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GDF investe R$ 24,8 milhões e gera 800 empregos em resgate da W3 Sul

JÉSSICA ANTUNES, DA AGÊNCIA BRASÍLIA | EDIÇÃO: RENATA LU

Obras em uma das avenidas mais icônicas do Distrito Federal avançam, apesar da pandemia

JÉSSICA ANTUNES, DA AGÊNCIA BRASÍLIA | EDIÇÃO: RENATA LU

O resgate de uma das avenidas icônicas do Distrito Federal segue sem pausa, mesmo em contexto de pandemia. A revitalização de mais um conjunto de quadras da W3 Sul está 80% executada e novas licitações estão em andamento para abarcar toda extensão da via. Com investimento total de R$ 24,8 milhões e geração de 800 empregos diretos e indiretos, o projeto prevê requalificação com melhoria no sistema viário e no fluxo de pedestres com acessibilidade.

Quem passa pela 509/510 percebe: de segunda a sábado, equipes trabalham empenhadas em finalizar as intervenções coordenadas pela Secretaria de Obras e Infraestrutura, com serviços complementares tocados pela Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap). De acordo com o supervisor Carlos Magno, vinculado à Subsecretaria de Acompanhamento e Fiscalização de Obras (SUAF), faltam 20% de execução para entregar tudo pronto.

Estão prontos 13 estacionamentos com piso formado por blocos de concreto. Na W3, a instalação de placa nos passeios está em andamento e faltam recortes realizados com pedras portuguesas. O trecho que comporta o ponto de ônibus deve ser concluído na próxima semana, com calçadas e gramado. O canteiro central que divide a avenida também está pronto, inclusive o plantio de grama em torno das árvores. Na W2, as duas quadras também já têm calçadas novas com acessibilidade.

| Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

“As obras não foram paralisadas em nenhum momento, mesmo com a pandemia, com cuidados necessários. No entanto, tivemos que prorrogar o cronograma porque as placas de concreto de 40cm x 40cm são produzidas em Goiás e houve paralisação de fabricação do fornecedor”, conta o supervisor Carlos Magno. Enquanto isso é resolvido, outros serviços foram realizados. A expectativa é que tudo termine na primeira quinzena de outubro.

As quadras 511/512 sul foram as primeiras a receber melhorias e os espaços foram entregues com cara nova em janeiro, com verba do Tesouro do GDF. Neste mês, também foram licitadas as obras de revitalização das quadras 513/514, 515/516, também com verba do Executivo, e daquelas entre a 502 e 508, que serão divididos em três lotes de construção e recursos da Terracap.

Conforme os prazos legais dos certames, os resultados devem começar a se tornar públicos até outubro. Secretário de Obras e Infraestrutura, Luciano Carvalho diz que a expectativa é que todas as obras tenham início neste ano, desde que não ocorra nenhum problema nos processos. “A W3 é uma avenida icônica para Brasília. Era um grande shopping a céu aberto, referência, e passou muito tempo sem receber investimentos”, afirma.

A W3 é uma avenida icônica para Brasília. Era um grande shopping a céu aberto, referência, e passou muito tempo sem receber investimentosLuciano Carvalho, secretário de Obras e Infraestrutura

Projeto urbanístico

O projeto de revitalização das quadras foi elaborado pela Coordenação de Projetos da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh) e levou em consideração a demanda de um perfil amplo de usuários das quadras, desde pedestres e condutores de veículos. As melhorias incluem organização das vagas e colocação de piso intertravado, além de estímulo ao fluxo de pedestres.

As calçadas acessíveis voltadas à W3 Sul têm dois metros de largura, foram divididas em três faixas. A de serviço, mais próxima da pista, foi destinada à instalação de postes de iluminação, paraciclos, lixeiras e vasos de plantas. Nessa área, foi mantido o piso em pedras portuguesas. Nas vias laterais, são 1,2 metro de passeio. Também há paisagismo e obras complementares de drenagem e sinalização.

Comércio otimista

Devolver a importância comercial da avenida é um dos objetivos da revitalização e o comércio vê com otimismo a intervenção, depois de décadas de espera. “Nunca teve nenhum cuidado. Na frente da loja, tinha mais terra do que pedras portuguesas. Não tinha acessibilidade”, conta a consultora de vendas Marilene Melo, de 41 anos. Há três décadas, a ótica dela está um ponto na 510. “Vai melhorar muito para o comércio”, opina.

Marconi Santos, de 35 anos, tem um quiosque próximo à parada de ônibus da entrequadra que agora recebe as melhorias desde 2012. “É um progresso para nós, que trabalhamos, e para quem passa por aqui no dia-a-dia. Essa calçada era horrível e ficamos até surpresos com o cuidado com a W3. Esperamos que traga de volta um pouco do que a avenida foi um dia”, diz.

Presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas do Distrito Federal (CDL-DF), José Carlos Magalhães conta que a expectativa é recuperar a avenida como ícone da capital. Ele valoriza a continuidade do cronograma, enquanto as lojas ficaram fechadas em virtude das restrições para evitar a disseminação de coronavírus.

“Temos um varejo tentando se levantar depois de vários meses com boa parte totalmente fechado, mas, com ordenamento e revitalização, com certeza outras lojas vão se instalar. As quadras entregues antes da pandemia estão indo bem. As pessoas, aos poucos, estão voltando a andar ali. Há iluminação, calçadas depois de anos, becos onde as pessoas podem atravessar sem medo”, pontua.

Essa calçada era horrível e ficamos até surpresos com o cuidado com a W3. Esperamos que traga de volta um pouco do que a avenida foi um diaMarconi Santoos, comerciante

Rede de melhorias

Como forma de dar nova vida à região, empresários também participam das melhorias. Por meio do programa Adote uma Praça, da Secretaria de Projetos Especiais (Sepe), uma passagem entre blocos de comércio já foi revitalizada com inauguração de um complexo criativo. Segundo a pasta, outro ponto está em processo de adoção. “Em cenário de pandemia, isso é importante e simbólico. Enquanto tem empresas em dificuldade, conseguimos colocar um novo empreendimento no coração da W3 Sul”, valoriza a administradora regional do Plano Piloto, Ilka Teodoro.

De acordo com ela, o órgão também realizou levantamento de todas as permissões de mobiliários dos becos, como bancas de revistas, para que possam ser modernizados. “Queremos rever os usos e fazer licitações daqueles que não têm permissões válidas como  forma de movimentar o espaço”, explica.

E não é só isso. Entre as ações de resgate da avenida, o GDF implementou o Viva W3, com fechamento de pistas para garantir circulação exclusiva de pedestres e ciclistas, focados na prática de esportes e lazer. Aos domingos e feriados, a interdição ocorre entre as quadras 503/703 e 515/715.

“Isso trouxe vida para a avenida depois de anos de reclamações. A população começou a enxergar o espaço, se apropriar e sentir pertencimento. Ao mesmo tempo, trouxe outro olhar dos empreendedores. Já observamos novo movimento, procura por pontos de lojas”, afirma Ilka Teodoro. Para ela, isso é reflexo de quando o poder público demonstra cuidado, carinho e intenção de investir recursos.

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