Cartas do Prospera ajudam comerciantes a enfrentar a crise

Bermudas, calças, camisetas, bonés e bolas. São diversas as opções de produtos à venda na banca de Tiago Magalhães, na Feira Modelo de Sobradinho. Aos 32 anos e há 12 anos no local, ele conta que o foco do negócio são artigos voltados à cultura hip-hop, ao basquete, ao beisebol e ao futebol americano.

Com a crise econômica enfrentada pelo Distrito Federal e o restante do País, Tiago recorreu ao programa de microcrédito produtivo do governo de Brasília, o Prospera, para abastecer o estoque. Apenas em 2017, foram entregues 851 cartas de crédito — 28 a mais que em 2016.

“Esse segundo crédito foi mais por conta da crise. Eu já conhecia o programa, e ele me deu força para continuar as vendas”, aponta Tiago, que obteve o primeiro empréstimo pelo Prospera há cerca de sete anos, para reforma do box.

Agora, ele diz ter feito um bom estoque e já planeja mais um crédito de capital de giro, com o objetivo de não mexer no lucro do ano. “Como os juros são bons, vale a pena”, analisa.

Na área urbana, a taxa de juros é de 0,75% ao mês para capital de giro e 0,70% para investimento. No campo, de 2% ao ano para custeio e de 3% para investimento.

Em 2017, o Prospera liberou R$ 9.666.577,25 em microcrédito produtivo. A maior parte foi destinada a atividades de agricultura, com R$ 3,7 milhões distribuídos em 229 cartas. O comércio veio em seguida, com 382 cartas, o equivalente a R$ 3,6 milhões.

Maioria dos pedidos no Prospera em 2017 foi de novas inscrições

Assim como o segundo crédito de Tiago, o primeiro do também feirante Eurípedes Araújo, de 38 anos, foi para capital de giro. Abrir o negócio, há um ano, foi a realização de sonho antigo. Na Feira Modelo de Sobradinho, ele vende camisetas temáticas de filmes, super-heróis e bandas de rock, entre outras estampas.

“Quando comecei, estava difícil manter; vi o Prospera em uma reportagem e fui atrás”, relembra. “Peguei para capital de giro, que me ajudou a comprar mais e a manter a mercadoria em estoque.”

Eurípedes soube do Prospera no início de 2017 e avisou o colega de feira Tiago, que recomendou o programa e aproveitou para solicitar a segunda carta.

Dados da Secretaria do Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos — pasta responsável pelo Prospera — apontam que, em 2017, houve 482 novas inscrições no programa e 369 renovações. Dos 851 contratos, 595 foram para a área urbana e 256, para a rural.

Aval solidário: garantia em grupo até quitar a dívida com o Prospera

A cerca de 30 quilômetros de onde Tiago e Eurípedes trabalham está Ana Flávia Coelho e Silva, de 40 anos, que tem no vaivém de passageiros da Rodoviária do Plano Piloto o público-alvo do box onde vende itens como relógios, bonés e bijuterias. “As pessoas não saem de suas casas para comprar aqui, elas passam e compram”, explica.

Para abastecer o negócio, que fica na plataforma inferior A, a comerciante conta com fornecedores locais, mas também viaja para São Paulo (SP).

Com a última carta de crédito do Prospera, Ana Flávia investiu na retomada da venda de bolsas — um artigo com o qual já trabalhou, quando abriu o estabelecimento, há oito anos.

Essa foi a terceira carta recebida por ela, que faz parte de um grupo de aval solidário.

Ana Flávia, a irmã e a cunhada pedem os créditos juntas e dividem entre elas a garantia do pagamento. “As condições são boas, e é um dinheiro que, se aplicado, dá para pagar”, destaca.

Compras de material com possibilidade de descontos

Na profissão há mais de duas décadas, o chaveiro Juscelino da Conceição, de 39 anos, já recorreu ao Prospera cinco vezes.  A loja que ele mantém na Estrutural vende artigos do lar e cosméticos, mas o carro-chefe são os serviços de chaves e de amolar alicates de unha.

Com a crise econômica, Juscelino precisou cortar gastos, mas ainda pôde recorrer ao programa do governo. “Com o Prospera, a gente consegue manter o nome limpo e não deixa de comprar”, diz, ao completar que algumas empresas fornecedoras oferecem de 5% a 10% de desconto para pagamentos à vista.

“Só em passar pela crise com as portas abertas, já é lucro; com o nome limpo, mais ainda”, avalia.

Quem pode pedir o Prospera

Na área rural, podem pedir empréstimos do Prospera produtores familiares e cooperativas.

Na cidade, são elegíveis:

  • Recém-formados (até 3 anos)
  • Empreendedores informais
  • Empreendedores formais (artesão; microempreendedor individual; microempresário; empresário de pequeno porte; ou representante de cooperativa de trabalho e produção)

O dinheiro pode ser usado para capital de giro, custeio e investimento, e os recursos saem do Fundo de Geração de Emprego e Renda do DF.

Números do Prospera em 2017

Como solicitar o Prospera

Tradicionalmente, o Prospera era interrompido em dezembro e retomado em março, período em que passava por ajustes e quando os recursos do DF costumam ficar menos disponíveis.

Graças à assinatura de termo de cooperação entre o Banco de Brasília (BRB) e a Secretaria do Trabalho, o programa não sofrerá interrupção para a área urbana nesse intervalo.

Todas as agências do trabalhador podem auxiliar com informações, mas os pedidos de crédito para a cidade são feitos nas unidades do Plano Piloto (Setor Comercial Sul, Quadra 6, Lotes 10 e 11) e de Taguatinga (Avenida das Palmeiras, Quadra C4, Lote 3), de segunda a sexta, das 8 às 18 horas.

No caso da área rural, é preciso ir a um dos postos da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-DF), a partir de meados de fevereiro.

Acesse as cartilhas (para o público urbano e para o rural) com mais informações sobre o Prospera.

Fonte: Agência Brasília

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