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Touro da B3 é removido após ser multado pela prefeitura e achincalhado pelo povo; veja vídeo

O Touro Removido. Foto: Reprodução

A CPPU da prefeitura concluiu que o monumento de gosto duvidoso constitui propaganda irregular e não tem autorização da comissão que fiscaliza a aplicação da lei Cidade Limpa

Por Julinho Bittencourt

Bolsa de Valores (B3) teve que retirar na noite desta terça-feira (23) a estátua Touro de Ouro, instalada em frente ao prédio do empreendimento no Centro de São Paulo. A retirada do Touro ocorreu por volta das 21h57, segundo confirmou a assessoria de imprensa da B3.

Secretaria Municipal de Urbanismo da Prefeitura de São Paulo, por meio da Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU), concluiu que o “monumento” do touro dourado, colocado na frente da B3, teve que ser removido do local porque constitui propaganda irregular e não tem autorização da comissão que fiscaliza a aplicação da lei Cidade Limpa.

A estátua de gosto duvidoso, alvo de escárnio e polêmica durante os poucos dias em que permaneceu no local, foi embalada em plásticos para evitar que fosse danificado na retirada. Não foi divulgado para onde a estátua será levada.

 

Imitação

A obra, feita pelo arquiteto Rafael Brancatelli, e que imita o Charging Bull (touro em investida) de Wall Street, em Nova York (EUA), viola a legislação do município e foi colocada à revelia das autoridades paulistanas, o que gerou uma multa por parte da administração regional, a cargo da Subprefeitura da Sé.

O debate na CPPU sobre o touro dourado, que despertou paixões, ódios e muito deboche por parte do público que frequenta a região e nas redes sociais por todo o Brasil, também levou em consideração o caráter da obra, que não foi considerada de natureza cultural, mas sim um objeto de propaganda de um dos sócios da XP Investimentos, Pablo Spyer, idealizador da ação com o bovino reluzente. Ele é dono de uma empresa que ensina clientes a investirem, a Vai Tourinho, e é apresentador de um programa sobre o mesmo assunto na rádio Jovem Pan, cujo nome é Minuto Touro de Ouro.

Autorização

A B3 insistiu que tem autorização do Departamento de Patrimônio Histórico da Secretaria de Cultura de São Paulo para manter o touro no local até 31 de dezembro, enquanto a Dmaisb, empresa que integra o projeto de colocação do touro, diz ter recebido sinal verde da Subprefeitura da Sé para que a obra permaneça no meio da via pública até 15 de fevereiro de 2022.

A Prefeitura de São Paulo não confirmou qual será o valor da multa aplicada aos responsáveis pela colocação do controverso touro no coração do centro histórico da capital paulista, nem quando ele será removido do local.

Intervenção contra a fome

Inaugurado no dia 16 de novembro, o Touro de Ouro da B3 recebeu na manhã seguinte uma “homenagem” digna de seu simbolismo: cartazes com a palavra “Fome” foram colocados na escultura. A ação foi organizada pelos grupos militantes Juventude Fogo no Pavio e Coletivo Raiz da Liberdade.

Por meio de suas redes, o grupo Fogo no Pavio divulgou a ação acompanhada de críticas a acumulação de riquezas e aprofundamento da miséria no Brasil.

“Enquanto o lucro e a acumulação de riquezas seguem aprofundando a exploração incansável dos nossos trabalhos cada vez mais precarizados. Tudo isso muito beneficiado pela política entreguista e genocida de Bolsonaro!”, critica o grupo.

Para os militantes, “a estátua do Touro de Ouro no Centro de São Paulo […] simboliza a força do mercado financeiro, para nós é um símbolo da fome, da miséria e da superexploração do trabalho”.

Além disso, os grupos lembraram que “assim como o Touro de Wall Street é alvo de trabalhadores e trabalhadoras que resistem, aqui o Touro de Ouro também será!”.

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João Victor Martins

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