Acessibilidade: Brasília está muito longe da situação ideal

Ainda falta muito para que a questão da acessibilidade seja exemplo no Distrito Federal. Basta circular um pouco pelo Plano Piloto, por exemplo, para encontrar algumas situações absurdas. Na entrequadra 214/215 Norte, próximo ao Parque Olhos D’água, rampas foram construídas com degraus e outras com inclinação muito acentuada, o que não adianta de nada para os cadeirantes e pessoas com dificuldades móveis. Na Rodoviária do Plano Piloto a situação é ainda pior. São seis elevadores, mas é comum estarem quebrados, assim como as escadas rolantes. Além disso, nas rampas existentes, não há sinalização.

Dificuldades diárias

Quem encara o problema de perto todos os dias na capital, é o porteiro Jairo Vieira, 51 anos, que é cadeirante. Ele chegou a cair de uma das escadas rolantes da Rodoviária, no último dia 30 e, por sorte, não se machucou. Várias pessoas precisaram ajudá-lo. Jairo conta que foi uma situação muito constrangedora, pois se algum dos elevadores estivesse funcionando tudo poderia ser evitado.

“Sou frequentador diário e sempre encontro dificuldades na hora de me locomover. Já caí e também presenciei várias quedas aqui. Se o elevador funcionasse, eu não precisaria de ninguém para me ajudar” disse.

Em nota, a Assessoria de Comunicação do DFtrans informou que, por conta da reforma da Rodoviária, alguns elevadores precisaram ser interditados. Fora os serviços de manutenção.

Segundo o DFtrans, com a reforma, algumas novidades serão introduzidas, como sinalizações e piso tátil para facilitar o deslocamento de pessoas com deficiência em todas as plataformas do terminal. A previsão é que as obras sejam finalizadas em todas as plataformas até julho de 2017.

A Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos do DF (Sinesp) e Novacap informam que há um processo licitatório em curso para a manutenção e a construção de novas calçadas em todo o Distrito Federal. Outras medidas também serão tomadas.

Raro encontrar piso tátil

Para o aposentado Pedro Peixoto, 59 anos, deficiente visual desde criança, é lamentável a ausência do piso tátil tanto na Rodoviária do Plano Piloto quanto em outros lugares de Brasilia.

“Quem dera se todos os deficientes visuais pudessem caminhar sobre pisos táteis. Ele é fundamental, pois, além de nos permitir andar sozinhos e sem ajuda da bengala ou de pessoas, evita certos transtornos”, explica. Para ir do Conic até a Rodoviária Pedro precisou da ajuda da estudante Thaynara Arruda Castro, 19 anos, que se ofereceu para guiá-lo.

No Setor Bancário Sul, a situação é deplorável. Na quadra 1, não há sinalização alguma nas vagas destinadas a pessoas com algum tipo de deficiência. As rampas precisam de reforma e, além das poucas vagas, seis, há também o desrespeito dos motoristas que estacionam em frente às rampas.

Bom exemplo mesmo somente no Setor Comercial Sul. As nove quadras do setor possuem rampas adequadas, piso tátil e sinalizações.

Matéria postada por Jornal de Brasília

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