desenvolvem temas que influenciam nos movimentos e no figurino. A base também é bem teatral, diferente do forró tradicional do Nordeste do país.

Criada em 1980, a quadrilha Mala Véia, de Ceilândia, foi uma das pioneiras da capital do país. Ao longo de 37 anos, ela se tornou tricampeã de Brasília e conquistou o título Nacional de Quadrilhas em 2006. O gestor público Freddy Moraes, 37, está desde 1997 no grupo cultural e hoje é presidente da agremiação. “Tudo começou com o intuito de se divertir na região da Guariroba. Eu comecei, aos poucos, no ensaio e, depois, não consegui mais sair. Ao longo do tempo, houve mudanças, o grupo todo amadureceu e também nos tornamos referência. Esse movimento é vida”, ressaltou.

As transformações ocorridas na capital do país na maneira de comemorar o período junino são bem avaliadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan-DF). O superintendente do órgão, Carlos Madson Reis, ressalta que toda manifestação cultural é passível de mudanças. “A festa mudou em todo o Brasil desde a sua chegada ao país. Brasília segue essa tendência. Essa é a segunda festa mais popular do Brasil e, de norte a sul, ela segue com uma característica. Na capital, ela traz os elementos locais e incorpora também elementos de outras regiões. Isso mostra a vivacidade do movimento”, destacou.

Uma particularidade local também é apontada pelo superintendente do Iphan-DF. “Já é um símbolo. Aqui em Brasília, a festa não se restringe a junho. Desde maio, já se vê movimento em algumas paróquias e as festividades chegam até agosto. Essas quermesses são muito disputadas pela população, que fica esperando logo o evento”, detalha Madson.

Sobre a dança, o especialista também destacou as características dos grupos locais. “A disputa de quadrilhas é forte e baseada em temas, diferentemente de outras regiões. É um aspecto positivo que nossa cultura local empregou às festas juninas.”

Fonte: Correios Braziliense

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